A Starz, em um movimento estratégico significativo, anunciou oficialmente o encerramento de seu contrato de licenciamento de filmes conhecido como “Pay-2” com a Universal Pictures. A decisão foi comunicada durante a apresentação dos resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026, realizada na última quinta-feira, e marca uma mudança importante na estratégia de aquisição de conteúdo da empresa, que busca acelerar seu caminho rumo à sustentabilidade financeira, exatamente um ano após sua separação da Lionsgate.

O presidente e CEO da Starz, Jeffrey Hirsch, detalhou aos analistas os motivos por trás do rompimento. Embora o acordo original previsse a exibição de títulos do estúdio até o final do calendário de 2028, a realidade do consumo de mídia apresentou desafios inesperados. Segundo Hirsch, os filmes da Universal possuem um forte apelo comercial e excelente desempenho nas bilheterias, mas a dinâmica de distribuição atual prejudicou o retorno sobre o investimento para a Starz. O executivo apontou uma “alta sobreposição de assinantes” entre a base da Starz e a da Amazon. Como resultado, os títulos eram amplamente consumidos pelo público através da plataforma da Amazon antes mesmo de chegarem à janela de exibição da Starz, o que gerou uma audiência significativamente inferior às projeções iniciais da empresa.
Reestruturação e foco em eficiência
Para mitigar os efeitos dessa mudança e manter a trajetória de crescimento, a Starz planeja reinvestir os recursos que seriam destinados ao contrato com a Universal na aquisição de títulos com maior potencial de performance e “custo-benefício superior”. Essa reorientação estratégica já trouxe resultados positivos nas previsões internas: a empresa antecipou em 12 meses sua meta de atingir uma margem de 20%, projetando agora alcançar esse objetivo no segundo semestre de 2027, em vez do final de 2028. Hirsch agradeceu aos parceiros da Universal pela colaboração na busca por uma solução mutuamente benéfica para ambas as partes.
Os números do primeiro trimestre de 2026 refletem o momento de transição. A receita total da Starz caiu 7,2%, totalizando 306,9 milhões de dólares. O prejuízo operacional foi de 152,8 milhões de dólares, um aumento em relação aos 142,3 milhões de dólares registrados no mesmo período do ano anterior. Esse resultado foi fortemente impactado por encargos de reestruturação, que somaram 139,1 milhões de dólares, dos quais 128,1 milhões de dólares referem-se especificamente a baixas contábeis por desvalorização de conteúdo (content impairment).

Desempenho por segmentos e métricas de assinantes
Ao analisar as divisões de receita, o segmento de streaming (over-the-top) gerou 211,1 milhões de dólares no período de janeiro a março, uma queda em relação aos 225,5 milhões de dólares do ano anterior. O setor de TV linear e outras receitas também apresentou retração, fechando em 95,8 milhões de dólares, comparado aos 105,1 milhões de dólares do primeiro trimestre de 2025. A empresa também reportou um prejuízo líquido de 164,9 milhões de dólares, o que equivale a uma perda de 9,83 dólares por ação, superando o prejuízo líquido de 153 milhões de dólares do ano anterior.
Um ponto de atenção para investidores e analistas é a mudança na transparência de dados. A Starz confirmou que não reportará mais números detalhados de assinantes em seus balanços trimestrais. Os dados mais recentes, referentes ao quarto trimestre de 2025, indicavam que a plataforma contava com 12,7 milhões de assinantes de streaming nos Estados Unidos, após um acréscimo de 370 mil clientes. Considerando todas as plataformas, o total de assinantes atingiu 17,6 milhões, um crescimento de 170 mil usuários em relação ao período anterior.
Apesar do cenário desafiador, a empresa destacou que, ao excluir depreciação, amortização e os encargos de reestruturação, o OIBDA (Lucro Operacional antes de Depreciação e Amortização) ajustado foi de 58 milhões de dólares. Embora represente uma queda de 38% em comparação aos 93,3 milhões de dólares do ano anterior, a gestão da Starz acredita que a eliminação de contratos de licenciamento ineficientes e o foco em produções de alto desempenho são os pilares necessários para estabilizar a empresa no competitivo mercado de streaming atual. A decisão de encerrar o acordo com a Universal é, portanto, um passo calculado para garantir a viabilidade operacional a longo prazo, priorizando a qualidade do catálogo sobre o volume de licenciamentos que não geram a retenção de público esperada.
Fonte: Variety