A desenvolvedora Red Hook Studios, responsável pela aclamada franquia Darkest Dungeon, reafirmou seu compromisso ético ao declarar que não pretende utilizar inteligência artificial generativa para recriar a voz do icônico narrador Wayne June. O ator, que faleceu recentemente, tornou-se uma marca registrada da série com sua interpretação marcante e sombria.
Respeito ao legado humano
Em uma interação recente com a comunidade no Reddit, o cofundador e diretor criativo Chris Bourassa revelou que o próprio Wayne June, em um de seus últimos e-mails, havia oferecido permissão para que a equipe treinasse um modelo de IA com sua voz, visando facilitar o futuro da franquia. No entanto, o estúdio recusou prontamente a oferta.
“Eu jamais iria erodir suas performances incríveis e atemporais ensinando uma máquina a soar como ele”, afirmou Bourassa. O diretor destacou que a entrega de Wayne June era profundamente humana e que a equipe prefere honrar sua memória a buscar atalhos tecnológicos. O estúdio optou por realizar uma doação à família do artista em vez de seguir com a sugestão.

Decisões baseadas em valores, não em medo
Ao ser questionado por um usuário sobre a possibilidade de um futuro narrador em um hipotético Darkest Dungeon 3 não atingir o mesmo nível de qualidade, Bourassa foi enfático. Ele argumentou que decisões criativas não devem ser tomadas com base no medo ou na comparação de resultados hipotéticos.
Para o diretor, a escolha mais correta no momento atual é rejeitar a inteligência artificial para preservar o legado de Wayne June. O estúdio entende que a tecnologia, embora avançada, não substitui a conexão emocional que um performer humano estabelece com o público e com a equipe de desenvolvimento.

O debate sobre IA na indústria
A posição da Red Hook Studios se insere em um debate mais amplo sobre o uso de tecnologias de voz em jogos e cinema. Enquanto alguns profissionais, como o ator Troy Baker, sugerem que a IA pode ter aplicações positivas se bem utilizada, a indústria enfrenta críticas crescentes sobre a ética de “ressuscitar” vozes de artistas falecidos.
A prática de utilizar tecnologia para replicar performances de atores que não estão mais presentes é vista por muitos como um caminho distópico. A prioridade, segundo a visão da Red Hook, deve ser valorizar o trabalho dos criadores enquanto estão vivos e respeitar a finitude de suas contribuições artísticas após o falecimento.
Fonte: Thegamer