Sandra Oh revela estratégia para esconder etnia em Grey’s Anatomy

Atriz relembra como o elenco diverso da série precisava manter um perfil discreto para garantir a continuidade da produção durante suas primeiras temporadas.
LOS ANGELES, CALIFORNIA - JANUARY 27: Sandra Oh attends "The Tiger's Apprentice" premiere event at the Sherry Lansing Theatre at Paramount Studios on January 27, 2024 in Los Angeles, California. (Photo by Randy Shropshire/Getty Images for Paramount+)

Sandra Oh, a aclamada atriz que conquistou o público global ao interpretar a Dra. Cristina Yang durante dez temporadas no drama médico Grey’s Anatomy, trouxe à tona uma faceta pouco conhecida dos bastidores da televisão americana. Em uma participação reveladora para o documentário The A List: 15 Stories From Asian and Pacific Diasporas, dirigido por Eugene Yi e com estreia marcada para o dia 13 de maio na HBO e na plataforma de streaming Max, a atriz canadense de ascendência coreana detalhou a pressão silenciosa que sentia em relação à sua origem étnica durante os anos de formação da série.

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A trajetória de Sandra Oh é marcada por um pioneirismo notável. Antes de se tornar um nome de peso em Hollywood, ela já havia construído uma reputação sólida no Canadá, protagonizando sucessos do cinema independente como Double Happiness e The Diary of Evelyn Lau. No entanto, ao transitar para o cenário competitivo da televisão americana, a realidade imposta pelo sistema era distinta. Segundo a atriz, a diversidade do elenco de Grey’s Anatomy — uma produção criada e executiva por Shonda Rhimes — era vista como um elemento de risco, algo que precisava ser gerido com extrema cautela para não comprometer a viabilidade comercial do programa.

“O fato de que metade do elenco de Grey’s Anatomy não era branco, isso era uma questão”, relembrou Oh durante o documentário. Ela descreveu a atmosfera nos bastidores como uma estratégia de sobrevivência, onde o silêncio sobre a diversidade era a tática principal. “Era quase como se dissessem: ‘Shush. Vamos apenas não falar sobre isso. Vamos apenas fazer e ver se conseguimos escapar’. E, de repente, tornou-se um sucesso!”, compartilhou a atriz, destacando o contraste entre a apreensão inicial dos executivos e a recepção massiva que a série obteve junto ao público.

A luta de Sandra Oh por representatividade não se limitava apenas à sua presença física na tela. A atriz, que também brilhou em produções como Sideways e The Princess Diaries, e que mais recentemente conquistou o mundo com Killing Eve, já havia discutido anteriormente a necessidade de batalhar por alterações nos roteiros. O objetivo era garantir que os diálogos atribuídos à Dra. Cristina Yang fossem autênticos e condizentes com a complexidade da personagem. A dedicação era tamanha que a sala de roteiristas da série chegou a designar um profissional, apelidado internamente de “Sandra whisperer” (o sussurrador de Sandra), cuja função era mediar e atender às solicitações da atriz para assegurar a integridade do papel.

No documentário The A List, que oferece uma série de vinhetas pessoais sobre as vivências das comunidades asiático-americanas, nativas havaianas e das ilhas do Pacífico, Sandra Oh reflete sobre os desafios estruturais da indústria. “Como você existe em uma sala que não te quer, ou que não te respeita? Era um tempo diferente”, questionou a atriz, pontuando a dificuldade de navegar em ambientes profissionais que, historicamente, não ofereciam o devido acolhimento a atores de minorias étnicas. Ela também abordou a tendência da época de subsumir personagens asiático-americanos em arquétipos genéricos, uma prática que ela buscou combater ativamente ao longo de sua carreira.

A obra de Eugene Yi serve como um registro importante dessas trajetórias, dando voz a personalidades que, como Sandra Oh, precisaram superar barreiras sistêmicas para consolidar suas carreiras. Ao revisitar esses momentos, a atriz não apenas expõe as dificuldades enfrentadas, mas também destaca a importância de ter persistido em um ambiente que, muitas vezes, não estava preparado para a diversidade que Grey’s Anatomy acabou por normalizar. A história de Oh em Grey’s Anatomy, que lhe rendeu múltiplas indicações ao Emmy e a estabeleceu como uma das atrizes mais influentes de sua geração, permanece como um testemunho da resiliência necessária para transformar a cultura televisiva a partir de dentro.

Fonte: THR