Em 2019, o fenômeno cultural conhecido como ‘Baby Yoda’ dominou o imaginário popular. O adorável companheiro verde do caçador de recompensas mascarado interpretado por Pedro Pascal fez sua estreia na série ‘The Mandalorian‘, do Disney+, tornando-se uma sensação imediata que gerou uma quantidade massiva de memes e produtos licenciados, preenchendo cada canto da galáxia. Agora, sete anos e uma pandemia depois, a grande questão que paira sobre a indústria cinematográfica é se a Força ainda é poderosa o suficiente para transformar a criatura formalmente conhecida como Grogu em uma estrela das telonas.


A capacidade de atração de bilheteria do personagem será colocada à prova neste verão com o lançamento de ‘Star Wars: The Mandalorian and Grogu’, uma continuação direta da série de sucesso. Como o primeiro filme da franquia ‘Star Wars’ em quase uma década — o último foi ‘A Ascensão Skywalker’, de 2019 — existe uma pressão crescente para provar que a ópera espacial continua sendo uma propriedade cinematográfica viável e lucrativa. O hiato prolongado levanta dúvidas sobre o posicionamento da marca no mercado atual.
As projeções de mercado indicam que ‘The Mandalorian and Grogu’ deve arrecadar entre 80 milhões e 100 milhões de dólares domesticamente durante o fim de semana de quatro dias do Memorial Day. Embora esses números pudessem ser considerados decentes para produções de médio porte, eles são modestos quando se trata de uma marca do calibre de ‘Star Wars‘. É inegável que o cenário de bilheteria não retornou à sua força total desde o período da COVID-19, e grandes franquias, incluindo o Universo Cinematográfico Marvel, não têm estado imunes às mudanças nos gostos e hábitos dos espectadores modernos.
Apesar das mudanças no comportamento do público, ‘Star Wars‘ permanece como uma das propriedades cinematográficas mais proeminentes de Hollywood. É uma franquia amada com poucos paralelos, o que gera uma expectativa natural por um desempenho financeiro robusto. Um exemplo histórico que serve de alerta para a Lucasfilm é o derivado de 2018, ‘Solo: Uma História Star Wars’, que abriu com 103 milhões de dólares no mesmo feriado. Devido a críticas mornas e turbulências nos bastidores, ‘Solo’ tornou-se o primeiro filme da saga a perder dinheiro em sua exibição teatral, finalizando sua jornada com 392 milhões de dólares globalmente, contra um orçamento astronômico de quase 300 milhões de dólares. Em contraste, ‘The Mandalorian and Grogu’ carrega um custo de produção mais enxuto, estimado em 165 milhões de dólares, valor que não inclui os gastos massivos com marketing.
Eric Handler, analista sênior de mídia da Roth Capital Partners, observa que, embora o interesse pela marca persista, há uma tendência preocupante de queda nas receitas de cada lançamento sucessivo. Segundo o especialista, ‘Star Wars‘ não está ressoando com o público mais jovem da mesma maneira que conseguiu cativar as gerações anteriores, o que representa um desafio estratégico para a Disney.
A direção do longa ficou a cargo de Jon Favreau, cineasta responsável por sucessos de bilheteria como ‘Elf’, ‘Homem de Ferro’ e o remake de ‘O Rei Leão’, além de ter sido o criador da série ‘The Mandalorian’. Favreau coescreveu o roteiro ao lado de Dave Filoni, que assumiu a presidência da Lucasfilm após a saída de Kathleen Kennedy em janeiro. Com esta sendo a primeira empreitada teatral da empresa sob a nova gestão, Favreau e Filoni enfrentam um obstáculo significativo: convencer os fãs de que a experiência de assistir a ‘The Mandalorian and Grogu’ justifica sair de casa e ir ao cinema, ao mesmo tempo em que precisam assegurar aos novos espectadores que a trama é acessível e compreensível, mesmo para aqueles que não acompanharam cada detalhe da série de streaming.