O Rio2C, um dos maiores eventos de criatividade da América Latina, recebe nesta semana a sexta edição do Fórum Ibero-Americano de Vice-Ministros da Cultura. O encontro reúne representantes governamentais de 17 países para discutir políticas públicas voltadas ao setor criativo regional, marcando uma integração inédita entre o debate institucional e o mercado de entretenimento.

A participação dos vice-ministros e secretários executivos no evento, que ocorre no Rio de Janeiro, reflete uma estratégia de focar em ações práticas e operacionais. Segundo Rafael Lazarini, fundador do Rio2C, a presença desses gestores é fundamental, pois são eles que executam as políticas culturais, enquanto os ministros costumam atuar em esferas mais políticas. O objetivo central é otimizar a integração entre as nações e fomentar a produção de conteúdo audiovisual e cultural.
O papel do Fórum Ibero-Americano na economia criativa
Fundado em 2024, o Fórum Ibero-Americano de Vice-Ministros da Cultura é um grupo de trabalho regional promovido pela OEI (Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura). A iniciativa busca desenvolver políticas que fortaleçam a economia criativa em todas as suas dimensões, desde a produção até a distribuição de bens culturais. A reunião no Rio2C é vista como uma oportunidade estratégica para alinhar interesses entre os países membros, que incluem Bolívia, Brasil, Cabo Verde, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Espanha e Uruguai.
Para Márcio Tavares, secretário executivo do Ministério da Cultura do Brasil, que preside o encontro, a convergência entre o debate público e a dinâmica do mercado é um passo sem precedentes. O gestor ressalta que a intenção é construir pontes sólidas entre os setores público e privado, visando energizar as cadeias produtivas da cultura na região. A relevância do Rio2C como vitrine para esse diálogo foi um dos pontos destacados pelo ministério ao propor a realização do fórum durante a programação do evento.
Acordos de cooperação e novos indicadores de dados
Durante o encontro, está prevista a assinatura de um acordo de cooperação entre a OEI e a Fundação Itaú. O foco principal desta parceria é a estruturação de dados e indicadores que permitam medir, com maior precisão, a contribuição real das indústrias criativas para o desenvolvimento sustentável dos países ibero-americanos. A falta de métricas padronizadas tem sido um desafio histórico para o setor, e a iniciativa busca preencher essa lacuna com dados robustos.
Além da questão dos indicadores, os membros do fórum discutirão a renovação da Carta Cultural Ibero-Americana, documento assinado originalmente em 2006. A expectativa é que uma nova versão do texto seja aprovada em novembro, refletindo as mudanças tecnológicas e as novas demandas do mercado global de entretenimento. A atualização é considerada essencial para manter a relevância das políticas culturais diante da rápida evolução dos meios de consumo, como o streaming e as plataformas digitais.
Educação e intercâmbio cultural entre países
Outro ponto de destaque na agenda de Márcio Tavares é a apresentação de cursos de língua portuguesa e espanhola, que serão oferecidos pela Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa, vinculada ao Ministério da Cultura do Brasil. A proposta é disponibilizar esse conteúdo educacional para todos os países membros do fórum, facilitando o intercâmbio de profissionais e a coprodução de obras entre nações que compartilham os idiomas ibéricos.
A iniciativa de capacitação técnica reforça o compromisso do Brasil em liderar discussões que transcendem a política e tocam diretamente na formação de mão de obra qualificada. Ao promover o ensino de idiomas, o governo brasileiro aposta na redução de barreiras linguísticas que, muitas vezes, impedem a circulação de talentos e a viabilização de projetos conjuntos entre os países da região.
O impacto do Rio2C na integração regional
A realização do fórum dentro do Rio2C não é apenas uma questão de logística, mas uma escolha estratégica para aproximar o poder público das empresas que compõem o ecossistema criativo. O evento, que atrai produtores, investidores e criadores de diversas partes do mundo, oferece o ambiente ideal para que as políticas públicas sejam discutidas sob a ótica da viabilidade econômica e da inovação tecnológica.
A presença de representantes de 17 países em um único espaço demonstra a importância que a região tem dado à cultura como motor de desenvolvimento econômico. A expectativa é que, após o encerramento do fórum, as diretrizes estabelecidas sirvam de base para novos editais, incentivos fiscais e parcerias internacionais que possam impulsionar a produção cultural ibero-americana nos próximos anos.
O encontro reafirma a posição do Brasil como um articulador central na política cultural da América Latina e da Península Ibérica. Ao sediar o fórum e presidir as discussões, o país busca não apenas fortalecer sua própria indústria, mas criar um ambiente de colaboração que beneficie todo o bloco, consolidando a cultura como um ativo estratégico de desenvolvimento nacional e regional.
A conclusão do fórum deve resultar em um documento final com as diretrizes prioritárias para o próximo ciclo de gestão cultural ibero-americana. O sucesso dessa iniciativa dependerá da capacidade dos países em transformar as discussões teóricas em políticas públicas efetivas, capazes de sustentar a produção cultural em um mercado global cada vez mais competitivo e exigente.
Fonte: Variety