A série The Audacity, do criador Jonathan Glatzer, não pretende ser a obra que quebrará o domínio das grandes empresas de tecnologia, mas sim um espelho para questionar o rumo atual. Glatzer acredita que a revolução tecnológica já aconteceu e que as empresas venceram, mas espera que a série da AMC possa nos fazer refletir sobre o que realmente desejamos.
“Segurar um espelho e dizer, queremos isso? É isso que queremos?”, questiona Glatzer. Ele aponta que a escala humana é mais lenta que a dos computadores, e que as consequências das ações tecnológicas estão começando a se tornar claras, com um crescente movimento de oposição à tecnologia.
O que você precisa saber sobre The Audacity
- A série estreou em 12 de abril na AMC e AMC+.
- Billy Magnussen interpreta Duncan Park, CEO de uma empresa de mineração de dados.
- Sarah Goldberg vive JoAnne Felder, terapeuta de executivos de tecnologia.
- A série já foi renovada para uma segunda temporada.
A Evolução do Vale do Silício
Glatzer compara o momento atual com a série Silicon Valley de Mike Judge, notando que o cenário mudou drasticamente. Ele descreve uma transição de uma era de esperança e otimismo para uma de ceticismo e desilusão. Inicialmente, as empresas de tecnologia buscavam melhorar a comunicação e aumentar a tolerância, mas acabaram por criar divisões e tribalismo, apesar do imenso lucro gerado.
O criador destaca o poder atual da tecnologia, especialmente a capacidade de monitorar e perfilar indivíduos de forma assustadora. Ele aponta que os dados pessoais são o principal centro de lucro, e não o hardware. Glatzer ressalta que a série foca nos personagens e em suas humanidades, usando o cenário tecnológico como pano de fundo.
A Terapia como Ferramenta Narrativa
A escolha de JoAnne Felder, uma terapeuta, como ponto de entrada para explorar os personagens foi inspirada na própria infância de Glatzer, onde sua mãe era terapeuta. Ele viu a oportunidade de explorar a dinâmica entre a privacidade terapêutica e o ambiente de alta pressão do Vale do Silício.
Glatzer explica que, embora figuras como Mark Zuckerberg possam não frequentar terapia tradicional, muitos executivos enfrentam questões como problemas com o pai e raiva, para os quais a terapia ainda é uma via eficaz. A série explora a tentação de usar informações obtidas em terapia para ganho financeiro, questionando a ética e a justiça nesse contexto.
Pesquisa e Humanização dos Personagens
Para a série, Glatzer realizou pesquisas e passou tempo com pessoas do setor, mas decidiu interromper para manter uma perspectiva externa, essencial para a sátira. Ele enfatiza que o objetivo não é focar em aspectos específicos da tecnologia, mas sim na humanidade universal e nas provações da vida.
O criador acredita que, mesmo em um mundo dominado pela tecnologia e inteligência artificial, é crucial humanizar os personagens e lembrá-los de sua própria humanidade e mortalidade. Ele sugere que, apesar das falhas e ambições, esses personagens são, em última análise, humanos com inseguranças e desejos.
Fonte: THR