O episódio final da temporada de Saturday Night Live U.K., transmitido em 16 de maio de 2026, utilizou o seu tradicional quadro de abertura, o cold open, para realizar uma sátira contundente sobre a instabilidade política no Reino Unido. A esquete focou na residência oficial do primeiro-ministro, o número 10 de Downing Street, que, na ficção, tornou-se palco de uma invasão inusitada por figuras políticas rivais e até mesmo por uma ex-ocupante do cargo.


A invasão no número 10 de Downing Street
A narrativa da esquete começa com Wes Streeting, interpretado por Jack Shep, o ex-secretário de saúde, sendo conduzido por uma visita guiada à residência oficial por um corretor de imóveis. O tom cômico é estabelecido rapidamente quando a ex-primeira-ministra conservadora Liz Truss surge inesperadamente de dentro de um armário, clamando por uma nova oportunidade de governar. O diálogo entre Streeting e o corretor destaca o cinismo da política britânica: ao ser questionado sobre possíveis problemas na propriedade, o corretor responde que o maior ‘defeito’ é que, ao residir ali, o ocupante passa a ser detestado por toda a população do país. Streeting, mantendo o tom satírico, responde que isso não seria um problema, alegando não possuir sentimentos.
A situação se torna ainda mais caótica com a chegada de Andy Burnham, o prefeito da Grande Manchester, interpretado por Paddy Young. Burnham tenta se posicionar como uma figura de mudança e um ‘disruptor’ necessário para o cenário atual. No entanto, ele é imediatamente confrontado por Streeting, que ironiza suas pretensões ao lembrar que Burnham foi membro do parlamento por 16 anos e votou a favor da Guerra do Iraque, desconstruindo sua imagem de novidade política.
O elenco de invasores é completado pela entrada de Angela Rayner, interpretada por Celeste Dring. A personagem, que na vida real renunciou ao cargo de vice-primeira-ministra devido a controvérsias envolvendo o pagamento de impostos sobre propriedades, o chamado stamp duty, entra na cena focada em questões burocráticas. Ela questiona, de forma irônica, o valor do imposto sobre uma propriedade de tal magnitude e se ela teria que arcar com esse custo, reforçando a sátira sobre os escândalos financeiros que marcaram sua trajetória política.
O refúgio no Eurovision
O clímax da esquete ocorre quando o primeiro-ministro Keir Starmer, interpretado por George Fouracres, desce as escadas da residência vestindo um roupão vermelho. Visivelmente irritado com o barulho e a presença de seus rivais, Starmer interrompe a discussão para expressar sua frustração. Ele revela que estava tentando assistir ao Eurovision, o festival musical que ele descreve como o único programa de televisão que ainda possui alguma integridade.
Em um monólogo satírico, o personagem de Starmer lamenta que, sempre que liga a televisão para ver o noticiário, é confrontado com sua própria imagem em situações negativas. Ele elogia o Eurovision por sua postura firme contra a Rússia após a invasão da Ucrânia e menciona, de forma específica, que gostou da canção apresentada por Israel, utilizando o festival como um contraste positivo em relação ao clima político pesado que ele enfrenta diariamente.
A cena termina com Starmer perdendo a paciência e expulsando todos os invasores de sua casa. Ele reafirma sua autoridade, declarando que, até onde ele sabe, ele ainda é o primeiro-ministro e que pretende manter o cargo por, pelo menos, os próximos 75 minutos, uma piada sobre a efemeridade e a pressão constante enfrentada pelos líderes britânicos.
Contexto do episódio
Este episódio marcou o encerramento da oitava edição da temporada de Saturday Night Live U.K.. O programa contou com a participação especial de Ncuti Gatwa, o ator conhecido mundialmente por seu papel como o protagonista em Doctor Who, que assumiu as funções de apresentador. Além da esquete política, a noite foi marcada pela performance musical da cantora e compositora indie-pop Holly Humberstone, que trouxe um tom artístico ao fechamento da temporada. A esquete de Starmer exemplifica como o programa utiliza figuras públicas e eventos culturais, como o Eurovision, para comentar a realidade política do Reino Unido através do humor ácido e da paródia, consolidando o formato como uma voz crítica importante no entretenimento televisivo britânico.
Fonte: Variety