O escândalo de Watergate, que envolveu a quebra e instalação de escutas na sede do Comitê Nacional Democrata em Washington, D.C., em 1972, durante a campanha de reeleição do presidente Richard Nixon, é um marco na história política americana. Aliados de Nixon tentaram encobrir a conspiração, culminando em sua renúncia em 1974. A investigação que desvendou o caso foi conduzida pelos repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward, do The Washington Post, cujos relatos foram imortalizados no filme de 1976, Todos os Homens do Presidente.
Cinquenta anos após seu lançamento, o filme mantém sua relevância, abordando a corrupção política e as táticas de desinformação que, de certa forma, ainda ecoam nos dias atuais. A trama acompanha a determinação de dois jornalistas em desvendar uma conspiração que incluía extorsão e chantagem, impulsionada pela sede de poder de Nixon. Estrelado por Robert Redford como Bob Woodward e Dustin Hoffman como Carl Bernstein, o longa é um testemunho da importância do jornalismo investigativo.
‘Todos os Homens do Presidente’ Permanece uma Obra-Prima
Na busca por pistas, Woodward e Bernstein, apelidados de ‘Woodstein’ por seu editor Ben Bradlee (Jason Robards), se deparam com desculpas e táticas que ainda são empregadas por figuras políticas. A estratégia de difamação, conhecida como “Ratf*****”, visava destruir oponentes por qualquer meio necessário, incluindo fraudes e ataques à reputação.
Um informante crucial, conhecido como Garganta Profunda (Deep Throat), ofereceu o conselho atemporal: “Siga o dinheiro”. Essa orientação levou os jornalistas a conectar os assaltantes do Watergate a um cheque de US$ 25.000 da campanha de Nixon. A equipe responsável pela invasão era conhecida como White House Plumbers, nome que inspirou a série da HBO de 2023.
G. Gordon Liddy, ex-agente do FBI e um dos líderes dos assaltantes, foi sentenciado a vinte anos de prisão, cumprindo cinco. Sua figura, com o icônico bigode, é lembrada como parte da engrenagem do escândalo.
A excelência de Todos os Homens do Presidente reside em seu ritmo. Em uma era de excesso de informações, o filme convida à reflexão e à análise minuciosa. Cada detalhe era rigorosamente examinado antes de chegar à primeira página, garantindo a autenticidade das reportagens.
As táticas de “Ratf******” perpetradas pela campanha de Nixon encontraram paralelos em figuras políticas posteriores, como Roger Stone. A busca por poder e a utilização de métodos questionáveis têm sido uma constante no cenário político.
O filme oferece um vislumbre do passado, mas estabelece um paralelo claro com a cultura contemporânea. O diretor Alan Pakula, conhecido por obras como Klute e A Escolha de Sofia, demonstra sua maestria em explorar temas complexos. A restauração em 4K do filme preserva a atmosfera dos thrillers políticos dos anos 70.
A cena final é marcante: enquanto Woodward e Bernstein trabalham, uma TV exibe Richard Nixon prestando juramento, um contraste sombrio com suas ações posteriores. A ausência da narrativa sobre as consequências imediatas da notícia reforça o conhecimento do público sobre o desfecho do escândalo de Watergate.
As últimas cenas servem como um lembrete da importância de confrontar o poder com a verdade. O Washington Post, antes do escândalo de Watergate, já havia publicado informações sobre o envolvimento do governo na Guerra do Vietnã, gerando atritos com figuras influentes.
Embora Todos os Homens do Presidente permaneça relevante, a última década viu o surgimento de outros filmes notáveis sobre o jornalismo, como Spotlight e The Post. Filmes como O Abutre (Nightcrawler) apresentam uma visão mais cínica sobre a busca por notícias sensacionalistas.
Todos os Homens do Presidente estabeleceu um padrão para o cinema de jornalismo investigativo há meio século e continua sendo uma referência.
-7.jpg)


Fonte: Movieweb