Mais de meio século depois, a série original de mistério psicológico dos anos 1960, The Prisoner, permanece uma obra-prima atemporal da televisão que só melhora com a idade. Lançada em 1967, a série foi pioneira em um dos gêneros televisivos mais populares atualmente, embora tenha sido considerada peculiar demais para o público da época.
Muito antes de J.J. Abrams prender audiências com mistérios inexplicáveis, The Prisoner conquistou uma base de fãs cult com os horrores enigmáticos da “Vila”. Patrick McGoohan estrela como um espião britânico que tenta se aposentar e se vê isolado em uma cidade costeira peculiar, cercada por montanhas.
Renomeado como “Número Seis”, ele luta para descobrir onde está, por que está ali e como escapar. A série é precursora de todos os quebra-cabeças de mistério, de Lost a The X-Files e Twin Peaks. Grande parte da televisão dos anos 60 é considerada datada hoje, mas The Prisoner envelheceu como um bom vinho.
A série se mantém relevante desde os anos 1960

Quase 60 anos após seus 17 episódios serem exibidos na ITV, The Prisoner deixou sua marca na história da televisão. Na época, o público ficou confuso, pois a série foi comercializada como um thriller típico, mas apresentou elementos inesperados.
Assim como em De Volta para o Futuro, o público ainda não estava pronto para a obra. The Prisoner é um reflexo da paranoia política dos anos 60, mas sua natureza alegórica permite que ressoe até hoje, aplicando-se à paranoia dos anos 2020 com a mesma eficácia.
A série é uma mistura de espionagem com surrealismo kafkiano, uma obra definitiva do pós-modernismo que funde gêneros para criar algo novo. Continua visualmente impressionante, intrigante e deliciosamente desconcertante.
A única ressalva é o final, que deixou muitas pontas soltas, gerando controvérsia. A frustração é comparável ao final da segunda temporada de Twin Peaks, sem uma continuação posterior para esclarecer tudo.
O remake de 2009 não capturou o charme do original

Ao longo dos anos, The Prisoner foi adaptada para livros, quadrinhos e videogames, com rumores de adaptações cinematográficas envolvendo grandes nomes. Em 2009, a série foi refeita como uma minissérie para a AMC, com Jim Caviezel como Número Seis e Ian McKellen como Número Dois.
Apesar do esforço, o remake não conseguiu recapturar o charme do original. Faltou o sagacidade e o ritmo ágil que tornavam a série tão cativante. Os mistérios não foram tão envolventes, pois o público não teve motivos suficientes para se importar com o destino do Número Seis.
Além disso, como em qualquer remake, perdeu-se o fator surpresa. A série original foi tão única e inovadora que mudou a face da televisão, enquanto o remake apenas replicou algo que já havia influenciado décadas de ficção científica. Algo tão especial quanto The Prisoner não pode ser repetido.