O suspense cult Sound of My Voice, dirigido por Zal Batmanglij e coescrito por Brit Marling, criadores de The OA, oferece uma atmosfera intrigante onde tudo é questionável. A trama acompanha dois aspirantes a cineastas que buscam documentar um influente culto liderado por uma mulher que alega vir do futuro.
Inicialmente, a premissa pode parecer fantasiosa, mas o filme gradualmente envolve o espectador e os personagens na dinâmica do culto. A manipulação é a essência da obra, tornando-a uma experiência cinematográfica imperdível.
Brit Marling é uma líder de culto magnética em ‘Sound of My Voice’
Embora classificado como ficção científica, Sound of My Voice funciona mais como um thriller psicológico. O único elemento de ficção científica é o conceito de viagem no tempo, que nunca é comprovado, apenas mencionado. A líder do culto, Maggie (Marling), faz alegações sobre um futuro distópico e a popularidade da música “Dreams” do The Cranberries. A performance de Marling é hipnotizante, com sua voz ecoando e se infiltrando na mente do público, assim como acontece com os membros do culto.
Ao lado de Marling estão Christopher Denham como Peter e Nicole Vicius como Lorna, os cineastas determinados a expor a suposta farsa. Eles servem como representantes do público, abordando a situação bizarra com ceticismo e curiosidade. Suas tentativas de filmar secretamente as reuniões são dificultadas pelas limitações tecnológicas da época.
Um momento crucial ocorre por volta dos 25 minutos de filme, onde Marling e Denham protagonizam uma cena intensa. A performance calorosa e hipnótica de Marling se transforma em algo mais cruel, questionando o passado de Peter de forma implacável. A cena, que mistura elementos de horror, demonstra o poder de Maggie, alternando entre sua persona gentil e um lado mais sombrio.
‘Sound of My Voice’ representa cultos de forma inédita
O verdadeiro poder de Sound of My Voice reside em sua capacidade de fazer o espectador sentir que está perdendo o contato com a realidade. O filme é repleto de reviravoltas que o tornam um thriller, mas a narrativa permanece cerebral. As apostas estão na nossa capacidade de manter a sanidade, e o clímax é uma nova mudança em nosso sistema de crenças.
A abordagem do filme sobre cultos não é pessimista, mas sim naturalista e baseada na fé, o que se torna tentador. Mesmo adentrando territórios estranhos, a obra se ancora em ideais como a autossuficiência e o desapego ao medo, tornando difícil condená-la. A ideia de que “talvez este não seja tão ruim” surge, mesmo sabendo que cultos são geralmente predatórios.
O filme demonstra como as pessoas podem sucumbir a crenças aparentemente absurdas. O ceticismo é apenas o primeiro passo para a doutrinação, e Sound of My Voice nos atrai para seu abraço envolvente. Com Marling no comando, é impossível não se render ao filme e deixar sua voz nos conduzir a um transe.
Fonte: Collider