Rooney Mara estrela Quest for Love, novo drama rodado em Paris

A atriz indicada ao Oscar interpreta uma mãe enigmática em longa dirigido por Antonia Campbell-Hughes, com lançamento internacional previsto para o Festival de Cannes.

A renomada atriz e indicada ao Oscar, Rooney Mara, prepara-se para um novo desafio cinematográfico ao protagonizar e produzir o longa-metragem “Quest for Love”. O projeto, que promete explorar as nuances da moralidade, os limites da conexão humana e a complexidade da intimidade, terá como cenário a cidade de Paris. A notícia, que movimenta os bastidores da indústria, confirma que a HanWay Films será a responsável por apresentar o título ao mercado internacional durante o prestigiado Festival de Cannes, enquanto a WME Independent ficará encarregada das vendas para o território norte-americano.

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Rooney Mara e Antonia Campbell-Hughes em evento cinematográfico
Rooney Mara e a diretora Antonia Campbell-Hughes em colaboração para o novo projeto.

Uma narrativa sobre os limites da maternidade

O roteiro de “Quest for Love” apresenta uma protagonista singular: Maris, interpretada por Mara. Descrita como uma mulher desprovida de sentimentalismo, mas dotada de um magnetismo irresistível, Maris chega a Paris acompanhada de seu filho de dez anos, Maxy. A bagagem emocional da personagem é densa; ela cresceu em um ambiente marcado pelo trabalho de eutanásia de seu falecido pai, uma vivência que a deixou profundamente cética quanto à sua própria capacidade de experimentar o amor. Ao se instalar no charmoso bairro de Marais, ela inicia uma jornada de autodescoberta e exploração de conexões humanas, embora sua relação com o filho seja o ponto de maior tensão, já que o menino anseia desesperadamente pelo afeto materno.

A trama ganha contornos de suspense e perigo à medida que a vida noturna de Maris revela hábitos que sugerem uma violência latente sob sua fachada charmosa. O conflito se intensifica quando ela retoma o contato com Alex, um antigo pretendente. A crescente afeição de Alex por Maxy coloca Maris em uma encruzilhada, forçando-a a tomar uma decisão fatal. O contraponto moral da história reside em Maxy: ao contrário da mãe, que parece habitar uma zona cinzenta de amoralidade, o menino possui uma percepção clara entre o certo e o errado, utilizando, com astúcia, os próprios métodos manipuladores da mãe para garantir sua sobrevivência.

Bastidores e desenvolvimento criativo

A direção do filme está a cargo da cineasta irlandesa Antonia Campbell-Hughes. Este projeto consolida sua trajetória atrás das câmeras, seguindo a estreia de seu longa “It is in Us All”, que passou pelo festival SXSW, e o recente “High End”, que conta com um elenco de peso incluindo Andrea Riseborough, Guy Pearce e Raffey Cassidy. “Quest for Love” é fruto de uma iniciativa estratégica entre a Screen Ireland e o Luxembourg Film Fund, desenhada especificamente para apoiar cineastas mulheres e não-binárias, tendo sido lançada durante a edição de 2023 do Festival de Cannes.

A produção é liderada por Macdara Kelleher e John Keville, da Wild Atlantic Pictures, produtora com um portfólio robusto que inclui títulos como “The Mummy”, de Lee Cronin, o indicado ao Oscar “Blue Moon”, de Richard Linklater, além de “Drop” e “Saipan”. O time de produção conta ainda com Gilles Chanial, da Les Films Fauves, como co-delegado. A presença de Chanial reforça o prestígio da equipe, dado que seus projetos recentes, como “Dora” e “Double Freedom”, de Lisandro Alonso, também marcam presença na seleção oficial de Cannes.

A visão por trás da personagem

Gabrielle Stewart, CEO da HanWay Films, destacou a importância de Maris no panorama cinematográfico atual. Segundo Stewart, o cinema tem um histórico de personagens magnéticos que transitam entre a subversão e a violência, como visto em clássicos do calibre de “Psicopata Americano” ou “O Silêncio dos Inocentes”, mas raramente esse arquétipo é explorado através de uma figura feminina. A diretora Antonia Campbell-Hughes e Rooney Mara compartilham uma visão clara para Maris: uma mulher que atravessa Paris em sua Ducati, sendo, simultaneamente, enigmática, bela, violenta e, acima de tudo, uma mãe. O projeto promete ser um estudo visceral sobre as contradições humanas, consolidando a parceria entre Mara e Campbell-Hughes como uma das apostas mais aguardadas do circuito de festivais internacionais.

Fonte: Variety