Star Trek: The Original Series tem episódio que deveria sair do cânone

O episódio final da segunda temporada, Assignment: Earth, apresenta inconsistências narrativas e de tom que destoam da jornada clássica da Enterprise.

Star Trek: The Original Series permanece como um marco fundamental da ficção científica, influenciando gerações de produções televisivas. Embora episódios como “The City on the Edge of Forever” sejam celebrados até hoje, nem todas as histórias da série original mantêm a mesma qualidade ou coesão narrativa. O episódio final da segunda temporada, intitulado “Assignment: Earth”, exibido originalmente em 29 de março de 1968, é frequentemente apontado como um ponto fora da curva que, idealmente, não deveria fazer parte do cânone oficial da franquia.

A origem de Assignment: Earth como projeto independente

O conceito de “Assignment: Earth” foi idealizado por Gene Roddenberry originalmente como um piloto para uma série de televisão separada. Na proposta original, o personagem Gary Seven, interpretado por Robert Lansing, seria um humano do século 24 enviado ao passado para impedir que alienígenas conhecidos como Omegans alterassem a história da Terra em 1968. Quando nenhuma emissora aprovou o projeto, Roddenberry adaptou o roteiro para que funcionasse como um episódio de Star Trek e, simultaneamente, como um piloto para um derivado que nunca saiu do papel.

Gary Seven segurando sua gata Isis na plataforma de transporte da Enterprise
Gary Seven e sua enigmática gata Isis em cena de Star Trek: The Original Series.

Inconsistências na cronologia e no cânone

A inserção de “Assignment: Earth” na cronologia de Star Trek gera diversos problemas de continuidade. O uso da viagem no tempo, especificamente o efeito estilingue, é tratado com uma facilidade que contradiz a periculosidade demonstrada em outras obras, como Star Trek IV: The Voyage Home ou episódios de Star Trek: Picard. Além disso, a motivação de Gary Seven e a natureza de seus aliados permanecem vagas no episódio original, sendo esclarecidas apenas décadas depois em Star Trek: Prodigy, onde são identificados como agentes dos Viajantes.

Kirk e Spock disfarçados com roupas dos anos 60
Capitão Kirk e Spock em missão disfarçada durante o episódio Assignment: Earth.

O mistério inexplicado de Isis

Um dos elementos mais bizarros do episódio é a gata de Gary, Isis. A criatura possui a capacidade de se comunicar telepaticamente e assumir forma humana, sem qualquer explicação científica ou narrativa dentro do universo da série. Mesmo após quase 60 anos, a origem e as habilidades de Isis continuam sendo um mistério não resolvido, reforçando a sensação de que o episódio pertence a uma realidade distinta daquela vivida pela tripulação da USS Enterprise.

Isis, a gata de Gary Seven, em sua forma humana
A gata Isis revelando sua forma humana em um dos momentos mais estranhos da série.

Para os fãs que buscam uma experiência coesa, desconsiderar os eventos de “Assignment: Earth” pode ser a melhor alternativa. A franquia, que já explora realismo mágico em diversas séries consagradas, possui complexidades suficientes sem precisar justificar as lacunas deixadas por este episódio. Como um projeto que nunca deveria ter se integrado à missão de cinco anos de James T. Kirk, ele permanece como um experimento curioso, mas desconectado da essência da obra de Roddenberry.

Fonte: ScreenRant