Após o encerramento épico de Stranger Things em dezembro passado, o público global enfrentou um vazio significativo no catálogo da Netflix. A despedida da turma de Hawkins, após quase uma década de sucesso, deixou muitos espectadores em uma busca frenética por uma nova saga que pudesse preencher essa lacuna. Agora, quase cinco meses depois, a plataforma parece ter encontrado a sucessora ideal: The Boroughs, uma série de oito episódios que já está sendo aclamada como um dos grandes acertos do ano.



Criada pela dupla Jeffrey Addiss e Will Matthews, com a chancela de produção executiva dos Irmãos Duffer, a série foi apelidada de forma bem-humorada como “Stranger Things para a terceira idade”. A premissa é intrigante: a trama se desenrola em uma comunidade de aposentados de alto padrão, situada no cenário árido e isolado do deserto do Novo México. O que parece ser um refúgio perfeito e tranquilo para os últimos anos de vida dos protagonistas é subitamente abalado pela descoberta de uma ameaça sobrenatural sombria que paira sobre o bairro. Este grupo peculiar de residentes precisa se unir para enfrentar um monstro de outro mundo e impedir que ele roube algo que eles possuem em quantidade limitada: o tempo.
A recepção inicial tem sido extremamente positiva. No momento, a série ostenta uma impressionante taxa de aprovação de 92% no agregador de críticas Rotten Tomatoes. Embora o índice possa sofrer pequenas oscilações à medida que mais vozes da crítica especializada publiquem suas análises, o consenso entre as 13 avaliações iniciais é claro: a Netflix possui um novo sucesso em mãos. Críticos apontam que, embora não se passe no mesmo universo de Stranger Things, a obra compartilha um DNA narrativo semelhante, evocando vibrações nostálgicas que remetem a clássicos de Stephen King e Steven Spielberg, além de traçar paralelos diretos com o filme de ficção científica Cocoon (1985), de Ron Howard.
Sherin Nicole, crítica do RIOTUS, resumiu bem a experiência ao afirmar que os oito episódios são repletos de suspense, humor e uma carga emocional profunda, chegando a batizar a produção de “The Stranger Cocoon Files”. No entanto, é fundamental notar que a série não é apenas um eco do passado. Muitos analistas enfatizam que The Boroughs possui identidade própria e se destaca ao abordar temas mais maduros. Greer Riddell, do portal Collider, argumenta que, embora as comparações com o trabalho anterior dos Duffer sejam inevitáveis devido à assinatura da Upside Down Pictures, rotulá-la apenas como uma cópia seria um erro preguiçoso.
Um dos pontos mais elogiados pela crítica, incluindo Christine Persaud, do MovieWeb, é a forma como a série inverte os papéis tradicionais do gênero. Em Stranger Things, o conflito central muitas vezes envolvia crianças tentando convencer adultos céticos sobre perigos sobrenaturais. Em The Boroughs, a dinâmica é invertida: são os idosos que precisam lutar para que os mais jovens acreditem em suas teorias sobre o que está acontecendo. Persaud descreve a série como uma “carta de amor à terceira idade” e um “poderoso dedo do meio para o etarismo em Hollywood”, destacando que o elenco é tão intrigante, espirituoso e divertido de assistir quanto o grupo de jovens de Hawkins.
A série estreou no dia 21 de maio, com todos os episódios disponibilizados simultaneamente, permitindo que os assinantes escolham entre a maratona completa ou o consumo gradual. Para aqueles que chegarem ao final da temporada e desejarem mais, há boas notícias: os criadores estruturaram a história com um arco de longo prazo em mente. Embora a Netflix ainda não tenha confirmado oficialmente a renovação para uma segunda temporada, a plataforma monitora de perto as métricas de audiência. O sucesso de The Boroughs parece ser o próximo grande passo para o gênero de horror sobrenatural no streaming, provando que histórias de mistério e amizade não têm limite de idade.
Fonte: Movieweb