A série The Rings of Power, produzida pelo Prime Video, pode estar preparando o terreno para a introdução de uma das figuras mais poderosas e enigmáticas de todo o legendarium de J.R.R. Tolkien: Eru Ilúvatar. Embora a terceira temporada da produção tenha estreia prevista para 11 de novembro de 2026, informações recentes indicam que a equipe de produção já planeja o início das filmagens para o quarto ano da obra no início de 2027. A expectativa em torno da expansão desse universo fantástico cresce à medida que a trama se aproxima de eventos cruciais da Segunda Era da Terra-média.

A terceira temporada da série deve se passar alguns anos após os eventos do segundo ano, apresentando um cenário onde Sauron já foi revelado como o Lorde das Trevas para os povos da Terra-média. No auge da Guerra dos Elfos e de Sauron, o vilão busca forjar o Um Anel, artefato que lhe conferiria o poder necessário para subjugar os Elfos e conquistar todo o território. Embora a adaptação televisiva não siga estritamente a cronologia dos livros — onde o Anel já existia durante este conflito —, a narrativa caminha para a derrota e captura de Sauron pelos Númenóreanos, um arco que deve encerrar o terceiro ciclo da série.
A quarta temporada, portanto, deve explorar as consequências desse desfecho, focando na corrupção das mentes dos habitantes de Númenor por parte de Sauron. Esse processo culmina em um destino trágico que explica a ausência dos Númenóreanos na trilogia cinematográfica de Peter Jackson. Se a queda de Númenor for o eixo central da nova temporada, a presença de Eru Ilúvatar, o ser supremo e criador de todo o cosmos tolkieniano, torna-se uma possibilidade narrativa fascinante. Eru é uma entidade de poder absoluto que intervém diretamente nos eventos do mundo apenas em momentos raros ao longo de milênios.
A possível intervenção divina no fim da quarta temporada
Caso The Rings of Power decida retratar a corrupção e a subsequente queda de Númenor, é plausível que a temporada encerre com o acerto de contas do reino insular e a derrota física de Sauron. Nos escritos originais, essa derrota ocorre justamente por meio de uma intervenção divina de Eru. Após Sauron manipular os Númenóreanos, instigando o medo da morte e voltando-os contra os Valar, ele convence o rei a navegar até as Terras Imortais em uma busca vã pela imortalidade. A promessa de Sauron é uma mentira, mas o povo de Númenor segue o plano.
O plano de Sauron para destruir o reino por dentro atinge seu ápice quando Eru intervém, afundando a imensa frota de Númenor e submergindo todo o reino sob o oceano, em um evento que remete ao mito de Atlântida. A vitória de Sauron é efêmera, pois ele também tem seu corpo destruído, restando apenas seu espírito, que consegue escapar de volta para Mordor. Essa sequência representaria um clímax visualmente grandioso para a série, permitindo, talvez, uma representação de Eru na tela, algo que os fãs de Masters of the Universe e outras grandes franquias de fantasia certamente acompanhariam com atenção.
Eru Ilúvatar já teria aparecido anteriormente na tela
Embora a ideia de ver Eru em The Rings of Power pareça inédita, o ser supremo já teria, teoricamente, intervindo em momentos cruciais da história da Terra-média adaptada para o cinema. Um exemplo notável ocorre no final de The Lord of the Rings: The Return of the King, quando Frodo e Sam chegam à Montanha da Perdição. No livro, Gollum morde o dedo de Frodo e recupera o Anel, mas, ao contrário do filme de Peter Jackson, onde Frodo acaba empurrando Gollum para a lava, o personagem simplesmente perde o equilíbrio e cai enquanto celebra sua conquista.
Em uma de suas cartas, J.R.R. Tolkien sugeriu que uma força superior atuou naquele momento, o que a maioria dos estudiosos interpreta como uma intervenção direta de Eru. Não se trata necessariamente de uma ação física, mas da vontade do mestre do universo influenciando o destino de Gollum e do Anel. Assim, é possível que a série do Prime Video permita que o público imagine a presença de Eru, ou que a produção decida, de fato, trazer essa força onipotente para o centro da narrativa. A abordagem da plataforma sobre o tema será um dos pontos mais debatidos pelos entusiastas da obra de Tolkien.
A expectativa em torno da quarta temporada reflete o interesse contínuo do público em produções de grande escala, similar ao que ocorre com outros títulos que buscam o sucesso no streaming, como visto em World War II with Tom Hanks conquista o público no streaming. A complexidade de adaptar o legendarium exige decisões corajosas, e a inclusão de Eru seria o passo mais ousado da série até o momento. Enquanto aguardamos, o público pode revisitar as temporadas anteriores para observar como a série tem construído a mitologia da Segunda Era, preparando o terreno para eventos que moldarão o futuro da Terra-média.
A trajetória de The Rings of Power tem sido marcada por desafios de adaptação, mas a promessa de explorar a queda de Númenor oferece uma oportunidade única de elevar o tom da narrativa. A série, que já enfrentou comparações com outras produções de fantasia, busca consolidar sua própria identidade ao mergulhar nos aspectos mais profundos e teológicos do universo criado por Tolkien. A possível introdução de Eru Ilúvatar não seria apenas um evento narrativo, mas uma afirmação da ambição do Prime Video em entregar uma experiência épica que honre a magnitude do material original.
Fonte: ScreenRant