O Prime Video adicionou ao seu catálogo a minissérie Steal, um thriller de seis episódios que rapidamente se tornou uma das opções mais comentadas para quem busca uma maratona intensa de fim de semana. A produção explora a dinâmica de um assalto a uma firma financeira em Londres, onde criminosos mascarados roubam 4 bilhões de libras, desencadeando uma trama repleta de reviravoltas e desconfianças. A narrativa, que evoca o estilo ágil e estilizado de obras consagradas do gênero, foca menos na execução do crime e mais nas consequências paranoicas que se seguem após o evento central.
A protagonista da série é Sophie Turner, que interpreta Zara Dunne, uma funcionária de processamento comercial na empresa Lochmill Capital. A atuação de Turner tem sido amplamente elogiada pela crítica, sendo apontada como um dos pontos altos de sua carreira pós-Game of Thrones. A série mantém uma recepção positiva, com 80% de aprovação no Rotten Tomatoes, consolidando o interesse do público pela evolução da atriz em papéis que exigem maior complexidade dramática e ambiguidade moral.
A performance de Sophie Turner em Steal marca nova fase na carreira

Após passagens por produções como a franquia x-men, Sophie Turner tem buscado projetos que desafiem sua imagem anterior. Em Steal, ela encarna uma personagem que, à primeira vista, parece comum e inofensiva, mas que esconde camadas de mistério conforme a investigação avança. A série explora a vida de Zara Dunne, que trabalha ao lado de seu colega Luke, interpretado por Archie Madekwe, conhecido por seu papel em Saltburn. A dinâmica entre os dois personagens estabelece o tom de normalidade que é subitamente interrompido pela invasão armada ao escritório.
Quando os criminosos tomam o controle do local, a série foca na sobrevivência de Zara, mas rapidamente desloca o interesse para a suspeita de que ela poderia estar envolvida no planejamento do assalto. A habilidade de Turner em manter essa ambiguidade é central para a tensão da trama, evitando clichês e mantendo o espectador em dúvida sobre suas verdadeiras intenções. Essa abordagem demonstra um amadurecimento artístico, distanciando-se de papéis anteriores e explorando um registro mais sombrio e contido, algo que também foi notado em suas participações recentes em Joan e no thriller Trust.
O assalto é apenas o ponto de partida para a investigação
Diferente de produções que utilizam o assalto como o clímax da história, Steal opta por realizar o roubo logo no primeiro episódio. O restante da minissérie dedica-se ao desdobramento das investigações, lideradas pelo detetive DCI Rhys Covaci, interpretado por Jacob Fortune-Lloyd. A transição do gênero de assalto para o procedural investigativo confere à série um ritmo constante, onde cada descoberta de Rhys revela novas ramificações do crime original. O Prime Video tem investido pesado em produções originais, como visto em The Terminal List, que consolida sua expansão como uma plataforma focada em thrillers de alta qualidade.
Os antagonistas da trama também desempenham papéis cruciais na construção da tensão. Jonathan Slinger interpreta o calculista “London”, o mentor da operação, enquanto Andrew Howard vive o imprevisível “Sniper”, um personagem que traz instabilidade a cada cena em que aparece. A série evita o erro de despejar revelações chocantes sem contexto, preferindo plantar pistas que são recompensadas ao longo dos episódios. Essa estrutura narrativa permite que o público acompanhe o desmantelamento do crime, peça por peça, enquanto a paranoia toma conta dos envolvidos.
Por que Steal é a escolha ideal para o fim de semana
Embora não reinvente o gênero, Steal acerta ao entregar uma experiência coesa e propulsiva. A série entende suas limitações e foca em manter o ritmo elevado, o que é essencial para uma maratona. Para os fãs de produções que misturam crime e suspense, a obra preenche uma lacuna importante no catálogo do streaming. O Prime Video continua diversificando seu conteúdo, com títulos que vão desde comédias, como a nova produção estrelada por Chace Crawford e P.J. Byrne, até dramas policiais complexos que expandem universos estabelecidos, como ocorre com a franquia Bosch.
Apesar de alguns episódios intermediários apresentarem um ritmo ligeiramente mais lento, a qualidade da direção e a força do elenco principal compensam qualquer irregularidade. A série é um exemplo de como o formato de minissérie pode ser utilizado para contar uma história fechada, com começo, meio e fim bem definidos, sem a necessidade de estender a trama desnecessariamente. Para quem já esgotou as opções de thrillers britânicos e busca algo novo, Steal oferece uma narrativa que não desperdiça o tempo do espectador, entregando cliffhangers eficazes e uma conclusão que justifica o investimento de tempo.
A produção reafirma a força do Prime Video em atrair talentos de renome para projetos que, embora sigam fórmulas conhecidas, conseguem imprimir uma identidade própria através de atuações sólidas e uma direção de arte que captura a atmosfera tensa de Londres. A série não tenta ser algo que não é, mantendo-se fiel à sua proposta de ser um thriller de entretenimento puro. Ao final dos seis episódios, o espectador é deixado com a sensação de ter acompanhado uma história completa, onde a desconfiança é o tema central e ninguém, nem mesmo a protagonista, está acima de qualquer suspeita.
Em um mercado saturado de conteúdos, a capacidade de Steal em se destacar reside na sua execução técnica e na escolha de um elenco que eleva o material original. A série é, sem dúvida, uma das adições mais sólidas ao catálogo da plataforma neste ano, servindo como um lembrete de que, quando bem executado, o gênero de assalto ainda possui fôlego para prender a atenção do público global. A expectativa agora é observar como a recepção positiva de Steal influenciará futuras produções de suspense no serviço de streaming, que parece ter encontrado uma fórmula de sucesso com este tipo de narrativa.
Fonte: Collider