Steve Kroft, após uma aclamada carreira de 30 temporadas no 60 Minutes antes de se aposentar em 2019, admitiu que, se pudesse voltar atrás, provavelmente não faria o trabalho novamente.
Em uma participação no podcast We’ll Do It Live! de Bill O’Reilly, Kroft refletiu sobre suas décadas no icônico programa de notícias, confessando que o cargo lhe causava desgosto.
O peso do trabalho
Kroft descreveu o 60 Minutes como um trabalho que exigia dedicação 24 horas por dia. Ele mencionou a constante correria, com bipes tocando, viagens frequentes e longos períodos escrevendo roteiros e participando de exibições, para então recomeçar o ciclo.
Ambiente competitivo
O jornalista também recordou a atmosfera de rivalidade e inveja entre colegas após sua ascensão ao programa. Ele esperava felicitações, mas percebeu que nem todos estavam satisfeitos com sua conquista, o que gerou inimizades e um ambiente descrito como um “ninho de cobras”.
Carreira alternativa
Kroft afirmou que seu melhor período na CBS foi como correspondente em Londres, onde pôde viajar pelo mundo, realizando o trabalho que sempre desejou.
Apesar das dificuldades, ele reconheceu que realizar as reportagens era “exaltante”, especialmente porque a equipe apreciava boas histórias.
Entrevistas marcantes
Ao se aposentar aos 73 anos, Kroft era o correspondente com o maior tempo de serviço no 60 Minutes. Ele conduziu entrevistas memoráveis, incluindo uma com os Clintons em 1992, onde Hillary Clinton fez uma declaração notória. Ele também entrevistou figuras como Woody Allen, Clint Eastwood e Barack Obama, além de investigar os ativos financeiros de Saddam Hussein.
A reportagem que mais o impactou foi sobre a firma Sandler O’Neill em 2001, que perdeu muitos funcionários nos ataques ao World Trade Center. Kroft acompanhou o parceiro sobrevivente, Jimmy Dunne, nos dias seguintes ao desastre, documentando o luto e a resiliência da empresa.
Quando questionado sobre como seus produtores o descreveriam, Kroft, conhecido por ser um perfeccionista, admitiu que durante o processo de escrita a resposta seria “impublicável”, mas mais elogiosa após a conclusão da matéria.
Recentemente, Kroft retornou ao noticiário ao comentar o acordo de US$ 16 milhões da Paramount com o presidente Trump, relacionado à edição de uma entrevista do 60 Minutes com Kamala Harris. Ele classificou o acordo como uma “extorsão” e expressou preocupação com o impacto no jornalismo de qualidade e na liberdade de expressão.