10 Séries de Ficção Científica que Parecem Reais em Ficção cie

Descubra 10 séries de ficção científica ‘hard’ que exploram temas realistas e plausíveis, como inteligência artificial e mudanças climáticas.

Ficção científica de qualidade não prevê o futuro, mas presta atenção ao presente e faz perguntas difíceis. Dentro do gênero, a ficção científica ‘hard’ ocupa um espaço particular e inquietante, focando em conceitos enraizados na ciência real e tecnologia plausível. Esse tipo de obra nos faz parar e refletir sobre as consequências e o preço a pagar por certas inovações.

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Enquanto a ficção científica comum explora o “e se?”, a ‘hard sci-fi’ detalha como as coisas aconteceriam, com foco em mecânicas e resultados. Atualmente, o gênero reflete ansiedades sobre inteligência artificial, capitalismo e mudanças climáticas, tornando-se o mais realista de todos.

‘Millennium’ (1996 – 1999)

Criada por Chris Carter, Millennium é uma série de TV dos anos 90 sombria e assustadora, que antecipou seu tempo. A série, com um episódio crossover com The X-Files, acompanha o perfilador do FBI Frank Black (Lance Henriksen), que possui a habilidade sobrenatural de ver através da mente de assassinos. Ele trabalha com o misterioso Millennium Group, mergulhando nos instintos mais sombrios da humanidade.

Ao longo de três temporadas, a série mescla drama policial com mistério oculto, criando uma atmosfera de pavor. O cenário chuvoso de Seattle e a trilha sonora de Mark Snow intensificam a sensação de apreensão. Millennium optou por algo mais sufocante do que alienígenas, sendo intencionalmente confusa e desigual. Carter e os roteiristas entenderam que o medo apocalíptico é mais eficaz quando pessoal, mas o público da época não estava preparado para isso, levando ao cancelamento abrupto.

‘Westworld’ (2016 – 2022)

Westworld é uma odisseia que desafia gêneros, ambientada em um parque temático ensolarado. Baseada no filme de Michael Crichton, a série segue androides hiper-realistas chamados Hosts, criados para satisfazer todos os impulsos humanos. Através de personagens como Dolores (Evan Rachel Wood) e Maeve (Thandiwe Newton), a trama explora questões de consciência, livre arbítrio e rebelião.

A segunda temporada aprofunda essas questões, enquanto as temporadas 3 e 4 apresentam reviravoltas que nem sempre se encaixam. Mesmo em seus momentos mais ambiciosos, Westworld consegue impactar pela escala. Quando Dolores começa a lembrar, percebemos que suas emoções foram escritas por outra pessoa. Isso nos confronta com a verdade desconfortável: se nossas emoções são programadas, elas ainda são nossas? Uma ideia que parece assustadoramente real.

‘Dark’ (2017 – 2020)

Dark, da Netflix, é o tipo de série que cativa desde o primeiro episódio com sua atmosfera, antes mesmo de compreendermos sua trama labiríntica. Ambientada na cidade fictícia alemã de Winden, começa com o desaparecimento de uma criança e se torna uma das narrativas de viagem no tempo mais elaboradas e confusas já vistas. Opera em quatro linhas temporais (1953, 1986, 2019 e o futuro), entrelaçando-as com precisão clínica.

Personagens envelhecem entre as linhas temporais, suas versões mais jovens e mais velhas dividem telas, e as causas e efeitos se retroalimentam até que todas as perguntas se tornem insolúveis. O elenco alemão é uniformemente excelente, com Louis Hofmann como o adolescente Jonas Kahnwald se destacando pela confusão e dor retratadas com precisão. Críticos e audiências fora da Alemanha demoraram a descobrir Dark, mas quando o fizeram, sua popularidade se tornou evangélica.

‘Years and Years’ (2019)

Years and Years, escrita por Russel T. Davies, é uma previsão do futuro próximo. A minissérie de seis episódios acompanha a família Lyons de Manchester ao longo de aproximadamente 15 anos, enquanto o mundo muda incremental e catastroficamente ao redor deles. Possui o ritmo de um thriller e a inteligência emocional de um drama familiar. Viv Rock (Emma Thompson) é uma política celebridade de ideologias ambíguas que ascende ao poder.

Os personagens vivenciam mudanças tecnológicas e econômicas, além de grandes crises, com pequenos eventos se transformando em algo avassalador. A série se mostrou bastante precisa em suas previsões futuras, o que é difícil de ignorar. Esse realismo é visível na forma como as pessoas se acostumam com as coisas, na efemeridade da indignação e na coexistência de afeto comum com aspectos extraordinários. Years and Years não é um programa confortável; é íntimo, emocional e aterrorizantemente crível.

‘Halt and Catch Fire’ (2014 – 2017)

Nem toda ficção científica ‘hard’ envolve naves espaciais. Halt and Catch Fire é um cativante estudo de personagem sobre os primórdios da computação pessoal, onde a ambição cresce tão rápido quanto a tecnologia. Ambientada nas décadas de 1980 e 1990, acompanha um grupo de engenheiros e visionários tentando construir o futuro do zero, enquanto competem contra gigantes como a IBM.

Halt and Catch Fire se destaca por focar em pessoas que construíram o futuro, mas não alcançaram fama. Joe, Gordon, Cameron e Donna não são Steve Jobs ou Bill Gates. Embora tenham tido ideias semelhantes, executaram-nas de forma ligeiramente diferente. A série trata essas vitórias parciais e fracassos com compaixão. Críticos adoraram, mas o público demorou a chegar. Anos após seu término, a série conquistou um público devoto.

‘Person of Interest’ (2011 – 2016)

Em Person of Interest, um ex-agente da CIA se une a um bilionário gênio recluso para usar uma IA de vigilância secreta e prevenir crimes antes que aconteçam. No entanto, a partir da segunda temporada, a série se transforma em algo inesperado. Jim Caviezel interpreta John Reese, e Michael Emerson como Harold Finch, o criador “A Máquina”, carrega o peso moral da série.

O maior acerto da série é tratar “A Máquina” como um personagem com seu próprio senso de ética e autopreservação em desenvolvimento. Na quarta temporada, Person of Interest se torna essencialmente uma série sobre duas IAs rivais e os humanos presos entre suas filosofias. Essa história foi contada na TV aberta muito antes das conversas sobre IA se tornarem mainstream. As ansiedades da série sobre vigilância em massa e consciência artificial não eram teóricas na época, mas a cultura levou alguns anos para alcançar o que Nolan estava dramatizando.

‘Severance’ (2022 – Presente)

Severance retrata perfeitamente o pesadelo do ambiente de trabalho moderno. Em 2022, a Apple TV+ apresentou aos espectadores a Lumon Industries, onde funcionários passam por um procedimento que separa cirurgicamente suas memórias de trabalho e pessoais. Adam Scott, como Mark, lidera um elenco que inclui Patricia Clarkson, John Turturro e Christopher Walken, todos presos nos corredores estéreis, fluorescentes e perturbadores da Lumon. É uma mistura de sátira corporativa, thriller psicológico e ficção científica plausível.

Além do conceito principal, Severance trata fundamentalmente da compartimentalização – algo que as pessoas fazem voluntariamente, internamente, para sobreviver. Os “innies”, que nunca viram a luz do dia, nunca foram para casa, nunca conheceram nada além de seu andar sem janelas, desenvolvem amizades, lealdades e pequenas rebeliões que parecem reais porque têm muito pouco com que se basear. Poucas séries de TV conseguiram fazer o tédio do escritório parecer tão genuíno e existencial.

‘Battlestar Galactica’ (2004 – 2009)

Quando Battlestar Galactica retornou em 2004, foi mais do que apenas um reboot. A série de Ronald D. Moore acompanhou os últimos sobreviventes da humanidade fugindo pelo espaço em busca da Terra após serem quase extintos pelos Cylons. Edward James Olmos como Comandante Adama e Mary McDonnell como Presidente Roslin ancoraram toda a empreitada. Starbuck (Katee Sackhoff) e Gaius Baltar (James Callis) se tornaram favoritos dos fãs.

Embora Battlestar Galactica tenha ido ao ar no período pós-11 de setembro e exibido suas alegorias abertamente, elas nunca ofuscaram o trabalho dos personagens. A série usa a ficção científica para fazer perguntas sobre identidade, religião e trauma coletivo. O que você segura quando está exausto? O que você sacrifica? No geral, é uma space opera disfarçada de ficção científica.

‘The Expanse’ (2015 – 2022)

Falando em space operas, temos The Expanse. Baseada nos romances de James S. A. Corey, a série imagina um futuro onde a humanidade colonizou o sistema solar, com a Terra, Marte e o Cinturão em conflito político. Acompanhamos a tripulação da Rocinante, que inclui Holden (Steven Strait), Naomi (Dominique Tipper), Amos (Wes Chatham) e Alex (Cas Anvar).

The Expanse parece real porque presta atenção aos detalhes. Gravidade, política e cultura são tratadas com cuidado. Há uma qualidade tátil na forma como os corpos reagem à aceleração, e até a menção casual de água e ar como commodities preciosas. Nada parece decorativo. Embora a Syfy tenha cancelado a série após três temporadas, a Amazon a resgatou, proporcionando a escala de produção que ela necessitava.

‘Black Mirror’ (2011 – Presente)

A série antológica de Charlie Brooker é um dos poucos programas que gerou gírias culturais e é mais relevante hoje do que nunca. Dizer que algo é “muito Black Mirror” comunica um registro tonal e temático inteiro, sem necessidade de explicação. Com episódios como “Be Right Back”, “White Bear”, “USS Callister”, “San Junipero”, e outros, Black Mirror construiu argumentos sobre tecnologia. A era Netflix expandiu o orçamento e o alcance global da série, atraindo diretores como David Slade e Jodie Foster.

O motivo pelo qual as pessoas continuam recomendando episódios específicos de Black Mirror para pessoas específicas é que seu melhor trabalho reside na lacuna entre o que queremos que a tecnologia faça e o que ela realmente pode fazer. Não é anti-tecnologia, é pró-honestidade. Por exemplo, “The Entire History of You” transforma a memória em algo que você pode reproduzir – e obcecar – até que desfaça relacionamentos. Nem todo episódio acerta da mesma forma, mas quando acerta, é incrível. Críticos a chamaram de o Twilight Zone de nossa era, e de certa forma, é.

Fonte: Movieweb