Sirat: Óliver Laxe detalha “terapia de choque” do filme indicado ao Oscar

Óliver Laxe, diretor de Sirat, fala sobre a intensidade do filme, as indicações ao Oscar e a experiência cinematográfica.

O filme espanhol indicado ao Oscar, Sirat, dirigido por Óliver Laxe, aborda temas intensos que o cineasta descreve como uma “terapia de choque”. A obra acompanha Luis e Esteban em uma jornada pelo deserto do sul de Marrocos em busca de Mar, filha de Luis e irmã de Esteban.

A Busca por Mar e o Contexto Global

Ao se envolverem com a comunidade rave local, a dupla descobre um conflito global iminente, semelhante à Terceira Guerra Mundial. Enfrentando perigos naturais e provocados pelo homem no deserto, Luis e Esteban precisam confiar um no outro para sobreviver.

Estrelado por Sergi López como Luis, Bruno Núñez Arjona como Esteban, Richard Bellamy e Stefania Gadda, Sirat estreou mundialmente no Festival de Cannes de 2025, recebendo aclamação da crítica e 94% de aprovação no Rotten Tomatoes. O filme apareceu em diversas listas de Melhores do Ano e conquistou duas indicações ao Oscar: Melhor Filme Internacional e Melhor Som. Recebeu também duas indicações ao Globo de Ouro.

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Sergi López como Luis em cena de Sirat
Sergi López como Luis em cena de Sirat.

O Medo e a Criação Artística

Em entrevista, Óliver Laxe comentou sobre o clima de medo que permeia a sociedade atual, influenciando a criação artística. Ele descreveu a produção de Sirat como “realmente perigosa”, devido à pressão e ao medo de falhar, especialmente por ser seu primeiro projeto com um “grande orçamento” e um “estúdio por trás”.

Laxe comparou a experiência de fazer Sirat a uma “terapia de choque”, expressando preocupações em ser mal compreendido e que o filme fosse visto como “sádico ou cruel”. Ele afirmou que o público “morre assistindo Sirat“, mas que o objetivo era lidar com o medo e proporcionar uma experiência intensa, mas com a intenção de cuidar do espectador e oferecer um vislumbre de luz.

A Experiência Cinematográfica e o Som

O diretor também compartilhou sua perspectiva sobre a importância da experiência cinematográfica em uma sala de cinema, que ele descreve como uma “nave espacial” para catarse e rituais. Laxe busca que seus filmes sejam sentidos “com o corpo, com a pele”, e o trabalho com a engenheira de som Laia Casanovas foi fundamental para alcançar essa imersão sensorial.

Luis caminhando pelo deserto em Sirat
Luis caminha pelo deserto em uma cena de Sirat.

Laxe expressou gratidão pelas indicações ao Oscar, embora tenha admitido que nunca projetou seus filmes para tal reconhecimento. Ele celebrou vitórias de filmes como Parasita e de cineastas como Sean Baker, vendo-as como um sinal saudável para o cinema, especialmente para obras que estreiam em festivais como Cannes.

O diretor também mencionou outros cineastas que o inspiram, como David Lynch, Béla Tarr e Paul Thomas Anderson, destacando o “bom ofício” deste último.

Fonte: ScreenRant

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