Um dos roubos de arte mais notórios da história recente ganha uma nova perspectiva com o anúncio de uma série documental produzida pela Studiocanal. Intitulada The Paris-Tokyo Job (Or How To Rob A Yakuza), a produção em quatro partes explora a trajetória criminosa de Philippe “Fifi” Jamin, um delinquente que se tornou um fugitivo internacional durante a década de 1980.
A série documental tem estreia programada para o festival Sunny Side of the Doc, em La Rochelle, ainda este mês, antes de chegar à programação do canal francês Canal+ no final deste ano. A obra promete mergulhar nos bastidores de uma gangue que, ao se especializar no furto e tráfico de obras de arte mundialmente famosas — incluindo pinturas de Corot —, acabou cruzando caminhos com a perigosa Yakuza japonesa.
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A audácia do roubo que marcou a década de 1980
O enredo central da produção destaca o momento em que a gangue de Jamin se torna o principal suspeito do espetacular roubo da obra Impression, Sunrise, de Claude Monet, avaliada em mais de 100 milhões de euros. A partir desse evento, o grupo passa a ser perseguido por autoridades policiais ao redor do mundo, enquanto tenta realizar um dos assaltos mais audaciosos da história do Japão: o roubo ao Mitsubishi Bank em Tóquio, ocorrido em 1986.
O crime, que rendeu cerca de 300 milhões de ienes — valor equivalente a quase 7 milhões de euros nos dias atuais —, consolidou a fama do grupo e rendeu a eles o título de “assalto do século”. A narrativa da série documental, que também será disponibilizada como um documentário de longa-metragem com duas horas de duração, traça a ascensão e a queda de Jamin enquanto a polícia fecha o cerco contra os envolvidos.
Produção e abordagem cinematográfica
A série é escrita e dirigida por Jérémie Rozan, conhecido por Gold Brick, e Jérôme Pierrat, autor de Cocaine Air: Smugglers at 30,000 Feet. A produção conta com o trabalho de Philippe de Bourbon e da Andaman Films. A abordagem da obra combina técnicas de narrativa cinematográfica com material de arquivo raro, reconstruções de cenas e depoimentos exclusivos de primeira mão.
O projeto abrange locações em cidades como Tóquio, Bangkok e México, oferecendo um panorama global da operação criminosa. Para os entusiastas do gênero, a série se posiciona como uma adição relevante ao catálogo de produções que exploram crimes reais, lembrando a complexidade vista em 10 filmes de crime que definiram o cinema no século XXI. A Studiocanal apresentará o título como parte de seu portfólio de conteúdo factual premium durante o festival, que ocorre entre os dias 22 e 27 de junho.
Contexto e impacto da obra
A escolha de focar em um caso que mistura arte, crime organizado e perseguição internacional reflete uma tendência crescente de produções que buscam desvendar os bastidores de eventos históricos através de uma lente investigativa. Assim como em outras produções de sucesso que ganham força no streaming, como House of the Dragon ganha força no streaming antes da 3ª temporada, a expectativa é que a série documental atraia um público interessado em narrativas densas e baseadas em fatos reais.
A trajetória de Philippe “Fifi” Jamin serve como o fio condutor para uma análise sobre como o crime organizado operava na década de 1980, utilizando o mercado de arte como moeda de troca e poder. A série não apenas detalha os assaltos, mas também explora as consequências geopolíticas e as tensões entre as organizações criminosas e as forças da lei. Com a promessa de revelar detalhes inéditos sobre o caso, The Paris-Tokyo Job se prepara para ser um dos destaques factuais do ano, oferecendo uma visão detalhada sobre um dos períodos mais turbulentos do crime internacional.

Fonte: Variety