Robin Williams quase estrelou adaptação de First Person Plural

Detalhes revelados pelo autor Cameron West mostram que o lendário ator se preparou para interpretar um homem com transtorno dissociativo de identidade.

Passaram-se quase 12 anos desde que o mundo perdeu Robin Williams, aos 63 anos. O icônico ator e comediante, que trouxe alegria a gerações através de papéis memoráveis, possuía uma versatilidade que ia muito além de sua energia contagiante. Enquanto clássicos como Mrs. Doubtfire e sua atuação como o Gênio em Aladdin consolidaram sua imagem exuberante, Williams também foi um ator dramático de primeira linha, premiado com o Oscar por Good Will Hunting e indicado por performances viscerais em The Fisher King, Dead Poets Society e Good Morning Vietnam. Agora, mais de uma década após sua morte em 2014, novos detalhes emergem sobre projetos singulares que ele buscava realizar, incluindo uma adaptação do livro First Person Plural: My Life as a Multiple, de Cameron West.

Um projeto de grande envergadura

Publicado originalmente em 1999, o livro de memórias de Cameron West, co-escrito com sua esposa, Rikki West, detalha a vida do autor, que desenvolveu o transtorno dissociativo de identidade (DID) — termo que substituiu a antiga nomenclatura de “múltiplas personalidades” — como consequência de abusos sofridos na infância. A obra, que explora o diagnóstico e o tratamento de West, que posteriormente obteve um Ph.D. em psicologia, tornou-se um best-seller do New York Times após uma aparição marcante no programa de Oprah Winfrey. O sucesso chamou a atenção da Disney, que adquiriu os direitos para uma adaptação cinematográfica.

O estúdio não poupou esforços, contratando o aclamado roteirista Eric Roth, responsável por sucessos como Forrest Gump, The Curious Case of Benjamin Button, A Star Is Born (2018) e Dune, para adaptar a história. Com sete indicações ao Oscar, Roth era o nome ideal para um projeto que exigia profundidade psicológica. Robin Williams, recém-saído de sua vitória no Oscar, estava ávido por um papel dramático que desafiasse seus limites criativos, e o projeto surgiu no momento perfeito.

Robin Williams como Walter Finch em Insomnia
Robin Williams em cena do filme Insomnia, demonstrando sua capacidade para papéis dramáticos complexos.

A preparação e o impacto pessoal

O encontro entre Cameron West e Robin Williams foi imediato e profundo. No entanto, a esposa do ator na época, Marsha Garces, observou com perspicácia: “Ele tem muitas feridas em sua mente”. Para se preparar, Williams insistiu em conhecer os “alters” (personalidades alternativas) de West. O ator ficou visivelmente atordoado com o que presenciou. West relata que Williams pediu para que ele esfregasse o braço do ator, comentando: “Você pode ver os pelos nos meus braços se arrepiando”.

A percepção da autenticidade de West era tão forte que até os cães de Williams reagiam de forma distinta a cada alter que assumia o controle. West recorda o espanto do ator: “Cães são incrivelmente perceptivos. Eles reagem a diferentes alters de forma completamente distinta. Qualquer um que já tenha visto isso em uma sala diz ‘Oh meu Deus’, e foi isso que aconteceu com Robin. Ele disse: ‘Puta merda. Olha o que meu cachorro acabou de fazer'”.

Robin Williams em Good Will Hunting
O ator em sua performance premiada em Good Will Hunting, um marco de sua carreira dramática.

O fim de um sonho cinematográfico

Apesar de terem mantido contato até pouco antes da morte do ator, o projeto de First Person Plural desmoronou. Mudanças internas na Disney levaram ao cancelamento da produção, o que foi descrito por West como um momento de grande tristeza, dado o investimento financeiro e o esforço criativo envolvidos. O papel teria exigido que Williams canalizasse sua rapidez cômica em uma transição dramática e contida entre as personalidades de West, um desafio que poucos atores teriam a capacidade de enfrentar.

Enquanto filmes como Split e séries como Moon Knight tentaram abordar o DID com resultados variados, a visão de Williams teria sido uma abordagem baseada em uma história real e fundamentada. Atualmente, os direitos permanecem com a Disney e não há planos para retomar a adaptação. O relato de West serve como um lembrete da ambição artística de Robin Williams e da complexidade humana que ele sempre buscou retratar em sua carreira.

Fonte: Movieweb