O drama chileno The Red Hangar (título original “Hangar rojo”), a estreia na ficção em longa-metragem do cineasta Juan Pablo Sallato, acaba de garantir uma ampla rede de distribuição internacional. Após uma trajetória de sucesso que incluiu uma recepção triunfal no Festival de Cinema de Guadalajara em abril, onde o filme se destacou como um dos grandes vencedores, a obra agora se prepara para alcançar novos públicos na América do Norte e na Europa. A aquisição mais recente, realizada pela empresa norte-americana Pragda, marca um passo fundamental para o filme, representando a primeira aquisição de todos os direitos para os territórios dos Estados Unidos e Canadá.


Uma aposta estratégica no mercado global
A entrada de The Red Hangar no mercado norte-americano através da Pragda reflete uma mudança de paradigma na estratégia de distribuição da empresa. Segundo a CEO da Pragda, Marta Sanchez, o filme representa exatamente o tipo de conteúdo que a distribuidora busca incorporar em sua nova linha de negócios, indo além do mercado estritamente educacional. Sanchez enfatiza que o longa é um “thriller socialmente consciente” que consegue equilibrar com maestria a tensão narrativa, uma perspectiva contemporânea e um tema extremamente oportuno. Para a executiva, a obra possui todos os elementos necessários para estabelecer uma conexão direta e profunda com as audiências norte-americanas, justificando o orgulho da empresa em colaborar com a equipe da MPM Premium nesta jornada.
Além da América do Norte, o filme expandiu sua presença em diversos mercados europeus e latino-americanos. A agência de vendas internacionais Premium Films, em colaboração com sua subsidiária MPM Premium, confirmou a venda do drama para a Espanha, com distribuição a cargo da Festival Films; para a Itália, através da I Wonder; para a Grécia, pela Weird Wave; para a Polônia, via Cinobo; e para o mercado doméstico chileno, através da Storyboard Media. Natalia Isotta, chefe de vendas ibero-americanas e festivais mundiais da MPM Premium, que esteve presente no Festival de Cannes, comentou sobre o entusiasmo dos compradores: “Quando um cliente se apaixona por um filme logo nos primeiros minutos de exibição, tudo o que resta é confiar na estratégia e na visão que construímos para ele”.

Contexto histórico e a narrativa do horror
Ambientado durante os três primeiros dias do golpe militar de 1973 no Chile, The Red Hangar é um filme em preto e branco que se propõe a desenterrar eventos pouco conhecidos e, por muito tempo, suprimidos da história oficial sobre a queda do presidente Salvador Allende. O roteiro, baseado no livro Shoot the Flock, de Fernando Villagrán, oferece uma visão crua e necessária sobre a repressão institucional. A trama central acompanha o Capitão Jorge Silva, um ex-chefe de inteligência da Força Aérea que se vê diante de uma ordem devastadora: transformar a Academia da Força Aérea em um centro de detenção e tortura, o infame “Hangar Vermelho”.
O filme não se limita apenas à figura do perpetrador, mas lança luz sobre a resistência interna, acompanhando oficiais e soldados que, ao se oporem ao golpe, acabaram enfrentando punições brutais por parte de sua própria instituição. Essa abordagem humaniza o conflito ao mesmo tempo em que expõe a brutalidade sistêmica da época, tornando o filme um documento cinematográfico de grande relevância histórica e política.
Reconhecimento crítico e trajetória em festivais
A trajetória de The Red Hangar tem sido marcada por uma aclamação consistente desde sua estreia mundial na seção Perspectives da Berlinale, onde a Premium Films e a MPM Premium identificaram o potencial da obra e garantiram seus direitos. Desde então, o filme tem consolidado uma excelente carreira em festivais, com exibições confirmadas em diversos países da América Latina, Europa e Ásia. A resposta da crítica tem sido amplamente positiva, com elogios recorrentes direcionados à escolha estética do preto e branco, à cinematografia precisa e, fundamentalmente, à qualidade das atuações.
Um dos pontos altos dessa jornada foi o Festival de Málaga, onde o filme conquistou quatro prêmios, incluindo o cobiçado Prêmio do Público. O protagonista Nicolás Zárate foi especialmente reconhecido pelo júri, recebendo a Silver Biznaga de melhor ator por sua interpretação contida e visceral do Capitão Silva. Segundo Natalia Isotta, o sucesso contínuo do filme é um reflexo direto da força da narrativa de Sallato, que consegue transformar um capítulo doloroso da história chilena em uma experiência cinematográfica universal e impactante. A produção, que envolve uma colaboração internacional robusta, reafirma o papel do cinema como ferramenta de memória e reflexão sobre os traumas do passado, garantindo que histórias como a do “Hangar Vermelho” não sejam esquecidas pelas novas gerações.
Fonte: Variety