Sirāt: Filme não-terror se torna o mais assustador do ano

Sirāt, filme não-terror indicado ao Oscar, surpreende com sua intensidade e atmosfera aterrorizante, superando filmes de gênero e se tornando o mais assustador do ano.

Nos últimos anos, o gênero de terror tem apresentado clássicos como Sinners e Weapons, além de surpresas como Final Destination Bloodlines e a trilogia 28 Years Later. No entanto, o filme mais assustador do último ano não pertence a este gênero.

Sirāt, dirigido por Óliver Laxe, que recebeu indicação ao Oscar, chegou recentemente aos cinemas do Reino Unido e gerou grande expectativa desde sua estreia em Cannes. O filme foi lançado na Espanha em junho e na França em setembro, antes de ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional e Melhor Som.

Após uma exibição única e lotada, o público saiu em estado de choque, evidenciando a intensidade da obra. O filme se destaca pela sua atmosfera tensa e aterrorizante, superando expectativas e se consolidando como uma experiência cinematográfica impactante.

Sirāt: Uma Experiência Cinematográfica Intensa

A premissa inicial de Sirāt acompanha um pai em busca de sua filha em uma rave no deserto marroquino. Contudo, a narrativa se aprofunda quando ele decide seguir um grupo de ravers por um deserto implacável em busca de sua filha.

A jornada se transforma em um thriller apocalíptico, comparável a Mad Max e Sorcerer, com uma tensão crescente à medida que o grupo atravessa paisagens hostis. A excelência em design de som, premiada no Oscar, contribui significativamente para a atmosfera imersiva e assustadora do filme.

Sirāt: O Caos como Elemento Narrativo

Um ponto de virada chocante ocorre quando o filho de Luis, Esteban, morre em um acidente trágico. Este evento marca uma divisão clara no filme, transformando-o de um thriller de busca em uma exploração da dor e do luto.

A perda de Esteban é o momento de desespero absoluto, que não é resolvido, mas sim se torna o foco da segunda metade do filme. A busca pela filha é esquecida, dando lugar a uma jornada tortuosa pelo sofrimento do pai.

Críticos como Mark Kermode notaram que o filme pode parecer desestruturado após essa reviravolta, mas essa desintegração é intencional. O estado de choque de Luis se torna o centro da narrativa, mergulhando o espectador em um pesadelo febril onde a sobrevivência e a sanidade são os únicos objetivos.

Luis se culpa pela morte de Esteban, intensificando o horror da situação. A perda se torna um pesadelo para qualquer pai, um medo que talvez nem fosse considerado antes.

Sirāt: Uma Descida Metafórica ao Inferno

O título do filme faz referência a uma ponte na escatologia islâmica, descrita como mais fina que um fio de cabelo e mais afiada que uma lâmina, por onde as almas devem passar para chegar ao Paraíso. Isso estabelece a metáfora central do filme: uma descida ao inferno.

A cena climática envolve os sobreviventes em um campo minado no deserto, forçando-os a atravessar o que parece ser um inferno literal. As explosões constantes criam um terror visceral, comparável a filmes como Evil Dead, solidificando Sirāt como mais assustador que qualquer filme de terror do ano.

Fonte: ScreenRant