A série The Boys, um fenômeno global do streaming, tem utilizado sua quinta temporada para mergulhar profundamente nas raízes sombrias da corporação Vought. Embora a audiência tenha conhecido a empresa em 2019, a história da organização é vastamente mais antiga, remontando a décadas antes da ascensão de figuras como Stan Edgar ou o próprio Homelander. A corporação nasceu dos escombros da Segunda Guerra Mundial, fruto direto dos experimentos de super-soldados conduzidos pelo cientista Frederick Vought, um homem que não hesitou em trocar de lado para garantir que sua visão de uma humanidade aprimorada se tornasse realidade. Essa linhagem de poder, que se estende desde a década de 1940 até os dias atuais, está prestes a ser explorada em sua totalidade com o anúncio do prelúdio Vought Rising.

Um dos elementos mais fascinantes revelados nesta temporada diz respeito à longevidade dos supers. Enquanto o Composto V padrão utilizado na era moderna tem efeitos variados ou até nulos sobre o envelhecimento, a quinta temporada esclarece que aqueles injetados com a fórmula original de Frederick Vought — batizada de V-One — possuem uma característica biológica singular: eles simplesmente não envelhecem. Essa revelação não apenas explica a presença contínua de ícones como Soldier Boy, interpretado por Jensen Ackles, e Stormfront, vivida por Aya Cash, mas também justifica como o prelúdio conseguirá manter o elenco original em um cenário ambientado décadas atrás. À medida que a série principal se aproxima de seu desfecho, a introdução de heróis da era de ouro da Vought serve como um lembrete de que o universo de The Boys sempre foi construído sobre uma base de segredos, experimentação humana e um marketing corporativo implacável.
Bombsight: O Rival de Soldier Boy

Entre as figuras que emergem do passado, Bombsight, interpretado por Mason Dye, destaca-se como uma peça fundamental. Inicialmente tratado como um mistério — um verdadeiro MacGuffin em posse da fórmula V-One — sua aparição física no sexto episódio da quinta temporada solidificou seu papel na trama. Bombsight não é apenas um rosto nostálgico; ele é um combatente formidável cujas habilidades incluem força sobre-humana e voo em alta velocidade, características que o colocam em um patamar de poder comparável ao de Soldier Boy. A série sugere que o dano causado por um único soco de Bombsight foi o que permitiu a Butcher e Mother’s Milk deduzirem sua responsabilidade no roubo da V-One.
A relação entre Bombsight e Soldier Boy é marcada por uma rivalidade intensa, porém permeada por um respeito mútuo peculiar. O acordo selado entre ambos sobre a V-One, e a disposição de Soldier Boy em honrar sua palavra ao atingir Bombsight com radiação, revela a complexidade moral desses supers da era de ouro. Além disso, a narrativa de Bombsight está intrinsecamente ligada à Golden Geisha. A série revelou que o vínculo entre eles era tão profundo que Bombsight estaria disposto a passar a eternidade ao lado de sua “Goldie”. O prelúdio Vought Rising terá a oportunidade única de explorar o início desse romance trágico, mostrando como esses dois heróis se encontraram em uma era muito mais colorida e, ao mesmo tempo, perigosa do que a que conhecemos hoje.
Golden Geisha: A Conexão Humana

Golden Geisha, interpretada por Naoko Mori, representa uma geração de supers que não teve o benefício da fórmula V-One original, sendo, portanto, uma heroína de segunda ou terceira geração. Sua trajetória como funcionária ativa da Vought durante a década de 1970 oferece um vislumbre de como a corporação gerenciava seus ativos antes da era das redes sociais e do marketing digital agressivo. A presença de Geisha serve para contrastar a frieza corporativa da Vought com a humanidade que ainda reside em alguns desses indivíduos. Sua interação com personagens contemporâneos, como Kimiko, sublinha o peso do tempo e o desgaste moral que décadas de serviço à Vought impuseram a esses seres.
Hot Flash: A Pirocinética da Vought

Interpretada por Sharon McFarlane, Hot Flash é um exemplo vivo da longevidade que a Vought consegue extrair de seus supers. Como uma pirocinética, ela foi uma das estrelas de sua época, mas agora reside em uma das instalações de repouso da corporação. A série utiliza Hot Flash para mostrar o lado menos glamoroso da vida de um super-herói: o esquecimento e o confinamento em instalações controladas pela Vought, onde o cotidiano é monitorado e a utilidade do herói é medida apenas pelo que ele ainda pode oferecer à marca.
Big Chief Apache: Sátira e Apropriação

Big Chief Apache, vivido por Derek Boyes, é uma representação clara da crítica social que The Boys sempre exerceu. O personagem é uma sátira direta aos estereótipos culturais que dominavam a televisão americana nos anos 70. Ao retratar um herói que utiliza um machado como símbolo, a série expõe a superficialidade da Vought em criar ícones baseados em apropriação cultural. Embora ele ainda possua habilidades, o fato de ser facilmente contido por Mother’s Milk demonstra que, no universo da série, a imagem de um herói muitas vezes superava seu poder real.
The Guy With The Balls: O Bizarro e o Funcional

Em um momento que reforça o tom bizarro e visceral da produção, este personagem, conhecido como The Guy With The Balls, utiliza sua anatomia elástica de maneira perturbadora. O confronto com Billy Butcher não apenas serve como um momento de ação, mas também destaca a habilidade de Mother’s Milk em lidar com ameaças que fogem do padrão convencional. Este personagem é um lembrete de que, nos laboratórios da Vought, nem todo experimento resultou em um herói esteticamente perfeito ou poderoso; muitos foram apenas aberrações úteis para o entretenimento de massa.
Quinn: O Legado Trágico

Quinn ocupa um lugar sombrio na história da Vought. Como um dos primeiros sujeitos de teste do Composto V, sua transformação foi catastrófica, resultando em uma forma física distorcida. A capacidade de liberar esporos que induzem agressividade em quem os inala torna Quinn uma ameaça biológica constante. Sua relação de irmandade com Soldier Boy adiciona uma camada de tragédia pessoal à sua existência, mostrando que, por trás da fachada de sucesso da Vought, existem vidas destruídas que a corporação prefere manter escondidas nas sombras de sua história.
Private Angel e Torpedo: O Futuro no Passado

Para fechar o leque de personagens, Private Angel (interpretada por Elizabeth Posey) e Torpedo (vivido por Will Hochman) são citados como sobreviventes dos testes iniciais de Frederick Vought. A confirmação de que ambos terão papéis de destaque em Vought Rising é um indicativo claro de que o prelúdio não será apenas uma história de origem, mas uma exploração profunda dos primeiros dias da corporação. Ao trazer esses personagens para a luz, a franquia The Boys garante que a história de sua fundação seja tão rica, complexa e perturbadora quanto o presente que conhecemos.
Fonte: ScreenRant