WandaVision funciona porque é um verdadeiro experimento da marvel

Às vezes, algo tão simples como uma mudança de cenário pode revigorar uma franquia. Star Trek original e Star Trek: The Next Generation foram ambientados em naves estelares viajando pela galáxia. Essa fórmula foi reprojetada em Star Trek: Deep Space Nine, se passa em uma estação espacial e não em uma nave estelar.

O revival de Doctor Who mudou dramaticamente com cada novo showrunner, mudando de uma fantasia episódica para um histórias com arcos fechados.

A evolução é uma necessidade e WandaVision, a primeira série blockbuster da Marvel a chegar à Disney Plus após 23 filmes nos últimos 13 anos, tenta todos os três desenvolvimentos em simultâneo e funciona.

WandaVision não é apenas um experimento único. É o futuro do Marvel Studios.

Como um fã da Marvel, naturalmente presumi que iria gostar da série graças ao indiscutível sucesso da Marvel nos cinemas. O modelo e arco narrativo que Kevin Feige idealizou tem lá suas desvantagens, mas raramente se perde nas expectativas criadas. Na realidade, porém, o WandVision funciona melhor precisamente porque é diferente de tudo que o modelo do Marvel Studios já produziu antes.

A série se passa após os eventos de Vingadores: Ultimato, mas encontra Wanda (Elizabeth Olsen) e o falecido Vision (Paul Bettany) vivos, juntos e vivendo uma vida pequena cidade suburbana enquanto tentam esconder seus poderes. 

Juntando-se a eles está a intrometida vizinha Agnes (Kathryn Hahn), que sabe mais do que aparenta, e a adulta Monica Rambeau (Teyonah Parris), vista pela última vez como uma criança em Capitão Marvel.


Cada episódio amalgama vários motivos e cacoetes de sitcom americanas dos anos 60-70, completos com colorização em preto e branco, faixas de riso. Em entrevista Paul Bettany disse que se inspirou em Dick Van Dyke e Hugh Laurie para sua versão mais pastelão de Visão, que difere de seu personagem no cinema. Outras influências da telinha para o show incluem I Love Lucy  de 1951,  Meus filhos e Eu de 1960 e talvez a mais óbvia até aqui A Feiticeira de 1964

A narrativa intencionalmente confusa e completamente inédita preparada pelo Showrunner Jac Shaeffer traz o risco de desestimular o público mais casal, mas WandaVision expande a estrutura narrativa do Marvel Studios.

“Vamos mentir para você e você vai acreditar em nossa pequena mentira.” – Visão em ‘WandaVision’

WandaVision - Wanda (Elizabeth Olsen) e Vision (Paul Bettany)

Por causa da narrativa interconectada do MCU, não podemos absorver WandaVision sem considerar os capítulos anteriores.

Para aqueles que querem mais do mesmo, os dois primeiros episódios da série com certeza parecerão lentos, já que focalizam a vida suburbana de vanguarda do casal com apenas referências ocasionais a qualquer coisa além de sua linha de visão. Para aqueles que estão entusiasmados com a perspectiva de desmontar a fórmula da Marvel, que às vezes pode ter gosto nenhum, WandaVision é a solução. 

Isso não significa que os elementos mais simples não estejam presentes, já que a série se conecta a entidades misteriosas como SWORD, o próximo filme do Doutor Estranho e outros pontos de referência mais familiares.

Por fim, WandaVision é cativante, brilhante e diferente.

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