Renny Harlin relembra carreira com filmes de ação e dramas perdidos

Renny Harlin relembra sua carreira no cinema de ação, desde “A Hora do Pesadelo” até “Mar Profundo”, passando por sucessos e fracassos.

O diretor Renny Harlin, conhecido por seus filmes de ação, revisita sua trajetória em uma conversa abrangente, abordando desde seus primeiros sucessos até projetos que marcaram sua carreira. Harlin, com sua estatura imponente e traços nórdicos, é um nome fundamental na construção do cinema de ação moderno.

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Apesar de críticas que apontam para uma mistura de sentimentalismo e violência em suas obras, o público reconhece a assinatura de Harlin. Seus primeiros trabalhos em franquias como “A Hora do Pesadelo” e “Duro de Matar” o colocaram no topo das listas dos estúdios. Filmes como “Risco Total”, estrelado por Sylvester Stallone, e o inovador filme de ação com protagonista feminina “Despertar de um Pesadelo” consolidaram seu sucesso. Ao longo dos anos, casamentos e fracassos de bilheteria testaram sua resiliência. Harlin atuou como comprador de filmes para adolescentes em Cannes, garoto-propaganda da Shell e um admirador de Steven Spielberg, além de ter passado seis anos na China produzindo filmes à sua maneira.

“A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos”

Em 1988, Harlin dirigiu seu terceiro longa-metragem para grandes estúdios, assumindo a quarta parte da franquia Freddy Krueger. Ele conta que a oportunidade foi difícil de conseguir e que mudou sua carreira. Inicialmente, o estúdio relutou em confiar a franquia a um diretor finlandês. Com a greve dos roteiristas, a falta de um roteiro pronto levou o estúdio a aceitar a proposta de Harlin de criar as sequências de pesadelo em storyboards. Essa persistência, aliada a uma abordagem distinta da dos diretores anteriores, onde Freddy era tratado mais como um ícone do que uma figura de terror, resultou em críticas positivas e um grande sucesso de bilheteria. Steven Spielberg foi um dos primeiros a ligar para Harlin após o lançamento do filme.

O Filme Perdido de Spielberg

Após o sucesso de “A Hora do Pesadelo 4”, Harlin teve uma reunião com Steven Spielberg, que o convidou para a Amblin. Spielberg queria adaptar um livro sobre um garoto com a habilidade de ficar invisível. Enquanto Spielberg imaginava uma aventura cômica no estilo de “De Volta para o Futuro”, Harlin via o projeto como uma história mais focada no desenvolvimento do personagem, semelhante a “Minha Vida de Cachorro”. Harlin, em sua idealismo, recusou a direção, uma decisão que ele hoje considera um erro, mas que reflete sua convicção artística.

“Duro de Matar 2”

Em seguida, Harlin dirigiu a comédia de ação “As Aventuras de Ford Fairlane”, com Andrew Dice Clay. Logo após, Joel Silver o convidou para dirigir a sequência de “Duro de Matar”. Harlin relata a pressão de trabalhar com Bruce Willis, que desejava um tom mais sério para o personagem John McClane, contrastando com o humor que marcou o primeiro filme. Uma negociação permitiu que Harlin filmasse as cenas tanto no estilo de Willis quanto em sua própria visão, garantindo que o humor característico fosse mantido.

“O Confronto”

Em 1993, “O Confronto”, estrelado por Sylvester Stallone, representou um marco financeiro na carreira de Harlin, arrecadando US$ 255 milhões mundialmente. Harlin descreve a estreia no Festival de Cannes como um momento inesquecível, com a presença de milhares de pessoas e a trilha sonora do filme. Ele relembra sua juventude como comprador de filmes em Cannes, onde adquiriu os direitos de filmes como “Sangue Negro” e “Uma Noite Alucinante”, e uma experiência marcante com a atriz Isabelle Huppert.

“A Ilha da Garganta Cortada”

O filme de aventura pirata “A Ilha da Garganta Cortada”, feito em colaboração com sua então esposa Geena Davis, tornou-se um dos maiores fracassos de bilheteria de Hollywood, com um custo de produção de US$ 115 milhões e arrecadação de apenas US$ 16 milhões. Harlin atribui parte do insucesso a problemas financeiros da produtora Carolco e à venda do estúdio MGM durante a pós-produção, o que limitou os investimentos em marketing. A saída de Michael Douglas do papel principal e sua substituição por Matthew Modine também foram fatores.

“Despertar de um Pesadelo”

Um ano após o fracasso de “A Ilha da Garganta Cortada”, Harlin e Davis buscaram redenção com “Despertar de um Pesadelo”. O filme, que retrata uma professora amnésica descobrindo ser uma ex-assassina da CIA, recebeu críticas mistas e não foi um sucesso comercial, mas se tornou um título cult. Harlin destaca a importância de ter uma protagonista feminina em um filme de ação e a boa relação com Samuel L. Jackson, com quem colaborou em quatro filmes.

“Mar Profundo”

O mais recente filme de Harlin, “Mar Profundo”, estrelando Aaron Eckhart e Ben Kingsley, aborda a luta pela sobrevivência de pilotos de avião após um acidente em águas infestadas de tubarões. Harlin acredita que o cinema atual carece de dramas e filmes de estrelas, focando excessivamente em propriedades intelectuais que exigem altos investimentos em marketing. Ele vê seu novo filme como uma continuação de sua abordagem em criar thrillers de ação com um centro emocional, semelhante a “O Destino de Poseidon”. Harlin enfatiza o rigor na pesquisa e nos detalhes técnicos para criar a cena do acidente aéreo.

Fonte: Variety