Duas séries baseadas em obras de Stephen King estão previstas para 2026 e, curiosamente, ambas abordarão narrativas muito semelhantes. Adaptações televisivas de livros de Stephen King nem sempre tiveram boa reputação, muitas vezes falhando em capturar a essência do material original. No entanto, títulos como The Outsider, Mr. Mercedes e The Stand (1994) deixaram sua marca, enquanto outras foram consideradas fracassos.
Em 2025, essa tendência começou a mudar. Duas adaptações de Stephen King, The Institute da MGM+ e It: Welcome to Derry da HBO, que estrearam no ano passado, tornaram-se sucessos comerciais e receberam críticas positivas. 2026 promete continuar essa trajetória com o lançamento de duas novas séries de Stephen King: a segunda temporada de The Institute e Carrie, de Mike Flanagan.
A segunda temporada de The Institute promete expandir o universo do livro original de Stephen King. Já Carrie é uma das séries mais aguardadas do ano, com Mike Flanagan como showrunner. Ambas as produções são atraentes individualmente, mas é impossível não notar as semelhanças temáticas que compartilharão.
Stephen King: ‘The Institute’ e ‘Carrie’ compartilham um núcleo temático similar

Não há conexões explícitas entre Carrie e The Institute. Enquanto Carrie foi o primeiro romance de Stephen King, publicado em 1974, The Institute chegou às livrarias em 2019. Apesar da diferença de tempo, ambos os livros de Stephen King focam em temas como a perda da inocência, a instrumentalização de traumas infantis e a negligência egoísta dos adultos.
Em ambas as histórias, os protagonistas são crianças com habilidades sobrenaturais. Carrie possui telecinese, enquanto Luke Ellis, em The Institute, demonstra telecinese e telepatia. Ambas as narrativas retratam como os poderes das crianças se tornam fardos biológicos ao atrair a atenção de forças opressoras que buscam controlá-las ou puni-las.
Enquanto Carrie é oprimida por sua mãe e pelas autoridades escolares, Luke e seus amigos “dotados” são aprisionados em uma instalação onde experimentos cruéis são realizados. Em ambas as tramas, as crianças eventualmente atingem o limite e liberam o verdadeiro potencial de seus poderes contra aqueles que as prejudicaram.
Em termos de escala, The Institute é maior que Carrie, pois conecta seus poderes sobrenaturais e sistemas opressivos a uma conspiração global. A série também sugere a existência de crianças com habilidades precognitivas, que serão mais exploradas na segunda temporada. Carrie, por outro lado, apresenta uma abordagem mais pessoal e sombria, reminiscente de Matilda, de Roald Dahl.
Ambos os livros foram publicados com 45 anos de diferença, mas leitores de Stephen King notaram uma possível ligação narrativa entre os dois, que pode ou não ter sido intencional. Carrie introduz a Comissão Branca, um órgão sancionado pelo governo que investiga o incidente do “Black Prom” e tenta evitar que algo semelhante ocorra novamente.
Muitos teorizam que a “Comissão Branca” poderia ser uma versão inicial do próprio “The Institute“. Uma breve passagem em Carrie menciona que a organização isolou os genes para telepatia e telecinese, e que planejam testar crianças após entrarem no primeiro ano escolar. Isso sugere os planos iniciais da Comissão Branca para estabelecer o Instituto no futuro e explorar os poderes de crianças “dotadas“.
Mike Flanagan’s ‘Carrie’ pode se tornar a melhor série de Stephen King

Todas as adaptações anteriores de Carrie evitaram o formato epistolar do livro original de Stephen King. O romance é apresentado através de cartas, recortes de jornal e relatos fragmentados em primeira pessoa, imergindo o espectador na tragédia central e permitindo múltiplas perspectivas. Essa abordagem também possibilita uma adaptação com estilo de found footage para capturar a estrutura epistolar da obra.
Embora muitos detalhes sobre a série de Flanagan permaneçam desconhecidos, ele indicou que sua produção pode parcialmente utilizar a lente do found footage. Ele revelou que empregará tecnologia moderna, incluindo câmeras de celular, para mostrar o desenrolar da história de Carrie no mundo atual.
A abordagem modernizada de Flanagan ao livro de Stephen King não só a tornaria mais relacionável e relevante para os tempos atuais, mas também a permitiria se destacar de todas as adaptações anteriores da história original. Considerando o histórico quase impecável de Mike Flanagan na adaptação de obras de Stephen King, é improvável que sua adaptação de Carrie decepcione. Pode até se tornar a melhor adaptação televisiva de Stephen King já criada.
Fonte: ScreenRant