The Death of Robin Hood quebra jejum de 35 anos no Rotten Tomatoes

O novo longa da A24, estrelado por Hugh Jackman, traz uma visão sombria e visceral do lendário arqueiro, superando uma sequência de fracassos críticos.

O novo longa-metragem The Death of Robin Hood, produzido pela A24, chega aos cinemas com a proposta de oferecer uma visão sombria e visceral sobre o lendário arqueiro. Com Hugh Jackman no papel principal, a obra explora um ícone envelhecido e assombrado por crimes cometidos no passado, distanciando-se das abordagens tradicionais que marcaram a cultura pop ao longo das últimas décadas. A recepção inicial da crítica especializada, que já conta com as primeiras 22 avaliações, aponta para uma pontuação de 64% no Rotten Tomatoes, um marco significativo para a franquia.

Historicamente, as adaptações cinematográficas do personagem têm enfrentado dificuldades para conquistar a crítica desde o início da década de 1990. O novo filme de Michael Sarnoski, que também assina o roteiro, consegue superar uma sequência de 35 anos em que nenhum projeto de grande escala sobre o herói conseguiu ultrapassar a marca de 60% de aprovação no agregador. Esse desempenho coloca a produção em um patamar de destaque, especialmente quando comparado a fracassos recentes que tentaram revitalizar a lenda sem sucesso.

Apesar da recepção positiva em relação à performance de Hugh Jackman, que entrega o peso emocional necessário para o papel, nem todos os críticos foram unânimes. Alguns apontam que a execução de Michael Sarnoski pode parecer excessivamente cínica ou lenta para parte do público, enquanto outros destacam que a violência gráfica presente na obra pode ser um ponto de divisão. Esse tom mais pesado, inclusive, rendeu ao filme uma classificação indicativa para maiores de 18 anos, algo raro na história das adaptações do personagem, que geralmente buscam classificações mais acessíveis como PG ou PG-13.

Para entender o cenário atual, é preciso olhar para o histórico recente. Enquanto clássicos como Robin Hood de 1922 e The Adventures of Robin Hood de 1938 mantêm a marca perfeita de 100% de aprovação, produções como Robin Hood: Prince of Thieves (1991) e o filme de 2018 ficaram abaixo da média. A série produzida pelo MGM+ em 2025, que obteve 77% de aprovação e garantiu renovação para uma segunda temporada, é um dos poucos exemplos recentes de sucesso, mas The Death of Robin Hood se destaca por ser uma aposta cinematográfica de alto orçamento com uma abordagem autoral.

A narrativa do filme é baseada na balada do século XVII intitulada Robin Hood’s Death, o que justifica o tom mais melancólico e o foco no declínio do herói. O elenco, que conta com nomes como Jodie Comer, Bill Skarsgård, Murray Bartlett e Noah Jupe, reforça a ambição da A24 em transformar o material de origem em um thriller psicológico de peso. A escolha de um elenco de prestígio é um movimento comum em produções que buscam elevar o nível de filmes de suspense e conspiração, garantindo que a carga dramática seja sustentada por atuações sólidas.

É interessante notar como a indústria tem buscado novas formas de contar histórias clássicas. Assim como Supergirl usa material original da capa de Christopher Reeve para evocar nostalgia e autoridade, The Death of Robin Hood utiliza a balada original para conferir uma camada de autenticidade histórica que muitas vezes é ignorada em versões mais voltadas para a ação pura. Essa busca por raízes literárias ou históricas tem se mostrado uma tendência forte para estúdios que desejam diferenciar suas obras em um mercado saturado de blockbusters genéricos.

A violência explícita, que foi um dos pontos de discussão entre os críticos, é um elemento central da proposta de Michael Sarnoski. Ao contrário de versões anteriores que focavam no heroísmo romântico, aqui a violência serve para ilustrar o custo físico e mental de uma vida dedicada ao conflito. Essa escolha estética coloca o filme em um nicho específico, atraindo um público que prefere narrativas mais cruas e menos idealizadas. A comparação com a série do MGM+, que também possui uma classificação equivalente a TV-MA, mostra que existe um mercado crescente para versões mais maduras de contos folclóricos.

O lançamento oficial nos cinemas está marcado para 19 de junho de 2026. Até lá, a expectativa é que o filme continue gerando debates sobre a viabilidade de adaptar lendas medievais com uma lente tão pessimista. O sucesso ou fracasso comercial de The Death of Robin Hood poderá ditar o futuro de outras produções que pretendem seguir caminhos semelhantes, provando se o público está realmente disposto a ver seus heróis de infância enfrentando o fim de suas jornadas de maneira tão brutal e definitiva.

Em última análise, a marca de 64% no Rotten Tomatoes é um indicador de que a A24 conseguiu, no mínimo, criar um produto que desperta interesse e discussão. Em um mercado onde a maioria das adaptações de Robin Hood nos últimos 35 anos foi recebida com indiferença ou críticas negativas, o simples fato de o filme ser debatido como uma obra séria já representa uma vitória para a equipe criativa. Resta saber se o público geral, que muitas vezes busca entretenimento mais leve, abraçará essa visão sombria do arqueiro de Sherwood.

Hugh Jackman estrela "The Death of Robin Hood"
Hugh Jackman estrela “The Death of Robin Hood”.

Fonte: ScreenRant

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