Star Trek V desafia a lógica com viagem da Enterprise-A

O filme dirigido por William Shatner apresenta falhas de continuidade e conveniências narrativas que permanecem questionáveis após décadas de lançamento.

A USS Enterprise-A, a segunda nave estelar sob o comando do Capitão James T. Kirk (interpretado por William Shatner), protagonizou feitos que desafiam a lógica em Star Trek V: The Final Frontier. Lançado em 1989, o longa-metragem, que foi concebido e dirigido pelo próprio Shatner, é frequentemente lembrado como uma decepção de bilheteria, carregando hoje uma avaliação de apenas 22% no Rotten Tomatoes e uma pontuação de 25% por parte do público. Mesmo após 37 anos, as inconsistências técnicas e narrativas do filme continuam a ser um ponto de debate central entre os fãs da franquia.

uss enterprise a crosses great barrier
uss enterprise a space dock

A jornada ilógica ao centro da galáxia

A trama central de Star Trek V gira em torno do sequestro da Enterprise-A por Sybok, um renegado vulcano e meio-irmão de Spock (Leonard Nimoy). Movido por uma busca obsessiva, Sybok utiliza a nave para atravessar a Grande Barreira, localizada no centro da galáxia, acreditando que encontraria Deus no lendário planeta Sha Ka Ree. No entanto, ao chegarem ao destino, Kirk, Spock, o Dr. Leonard “Bones” McCoy (DeForest Kelley) e Sybok descobrem que não se tratava de uma divindade, mas sim de um poderoso alienígena (George Murdock) que utilizava a fachada de um ser supremo para escapar de sua prisão.

USS Enterprise-A atravessando a Grande Barreira
A Enterprise-A realiza uma travessia improvável em Star Trek V.

Para viabilizar essa conclusão, o roteiro ignorou princípios básicos de distância e física espacial. A Enterprise-A, que partiu de Nimbus III — o autoproclamado “planeta da paz galáctica” situado na Zona Neutra — conseguiu chegar ao centro da Via Láctea em apenas 6,7 horas, mantendo a velocidade de dobra 7. Esse deslocamento ocupou cerca de 40 minutos do tempo de tela do filme, ignorando completamente as vastas distâncias astronômicas. O cenário torna-se ainda mais absurdo quando lembramos que a nave estava estabelecida como uma unidade com falhas mecânicas, algo que Scotty (James Doohan) tentava desesperadamente consertar desde o início da missão.

Falhas de continuidade e conveniência narrativa

A falta de atenção aos detalhes é uma marca registrada das fragilidades de Star Trek V. Quando a nave finalmente alcança a Grande Barreira, o oficial de leme Hikaru Sulu alerta que “nenhuma nave poderia sobreviver àquilo”. Contudo, a Enterprise-A atravessa a barreira em instantes, sem sofrer qualquer dano estrutural, sendo seguida logo atrás por uma Ave de Rapina Klingon. Não há qualquer explicação técnica ou narrativa para essa facilidade, tratando-se de uma escolha de roteiro voltada puramente para a conveniência da história.

USS Enterprise-A na doca espacial
A nave Enterprise-A foi um elemento central na trilogia de filmes da era clássica.

Essas escolhas são sintomáticas da direção de William Shatner, que priorizou a rapidez da trama em detrimento da coesão do universo estabelecido. Outro exemplo notório dessa falta de rigor é a representação da própria Enterprise-A, que, em determinado momento, é descrita como possuindo 78 conveses, um detalhe que desafia a arquitetura da classe Constitution. A trajetória da nave, que apareceu em três filmes da franquia, é marcada por esse tipo de inconsistência. Desde sua inauguração no final de Star Trek IV: The Voyage Home, onde foi apresentada com uma série de problemas mecânicos, até sua jornada final, a Enterprise-A serviu como um reflexo das dificuldades de produção que cercaram o quinto filme da saga, consolidando-o como uma obra que, apesar de sua importância histórica, falha em manter a lógica interna que os fãs esperam de Star Trek.

Fonte: ScreenRant