Os Três Mosqueteiros de 1993 antecipa estilo de Piratas do Caribe

O longa de aventura da Disney, lançado em 1993, estabeleceu bases narrativas e o tom de escapismo que definiriam a franquia de sucesso estrelada por Johnny Depp.

O filme The Three Musketeers, lançado pela Disney em 1993, permanece como uma obra subestimada e fascinante do cinema de ação da década de 90. Em uma era que antecede a onipresença da computação gráfica — um período situado após o lançamento de Tango & Cash e antes da estreia de Gladiador — o longa apostou em efeitos práticos, dublês reais e um elenco carismático para construir uma aventura leve e divertida. A trama acompanha o jovem D’Artagnan, interpretado por Chris O’Donnell, em sua jornada para se tornar um mosqueteiro em uma Paris onde a guarda real foi desmantelada pelo ambicioso Cardeal Richelieu, vivido por Tim Curry. O filme captura perfeitamente a aura daquela década, onde o entretenimento cinematográfico era focado em espetáculos visuais in-camera, antes da democratização do CGI trazida pelo sucesso de Jurassic Park.

O que você precisa saber sobre o filme

Embora tenha sido recebido com críticas mistas na época, acumulando apenas 33% no Rotten Tomatoes, o filme foi um sucesso comercial, alcançando o primeiro lugar nas bilheterias em seu fim de semana de estreia. Com um orçamento de cerca de 30 milhões de dólares, a produção conseguiu arrecadar 53 milhões, provando que o público da época buscava exatamente esse tipo de escapismo. O longa é uma verdadeira cápsula do tempo, repleto de tropos de ação dos anos 90, onde a precisão histórica é deixada de lado em favor de um entretenimento puro: o filme se passa na França do século XVII, mas os atores mantêm seus sotaques americanos, enquanto os vilões, interpretados por Michael Wincott e Tim Curry, entregam atuações memoráveis e nefárias.

Uma influência clara para Piratas do Caribe

É impossível ignorar as semelhanças estruturais entre este clássico e a franquia Piratas do Caribe. O filme possui uma tonalidade que remete ao estilo de Jerry Bruckheimer: todos levam o material a sério, mas sem se levarem a sério demais. Ambos apresentam um protagonista jovem e ingênuo que busca honrar o legado de um pai respeitado, enquanto é guiado por veteranos carismáticos. D’Artagnan compartilha traços de personalidade com Will Turner, interpretado por Orlando Bloom, embora sua motivação seja baseada no orgulho familiar, e não no conflito interno. O filme estabelece um padrão de aventura onde momentos dramáticos recebem espaço para respirar, mas o foco principal permanece no escapismo divertido e na dinâmica entre os personagens.

Cena de Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra
A estética de aventura e o tom de escapismo de Piratas do Caribe possuem raízes em produções de ação dos anos 90.

Os três mosqueteiros, Athos (Kiefer Sutherland), Porthos (Oliver Platt) e Aramis (Charlie Sheen), funcionam como mentores que trazem o humor e a experiência necessários para a trama. Oliver Platt, em particular, destaca-se como o alívio cômico, entregando uma performance que equilibra perfeitamente a leveza com a ação. Assim como a saga dos piratas, o filme equilibra momentos de ação grandiosa com um tom de comédia despretensiosa, incluindo cenas de batalhas coreografadas que remetem a momentos icônicos do cinema de capa e espada.

O valor do cinema prático e a nostalgia dos anos 90

O grande diferencial de The Three Musketeers reside no seu compromisso inabalável com o realismo das cenas de ação. Sem o auxílio de efeitos digitais modernos, a produção investiu em coreografias de esgrima executadas pelos próprios atores e sequências de perseguição filmadas in loco. Esse cuidado técnico confere ao filme uma escala épica que raramente é vista em produções contemporâneas que dependem excessivamente de telas verdes. Para os fãs de cinema de ação que apreciam o trabalho de dublês e efeitos práticos, este filme é uma obra essencial que não pode ser ignorada.

A produção não tem medo de ser um filme de “pipoca” em sua essência. Ele abraça a diversão, personagens cativantes e vilões que amamos odiar. Ao revisitar a obra hoje, percebe-se que ela não apenas sobreviveu ao tempo, mas também serviu como um precursor importante para o tom de aventura que dominaria o cinema de grande orçamento nos anos 2000. Com uma trilha sonora marcante e um final otimista, a obra continua a ser uma referência de como equilibrar comédia, ação e aventura sem perder a alma da narrativa. É, em última análise, um testemunho do que tornava o cinema de ação dos anos 90 tão especial: a capacidade de entreter o público com simplicidade, carisma e um espetáculo visual que, embora analógico, permanece vibrante e envolvente até hoje.

Fonte: Collider