Desde os primórdios de Hollywood, o gênero de suspense tem presenteado o público com obras memoráveis. Nos primeiros anos do cinema, os filmes de gângster, ao lado dos westerns e do terror, dominaram as telas. Essa influência evoluiu para o film noir e, posteriormente, para filmes de terror que também exploravam elementos de suspense. No entanto, enquanto clássicos como Psicose e O Silêncio dos Inocentes são amplamente reconhecidos, muitos outros suspenses subestimados caíram no esquecimento. Esses filmes, que envelheceram como um bom vinho, continuam tão incríveis e tensos quanto em seu lançamento e merecem mais atenção.

Lançado em 2018, Bad Times at the El Royale foi um suspense fantástico, mas passou despercebido por muitos durante sua exibição nos cinemas. Dirigido por Drew Goddard, o filme acompanha um grupo de estranhos que se reúnem em um motel de beira de estrada em uma noite gélida. Cada um dos hóspedes guarda segredos, e a tensão aumenta à medida que suas histórias se entrelaçam. O elenco estelar contava com nomes como Jeff Bridges, Cynthia Erivo, Dakota Johnson, Jon Hamm, Lewis Pullman e Chris Hemsworth. Com reviravoltas surpreendentes e narrativas envolventes, este suspense excêntrico e divertido merece ser mais discutido.
Blow-Up (1966)

Michelangelo Antonioni, um dos grandes diretores de sua geração, nos presenteou com obras-primas como L’Avventura (1960) e o suspense Blow-Up (1966). Este último, seu primeiro filme em língua inglesa, transcende o suspense psicológico ao oferecer um olhar existencialista, característico do cinema europeu dos anos 60. O filme narra a história de um fotógrafo de moda que acredita ter capturado acidentalmente uma cena de assassinato em suas fotos. Baseado em um conto de 1959 e inspirado na vida do fotógrafo David Bailey, Blow-Up mantém sua atmosfera tensa e intrigante até hoje.
Thief (1981)

Michael Mann é conhecido por seus suspenses aclamados, com Fogo Contra Fogo (Heat) frequentemente no topo das listas. No entanto, um de seus filmes menos comentados, mas igualmente magistral, é Thief (1981), lançado uma década antes de Fogo Contra Fogo. A estreia de Mann na direção de longas-metragens acompanha Frank (James Caan), um ex-condenado que tenta reconstruir sua vida, mas é arrastado de volta ao mundo do crime. Exibido no Festival de Cannes e indicado à Palma de Ouro, o filme retrata a luta de Frank contra um destino inescapável, consolidando-se como um dos grandes filmes de crime que merecem mais reconhecimento, com uma pontuação de 80% no Rotten Tomatoes.
The Vanishing (1988)

Embora o remake americano de 1992 seja mais conhecido, a versão original holandesa de The Vanishing (1988) é superior e merece maior destaque. Filmes estrangeiros frequentemente sofrem com a falta de divulgação em comparação com seus remakes americanos. A trama acompanha um casal cuja mulher desaparece misteriosamente. O sequestrador oferece ao homem a chance de descobrir o que aconteceu, mas ele precisa passar pela mesma experiência. O desfecho é chocante e perturbador. Reconhecido como melhor filme estrangeiro do ano pelo National Board of Review, foi desqualificado do Oscar por ser bilíngue (francês e holandês), mas permanece um suspense psicológico impactante.
The Game (1997)

David Fincher, mestre dos suspenses, nos deu Se7en: Os Sete Crimes Capitais, um marco do gênero. Contudo, outro suspense notável de sua filmografia dos anos 90 é The Game (1997). Estrelado por Michael Douglas, o filme apresenta um homem que recebe um presente peculiar de seu irmão, interpretado por Sean Penn. A genialidade de The Game reside em levar o espectador junto com o protagonista, Nicholas Van Orton, em uma jornada onde a realidade e a ficção se confundem até o surpreendente final. A direção e o ritmo são impecáveis, merecendo o mesmo reconhecimento de outros filmes de Fincher. Tornou-se um clássico cult, mas ainda é pouco discutido entre os fãs de suspense.
Infernal Affairs (2002)

Em 2002, o cinema sul-coreano apresentou Infernal Affairs, um filme que, assim como outros, é mais conhecido por seu remake americano, o vencedor do Oscar Os Infiltrados, dirigido por Martin Scorsese. A semelhança entre os filmes é notável, com Scorsese recriando cenas icônicas do original, incluindo o clímax. Ambos os filmes exploram a história de um policial infiltrado na máfia e um mafioso infiltrado na polícia, sem que um saiba da existência do outro. Estrelado por Andy Lau e Tony Leung, este suspense de crime de Hong Kong merece o mesmo prestígio do filme de Scorsese.
Run Lola Run (1998)

Antes de colaborar com as Wachowskis em A Viagem (Cloud Atlas) e criar a série Sense8 para a Netflix, Tom Tykwer dirigiu um dos suspenses mais originais dos anos 90: Run Lola Run (1998). Estrelado por Franka Potente, anos antes de seu papel em A Identidade Bourne, o filme acompanha Lola em uma corrida contra o tempo para entregar 100.000 marcos a seu namorado Manni, sob ameaça de morte. O filme explora três cenários alternativos, onde pequenas mudanças de trajetória levam a conclusões trágicas. A obra explora como eventos mínimos podem alterar drasticamente o destino, tendo vencido o Prêmio do Público no Festival de Sundance.
Le Samouraï (1967)

Le Samouraï (1967) não é apenas um dos melhores suspenses de todos os tempos, mas também um dos maiores exemplos do cinema neo-noir. Dirigido por Jean-Pierre Melville, conhecido por obras como O Samurai (1967), O Círculo Vermelho (1970) e Exército das Sombras (1969), este filme minimalista é uma obra-prima. A trama segue um assassino de aluguel com um código de honra que é traído por seu contratante. Alain Delon interpreta Jef Costello, um papel que solidifica o filme como um neo-noir essencial para todos os fãs do gênero.
The Last Seduction (1994)

The Last Seduction (1994) apresenta Linda Fiorentino como a perigosa Bridget Gregory, uma femme fatale em um suspense erótico neo-noir. A personagem busca escapar de um casamento abusivo com seu marido manipulador e violento, interpretado por Bill Pullman. Para isso, ela elabora um plano que envolve um jovem chamado Mike (Peter Berg), a quem ela manipula para seus próprios fins. Bridget trai todos os envolvidos e é a única a sair ilesa. O filme é uma homenagem aos filmes noir dos anos 40, e Bridget Gregory se destaca como uma das mais memoráveis femme fatales do cinema.
M (1931)

Um filme de 1931 que continua tão perturbador hoje quanto em seu lançamento é M, um suspense de mistério alemão sobre um assassino de crianças. A polícia intensifica a caça aos criminosos, mas são os próprios bandidos que decidem capturar o assassino. Peter Lorre interpreta o criminoso, que se vê perseguido não apenas pela polícia, mas também pela máfia. Ele clama ser não diferente deles, em um momento de puro horror. Dirigido por Fritz Lang, também responsável por Metropolis e O Grande Calafrio, M demonstra o talento de Lang para suspenses e permanece um dos melhores do gênero, apesar de pouco lembrado.
Fonte: ScreenRant