O filme Six Months in a Pink and Blue Building (título original em espanhol: Seis Meses e el Edificio Rosa con Azul), marca a estreia do diretor mexicano Bruno Santamaría Razo no universo dos longas-metragens de ficção. A obra, que desperta curiosidade imediata pelo título peculiar, terá sua aguardada estreia mundial na edição deste ano da Semana da Crítica de Cannes, na terça-feira, dia 19 de maio. O projeto é uma coprodução internacional que une a expertise da produtora mexicana Ojo de Vaca Productora, a colaboração da brasileira Desvia Films e o suporte da dinamarquesa Snowglobe.

Uma narrativa sobre memória e amadurecimento
A trama central transporta o espectador para a Cidade do México durante a década de 1990. O protagonista é Bruno, um menino de 11 anos descrito como precoce, cuja infância é subitamente interrompida por uma notícia devastadora: o diagnóstico de HIV de seu pai. Esse evento traumático força o jovem a assumir responsabilidades típicas da vida adulta, enquanto tenta processar o impacto da doença na dinâmica familiar. Paralelamente, o filme explora o despertar emocional de Bruno, que lida com sentimentos crescentes por seu melhor amigo, Vladimir.
O diretor utiliza uma abordagem narrativa que espelha o ritmo das canções de salsa, onde a família tenta, através da música e da dança, aliviar a dor e o sofrimento. Três décadas depois, Santamaría Razo sente a necessidade premente de filmar e reimaginar essas memórias que, na época, ele não conseguia compreender plenamente. Segundo a sinopse oficial, o filme utiliza uma lente de amor familiar e celebração alegre para processar a dor e, finalmente, alcançar a compreensão sobre aquele período turbulento de sua infância.
Elenco e equipe técnica
O elenco do longa é composto por um grupo diversificado, incluindo Jade Reyes, Sofía Espinosa, Lázaro Gabino, Eduardo Ayala, Valeria Vanegas, Anuar Vera, Teresa Sánchez, Valentina Cohen, Nara Carreira e Demick Lopes. A equipe técnica conta com a cinematografia de Fernando Hernández García e a edição assinada por Andrea Rabasa Jofre, sob a produção de Carlos Quinonez e Bruna Haddad. A distribuição internacional do filme está sob a responsabilidade da Luxbox.
Santamaría Razo, que já possui um histórico de sucesso no cinema documental — tendo conquistado o prêmio Gold Hugo no Festival Internacional de Cinema de Chicago e o Grande Prêmio no BAFICI com o filme Cosas que no hacemos (2020) —, traz para esta ficção sua habilidade característica de investigar temas como memória, segredos e a complexidade da infância. O cineasta revelou em notas de imprensa que, durante as filmagens, ocorreu um fenômeno poderoso: ao ouvir diálogos simples e cotidianos, membros de sua própria família se reconheceram instantaneamente nas falas dos personagens, mesmo sem lembrar de terem dito tais frases. Para o diretor, esse momento foi crucial, pois provou que a ficção estava conseguindo se conectar com uma verdade profunda e autêntica.
Como um aperitivo para o público, o The Hollywood Reporter revelou com exclusividade um clipe do filme. O material oferece uma amostra do tom cinematográfico e da atmosfera da Cidade do México nos anos 90, convidando o espectador a sentir a energia da dança e a intimidade de Bruno e seu ambiente. Como sugere o próprio material de divulgação: “Inale! Exale!” e prepare-se para a estreia.
Fonte: THR