O aguardado final da série The Boys demonstra que, por vezes, a conclusão mais óbvia é também a mais gratificante para o espectador. O confronto brutal, sangrento e visceral entre Butcher e Homelander, que culmina na morte definitiva do antagonista e na revelação pública de que até mesmo os chamados “deuses” podem sangrar, encerra um ciclo de sete anos de tensão acumulada. Diferente de produções que, ao longo da história da televisão, tentaram subverter as expectativas do público de maneira forçada — como visto em casos notórios como Game of Thrones, How I Met Your Mother e Dexter —, o desfecho de The Boys opta por entregar exatamente o que a narrativa construiu desde o seu primeiro episódio.
Embora o episódio final de The Boys não alcance o patamar de obras-primas televisivas como Breaking Bad ou Six Feet Under, ele funciona com eficácia porque cumpre a promessa feita ao público. Homelander encontra um fim sombrio e apropriado pelas mãos do vigilante que mais o despreza, proporcionando uma gratificação macabra que os fãs aguardavam há anos. Esse desfecho serve como uma espécie de justiça poética, comparável ao que muitos críticos e espectadores argumentam que deveria ter sido o destino de Daenerys Targaryen em Game of Thrones.
É fundamental esclarecer que essa comparação não coloca Daenerys e Homelander no mesmo patamar moral. Enquanto a personagem de Game of Thrones passou por uma deterioração gradual, ela nunca atingiu o nível de maldade, psicopatia e monstruosidade assassina que define Homelander. O ponto central da análise é que Homelander obteve o encerramento que sua trajetória exigia: sua história fechou o ciclo ao expor o homem frágil e covarde que ele sempre foi sem seus poderes, garantindo, finalmente, justiça para Becca, Frenchie e todas as outras vítimas que sofreram sob seu domínio ao longo das cinco temporadas.
A televisão tem carecido de conclusões satisfatórias para ícones da cultura pop. O caso de Daenerys é frequentemente citado como um exemplo de escrita falha, onde o desenvolvimento de oito temporadas foi ignorado em prol de uma pressa narrativa. O mesmo fenômeno foi observado com a personagem Eleven em Stranger Things. Em contraste, o final de The Boys acerta no tom, mas levanta debates sobre o ritmo da execução.
A queda de Homelander poderia ser mais longa
Apesar da satisfação geral com o desfecho, a queda de Homelander foi concluída em um intervalo de apenas dois minutos. Existe um momento breve e crucial onde ele percebe a perda de seus poderes, seguido por uma cena rápida de desespero e súplica, mas Butcher não hesita em cravar seu pé-de-cabra no crânio do vilão. Após cinco temporadas repletas de subtramas, personagens secundários e piadas, a série poderia ter se beneficiado ao estender esse momento final.

Após quarenta horas acompanhando Homelander mutilar e assassinar dezenas de inocentes, o público merecia mais do que apenas alguns minutos de um vilão impotente e patético revelando sua verdadeira face. O ator Antony Starr entregou uma performance magistral na transição entre o ser onipotente e o homem acuado, mas a brevidade da cena limitou o impacto emocional. O confronto final entre Butcher e Homelander deveria ter funcionado como o “Ozymandias” de The Boys — o clímax absoluto da série — seguido por um epílogo de um ou dois episódios para processar as consequências. Ao acelerar o passo, a série correu o risco de não permitir que o peso da queda do vilão fosse plenamente absorvido pelo espectador.
Fonte: ScreenRant