O encerramento de The Boys, a aclamada série de super-heróis do Prime Video, foi um evento que inevitavelmente não conseguiria satisfazer a totalidade de sua vasta audiência. Desde o anúncio de que a quinta temporada seria a última, as expectativas estavam elevadas, mas o resultado final, intitulado “Blood and Bone”, dividiu profundamente a base de fãs. As críticas são variadas: enquanto alguns espectadores sentiram que o tempo de tela foi excessivamente dedicado a preparar o terreno para a vindoura série prelúdio, Vought Rising, em vez de focar no fechamento da trama principal, outros apontaram que a escala do desfecho pareceu insuficiente, considerando que os Estados Unidos estavam sob o domínio absoluto de Homelander (Antony Starr) e seu exército de super-humanos. A insatisfação é ainda mais notável entre aqueles que acompanharam a obra original de Garth Ennis e Darrick Robertson, cujas expectativas sobre o destino de personagens icônicos não foram atendidas da forma esperada.





O papel de Black Noir na obra original
Nos quadrinhos, a trajetória de Black Noir é um dos pilares da narrativa. Durante a maior parte da história, ele é retratado como uma figura silenciosa, misteriosa e extremamente intimidadora, que raramente se destaca além de sua presença física. No entanto, tudo muda no arco penúltimo da obra, intitulado “Over the Hill with the Swords of a Thousand Men”. Nesse ponto, a trama revela que Homelander, após ser manipulado para acreditar que estava em guerra com o mundo, lança uma invasão total aos Estados Unidos, dizimando o que restava dos Sete e tomando a Casa Branca.
A reviravolta chocante é que Black Noir é, na verdade, um clone de Homelander, criado pela Vought como uma medida de contingência caso o herói original perdesse o controle ou se tornasse uma ameaça incontrolável. Como o dia da rebelião de Homelander nunca chegou, o clone, frustrado, decidiu cumprir seu propósito por conta própria, manipulando Butcher e Homelander para que se odiassem. Nos quadrinhos, é esse clone quem mata Homelander, sendo posteriormente destruído por Billy Butcher em um ato final de vingança. Essa revelação é um dos momentos mais definidores da HQ, algo que os fãs esperavam ver adaptado na tela.
Mudanças na adaptação para o streaming
Na versão televisiva, a trajetória de Black Noir seguiu um caminho drasticamente diferente, consolidando-o como um personagem distinto. O Noir da série era um membro original da equipe Payback, que traiu Soldier Boy (Jensen Ackles) ao permitir sua captura pelas forças russas. Após a revelação de que Soldier Boy era o pai biológico de Homelander, este último executou Noir por ter escondido a verdade. Nas temporadas quatro e cinco, um novo Noir foi introduzido — um ator de método que incorporou a persona silenciosa, mas que acabou encontrando seu fim pelas mãos de The Deep (Chace Crawford).
O showrunner Eric Kripke explicou em entrevista que a decisão de não adaptar o arco do clone foi intencional e estratégica. Kripke afirmou que não desejava minar a vilania e as ações brutais que Homelander cometeu ao longo de todas as temporadas. Para o criador, seria frustrante para o público que acompanhou a jornada de Antony Starr descobrir, no último momento, que o vilão não era o responsável por seus atos, mas sim um clone. Kripke sentiu que essa revelação diminuiria o peso emocional e a responsabilidade do antagonista, tornando o desfecho menos satisfatório do ponto de vista narrativo.
O desfecho do confronto final
O episódio final, “Blood and Bone”, focou no confronto direto entre os Boys e Homelander. O clímax da série ocorreu quando Kimiko (Karen Fukuhara), após adquirir habilidades radioativas semelhantes às de Soldier Boy, conseguiu enfraquecer o vilão. Com o auxílio crucial de Ryan (Cameron Crovetti), o filho de Homelander, o líder dos Sete foi finalmente destituído de seus poderes. Isso permitiu que Billy Butcher (Karl Urban) protagonizasse uma luta brutal, culminando com o espancamento de Homelander e a execução final, onde Butcher empala a cabeça do vilão com um pé de cabra. Esse desfecho, embora violento e definitivo, reflete a visão de Kripke de manter o foco na responsabilidade direta de Homelander, encerrando a série com uma nota de conclusão que, embora controversa para os puristas dos quadrinhos, buscou encerrar o arco do personagem de forma coerente com a versão televisiva construída ao longo dos anos.
Fontes: Collider ScreenRant