A série Spider-Noir, lançada pelo Prime Video, consolidou-se como um dos projetos mais aguardados de 2026, conquistando tanto a crítica especializada quanto o público geral. Com uma abordagem que funde o universo dos quadrinhos com a estética clássica do gênero noir, a produção tem sido amplamente elogiada por sua cinematografia apurada, pelo desempenho marcante de Nicolas Cage e por diálogos afiados que evitam clichês do gênero de super-heróis. Embora a série seja um sucesso, sua curta duração de cinco horas e meia deixa os espectadores em busca de conteúdos com atmosfera semelhante para maratonar.
Para preencher essa lacuna, a escolha mais natural e aclamada é The Penguin, série da HBO lançada em 2024. Embora pertençam a universos distintos — a Marvel e a DC, respectivamente —, ambas as produções compartilham uma essência de drama criminal que as aproxima mais do que de seus próprios mundos de origem. A conexão visual entre as duas obras é reforçada pelo trabalho do mesmo diretor de fotografia, Darren Tiernan, que utiliza sombras pesadas e iluminação dramática para construir a identidade visual de ambas.
Spider-Noir e The Penguin priorizam o crime sobre o heroísmo

Diferente de produções tradicionais baseadas em HQs, Spider-Noir e The Penguin operam, antes de tudo, como histórias de máfia e crime organizado. A narrativa de ambas as séries explora temas como traição, corrupção, assassinato e perda, elementos que formam a espinha dorsal do gênero noir. Enquanto o tom visual é compartilhado, a estrutura dos diálogos reflete uma sensibilidade moderna, distanciando-se do noir clássico para adotar um ritmo mais ágil e contemporâneo. Essa mistura entre o antigo e o novo permite que as séries funcionem de forma independente, sem que o espectador precise de conhecimento prévio sobre o homem-aranha ou o Batman.
A recepção crítica de The Penguin, que mantém uma nota expressiva no Rotten Tomatoes, reforça o sucesso dessa abordagem. Assim como em Game of Thrones: conheça os projetos derivados que a HBO cancelou, a emissora demonstra habilidade em expandir franquias consagradas através de narrativas focadas em personagens complexos e moralmente ambíguos. A série da HBO, em particular, desafia o público ao colocar um vilão como protagonista, forçando uma perspectiva que raramente é explorada em produções de grande orçamento.
Perspectivas opostas sobre a lei e a moralidade
Embora as séries sejam tematicamente próximas, a execução de seus protagonistas revela nuances distintas. Em Spider-Noir, a trama segue a tradição do detetive anti-herói clássico, com Ben Reilly lutando contra o chefão do crime Silvermane e policiais corruptos. Já em The Penguin, a série adota a estética do neo-noir das décadas de 1970 e 1990, onde o vilão assume o papel central. Essa escolha narrativa cria um dilema moral para o espectador, que é constantemente levado a questionar se deve ou não torcer por Oswald, um personagem cujas intenções são frequentemente mascaradas por uma fachada de necessidade.
A comparação entre as duas obras oferece um exercício interessante sobre empatia e trauma. Tanto Ben Reilly quanto Oswald carregam feridas profundas que moldaram suas personalidades endurecidas. Se estivessem no mesmo universo, os protagonistas seriam inimigos diretos, mas, como produções televisivas, eles servem como espelhos um do outro. A qualidade dessas séries, comparável a sucessos como House of the Dragon alcança nota máxima no Rotten Tomatoes, prova que o público responde positivamente a histórias que priorizam o desenvolvimento de personagem e a atmosfera em detrimento de espetáculos visuais vazios.
Ao final, a decisão de assistir a ambas as produções em sequência permite uma compreensão mais profunda de como o gênero noir pode ser reinventado. Seja pela lente da Marvel ou da DC, o sucesso de Spider-Noir e The Penguin indica uma mudança de direção no mercado de streaming, onde o drama humano ganha prioridade sobre a ação desenfreada.
Fonte: ScreenRant