Spider-Noir traz referência ao multiverso em estreia no Prime Video

Nova série do Prime Video utiliza o conceito de realidades alternativas de forma contida, focando em uma narrativa de detetive na década de 1930.

O multiverso retorna de forma sutil na nova série Spider-Noir, produção do Prime Video que marca um caminho distinto para as adaptações da Marvel após o impacto de spider-man: No Way Home. O conceito de realidades alternativas tem desempenhado um papel fundamental nas histórias em quadrinhos de super-heróis há décadas, consolidando-se como um dos pilares narrativos mais explorados do gênero. Recentemente, essa premissa tornou-se um elemento central em diversas produções audiovisuais, servindo como ponto de convergência para diferentes cronologias e versões de personagens icônicos.

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Historicamente, o uso de realidades paralelas foi explorado com frequência em produções da DC, como no Arrowverse. Eventos de crossover, a exemplo de Crisis on Infinite Earths, permitiram a integração de figuras como o Clark Kent de Tom Welling, oriundo de Smallville, e o Batman interpretado por Kevin Conroy. O atual DC Universe, sob a liderança de James Gunn, também mantém as portas abertas para essa exploração, como observado na segunda temporada de Peacemaker. No âmbito da Marvel Cinematic Universe, a chamada Multiverse Saga demonstra a força desse dispositivo narrativo, sendo Spider-Man: No Way Home o maior evento cinematográfico a abordar o tema até o momento.

Cinco anos após o lançamento de Spider-Man: No Way Home, a série Spider-Noir introduz o multiverso de maneira discreta em produções live-action do Homem-Aranha. A nova série de super-heróis estreou hoje no serviço de streaming, disponibilizando todos os oito episódios, tanto em versões coloridas quanto em preto e branco. A abordagem da série sobre o multiverso é pontual e exige atenção do espectador para ser notada.

Spider-Noir inicia com menção rápida ao multiverso

Diferente de Spider-Man: No Way Home, que utilizou o multiverso como motor central da trama ao reunir as versões de Tobey Maguire e Andrew Garfield, além de vilões clássicos, Spider-Noir mantém sua narrativa contida. A série do Prime Video foca exclusivamente em seu universo próprio, acompanhando o investigador particular Ben Reilly, interpretado por Nicolas Cage, na Nova York da década de 1930. Contudo, logo no início do primeiro episódio, a produção faz uma referência direta ao conceito, sugerindo que o herói possui mais experiência com realidades alternativas do que o público poderia imaginar inicialmente.

Durante uma montagem que apresenta eventos cruciais na vida do personagem de Nicolas Cage, Ben Reilly reflete: “alguém uma vez me perguntou que universo era este, uma pergunta estranha que ficou comigo todos esses anos”. Ele afirma posteriormente que este é o único mundo que ele conhece, o que descarta a possibilidade de o protagonista ter viajado entre dimensões. Essa declaração oficializa que o personagem não é o mesmo Spider-Man Noir dublado por Cage na animação Spider-Man: Into the Spider-Verse, de 2018.

A fala sugere, no entanto, que uma variante do Homem-Aranha ou outro personagem da Marvel tenha visitado o universo de Spider-Noir fora das telas antes dos eventos da série. Considerando que a produção se apresenta como uma história de detetive urbana e fundamentada, apesar de incluir vilões como o Sandman, a interação com um viajante multiversal ocorrida nos bastidores reforça a atmosfera de mistério da obra. Para entender como outras produções do gênero construíram suas bases, vale conferir 7 séries de super-heróis que marcaram época antes do MCU.

Uso do multiverso em Spider-Noir é ideal após No Way Home

Embora a ideia de ver Ben Reilly explorando o multiverso seja atraente, esse papel permanece reservado para a franquia animada Spider-Verse. O ator Nicolas Cage retornará ao papel do herói animado em Spider-Man: Beyond the Spider-Verse, previsto para 2027, encerrando a espera dos fãs por mais aventuras daquela versão específica. Em Spider-Noir, a menção ao multiverso funciona como um aceno divertido que conecta a trajetória do ator à franquia, sem a necessidade de transformar a série em uma aventura épica de escala multiversal.

Essa escolha narrativa mostra-se acertada para a primeira produção live-action do Homem-Aranha desde o filme de 2021. Após o encontro entre Tom Holland, Tobey Maguire e Andrew Garfield, parte do público expressou opiniões divididas sobre a mudança de tom para uma história de crime urbano em Spider-Noir. Ao iniciar com uma referência ao multiverso e seguir como um conto de detetive sombrio, a série demonstra que a Marvel está disposta a diversificar seus formatos. A utilização de elementos como Spider-Noir utiliza vilões obscuros para expandir universo da Marvel, reforça essa intenção de explorar nichos específicos dentro do gênero.

A decisão de manter a série ancorada em um único universo, enquanto reconhece a existência de outros, permite que a produção desenvolva sua própria identidade visual e narrativa. O contraste entre a grandiosidade do multiverso e a crueza da Nova York dos anos 30 cria uma tensão editorial que beneficia o ritmo da série. Ao evitar a repetição da fórmula de No Way Home, a produção do Prime Video consegue se destacar como uma obra autônoma, capaz de atrair tanto os fãs de longa data quanto novos espectadores interessados em uma abordagem mais contida e estilizada do universo do Homem-Aranha.

O sucesso dessa estratégia depende da capacidade da série em sustentar o interesse do público através de seu roteiro e atmosfera, elementos que parecem ser o foco central da equipe criativa. Ao final, a referência ao multiverso em Spider-Noir não é apenas um detalhe, mas uma declaração de intenções sobre o futuro das adaptações da Marvel, que agora buscam equilibrar o legado de grandes eventos cinematográficos com a necessidade de narrativas mais focadas e específicas.

Fonte: ScreenRant