Tom Sturridge comenta bastidores de The Man I Love em Cannes

O ator detalha sua parceria com Rami Malek e confirma participação no próximo projeto da diretora Mia Hansen-Løve após estreia no festival de cinema.

O drama poético e sensível de Ira Sachs, intitulado The Man I Love, emergiu como um dos pontos altos da 79ª edição do Festival de Cannes. Ambientado na vibrante e, ao mesmo tempo, melancólica Nova York do final da década de 1980, o filme tece uma narrativa complexa sobre amor, desejo, mortalidade e a busca pela expressão artística em meio a uma crise de saúde pública. A recepção do público e da crítica no festival foi entusiástica, consolidando a obra como um marco na filmografia de Sachs.

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Enquanto as atenções se voltaram para a performance de Rami Malek, que interpreta um artista de teatro amador enfrentando o diagnóstico de AIDS — uma atuação que a crítica especializada já aponta como a mais impactante do ator desde o sucesso global de Bohemian Rhapsody —, a presença de Tom Sturridge como seu parceiro na tela tem sido amplamente celebrada. Sturridge, que retornou ao tapete vermelho de Cannes após participações anteriores com Irma Vep em 2022 e On the Road em 2012, oferece uma interpretação que se destaca pela sutileza. Ele atua nos espaços silenciosos ao redor de Malek, construindo um personagem que, embora menos expansivo, é carregado de uma profundidade emocional que ancora a narrativa.

Tom Sturridge no tapete vermelho do Festival de Cannes 2026
Tom Sturridge durante a exibição de The Man I Love no Festival de Cannes.

A filosofia de direção de Ira Sachs

Para Sturridge, a experiência de colaborar com Ira Sachs foi radicalmente diferente de qualquer outro projeto em sua carreira. O diretor é conhecido por sua aversão a ensaios tradicionais e discussões exaustivas sobre o roteiro antes do início das filmagens. Segundo o ator, Sachs acredita que o processo de criação deve ocorrer inteiramente diante das lentes. O diretor evita até mesmo que os atores leiam suas falas durante testes de câmera ou ajustes de iluminação, temendo que a repetição mecânica possa esvaziar a espontaneidade do momento. Para Sturridge, essa abordagem representa um “profundo salto de fé”, onde a confiança mútua entre cineasta e elenco é o pilar central.

Sachs permite que as cenas respirem, dando tempo para que os atores habitem o espaço e descubram as nuances de seus personagens no momento em que a câmera começa a rodar. “Ele permite que as coisas fiquem e respirem”, explica Sturridge. “Ele confia que você é o suficiente. Você não precisa apresentar ou forçar uma emoção; ele encontrará a verdade no que você oferece”. Essa metodologia exige uma entrega total e uma vulnerabilidade que, segundo o ator, é rara no cinema contemporâneo.

Construindo a linguagem física de um casal

Um dos maiores desafios de Sturridge foi estabelecer uma conexão crível e profunda com Rami Malek, retratando um casal que compartilha anos de história e intimidade. Sem o auxílio de ensaios formais para construir essa dinâmica, os dois atores focaram em desenvolver uma linguagem física que comunicasse a história do casal sem a necessidade de diálogos expositivos. O objetivo era capturar a essência de uma relação marcada tanto pelo afeto quanto pelo peso da situação de saúde de um dos parceiros.

Sturridge revelou que, para compreender a atmosfera da época e a gramática cinematográfica que Sachs buscava, o diretor recomendou uma série de obras que serviram como referência estética e histórica. Essa curadoria permitiu que o elenco mergulhasse no contexto social do final dos anos 80, um período de medo e resiliência para a comunidade LGBTQIA+. Ao absorver essas referências, Sturridge conseguiu traduzir a angústia e o amor de seu personagem em gestos contidos, olhares e silêncios que pontuam o filme.

O processo de escalação para o papel de Dennis, o personagem de Sturridge, foi igualmente atípico. O ator não conhecia Sachs pessoalmente, embora fosse um admirador de longa data de sua filmografia, incluindo obras como Forty Shades of Blue e o recente Passages. O primeiro contato ocorreu via Zoom, onde, em vez de discutir o roteiro ou o personagem, eles passaram horas trocando histórias de vida. Para Sachs, o objetivo era estabelecer uma conexão humana e ganhar a confiança do ator, algo que Sturridge considera fundamental para o sucesso da colaboração.

Novos horizontes: Mary Wollstonecraft e Mia Hansen-Løve

Além do sucesso em Cannes, o futuro de Sturridge parece promissor. Durante a entrevista, o ator confirmou que se juntará ao elenco do próximo projeto da aclamada diretora francesa Mia Hansen-Løve. O filme, uma cinebiografia da filósofa e escritora britânica do século XVIII, Mary Wollstonecraft, promete ser um dos projetos mais ambiciosos da diretora. O longa contará com a atriz Renate Reinsve no papel principal, trazendo uma nova perspectiva sobre a vida de uma das figuras mais influentes do pensamento feminista.

A escolha de Sturridge para integrar este elenco reforça seu status como um dos atores mais versáteis de sua geração, capaz de transitar entre dramas contemporâneos intensos e produções de época complexas. Sua trajetória, marcada por escolhas criteriosas e colaborações com diretores que priorizam a visão autoral, coloca-o em uma posição de destaque no cenário cinematográfico global. A expectativa em torno de sua atuação no filme de Hansen-Løve já é alta, especialmente considerando o rigor estético e a sensibilidade narrativa que a diretora imprime em suas obras.

Enquanto o público aguarda o lançamento oficial de The Man I Love, a performance de Sturridge em Cannes serve como um lembrete de sua capacidade de desaparecer em papéis que exigem uma entrega emocional profunda. O ator, que se sente confortável tanto em grandes produções quanto em dramas intimistas, continua a explorar os limites de sua arte, sempre em busca de projetos que desafiem sua percepção sobre o que significa atuar. A parceria com Ira Sachs, em particular, parece ter deixado uma marca duradoura em sua abordagem profissional, reafirmando a importância da intuição e da confiança no processo criativo.

Em suma, a passagem de Tom Sturridge por Cannes em 2026 não apenas celebrou o sucesso de The Man I Love, mas também sinalizou um novo capítulo em sua carreira. Entre a sensibilidade de Sachs e a visão histórica de Hansen-Løve, o ator se consolida como uma peça fundamental para o cinema de autor contemporâneo, provando que, por trás de cada grande performance, existe um ator disposto a se entregar ao desconhecido e a confiar no olhar de quem está atrás da câmera.

Fonte: Variety

Este conteúdo foi produzido pela Redação Máquina Nerd com apoio de inteligência artificial e passa por curadoria editorial.