Ranveer Singh enfrenta impasse com Excel Entertainment em Don 3

A saída do ator Ranveer Singh do projeto Don 3 em dezembro de 2025 desencadeou um dos impasses mais complexos e acompanhados pela indústria cinematográfica indiana nos últimos anos. O conflito, que envolve cerca de 25.

A saída do ator Ranveer Singh do projeto Don 3 em dezembro de 2025 desencadeou um dos impasses mais complexos e acompanhados pela indústria cinematográfica indiana nos últimos anos. O conflito, que envolve cerca de 25 figuras de alto escalão do mercado, resultou em uma auditoria realizada por uma das empresas do grupo Big Four, passou por mediações na Producers Guild of India e culminou em uma diretriz de não cooperação emitida pela Federation of Western India Cine Employees (FWICE). Pela primeira vez, detalhes sobre os bastidores dessas negociações privadas revelam a extensão da disputa entre o astro e a produtora Excel Entertainment, de Farhan Akhtar e Ritesh Sidhwani.

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O cerne da disputa financeira e contratual

O litígio gira em torno de uma reivindicação de danos estimada em aproximadamente 450 milhões de rúpias (cerca de US$ 4,7 milhões) e versões conflitantes sobre os motivos que levaram ao colapso de uma colaboração anunciada com grande expectativa em agosto de 2023. O projeto, que deveria iniciar as filmagens três semanas após a saída de Ranveer Singh, enfrentou problemas de cronograma e alinhamento contratual. Embora a Excel Entertainment tenha financiado e divulgado o primeiro material promocional em agosto de 2023, o termo de compromisso formal só foi assinado em agosto de 2024, mantendo o contrato de longo prazo em negociação constante durante o período.

Histórico da franquia e expectativas

Criada por Salim Khan e Javed Akhtar, a franquia Don, iniciada em 1978 com Amitabh Bachchan, tornou-se um marco do cinema indiano. Em 2006, Farhan Akhtar reiniciou a série com Shah Rukh Khan, consolidando o sucesso com a sequência Don 2 em 2011. A entrada de Ranveer Singh no papel principal foi vista como uma renovação necessária, mas a trajetória até o cancelamento foi marcada por desencontros. Entre março e novembro de 2025, o ator participou de treinamentos de ação e provas de figurino, enquanto a produção organizava o cronograma de filmagens para 2026. O sucesso estrondoso de Dhurandhar, filme estrelado por Singh e dirigido por Aditya Dhar, coincidiu com o período de tensões crescentes nos bastidores de Don 3.

As alegações de Ranveer Singh na mediação

Durante a sessão conjunta de mediação, que contou com a presença de nomes como Aamir Khan, Anil Kapoor e Rohit Shetty, Ranveer Singh apresentou quatro pontos principais de descontentamento. O ator argumentou que o roteiro não atingiu o padrão esperado, que o diretor Farhan Akhtar esteve indisponível para colaboração criativa devido a outros compromissos, que seu cachê foi reduzido durante o processo e que o orçamento final do filme, estimado em 150 milhões de rúpias, era insuficiente para a escala da franquia. Além disso, Singh alegou não ter recebido adiantamentos contratuais. Em resposta, a Excel Entertainment apresentou registros de comunicações via WhatsApp que, segundo os presentes, demonstravam entusiasmo do ator com as versões do roteiro, contestando a narrativa de insatisfação criativa.

O impacto da auditoria e o impasse atual

Uma auditoria independente confirmou despesas de pré-produção na casa dos 450 milhões de rúpias, cobrindo viagens, custos de roteiro e obrigações com mais de 200 profissionais. A proposta de acordo feita por Singh, que incluía compensação financeira e desconto em projetos futuros da Excel Entertainment, foi rejeitada pelos produtores, que buscam reparação direta. A situação escalou para a FWICE, que emitiu uma diretriz de não cooperação, instruindo seus membros a não trabalharem com o ator até que o conflito seja resolvido. O produtor T.P. Aggarwal contestou a legalidade dessa medida na justiça, argumentando que a federação não possui autoridade para tais sanções. Enquanto isso, a Cine and TV Artistes’ Association (CINTAA) manifestou apoio ao ator, lamentando não ter sido envolvida na mediação. Até o momento, não há resolução à vista, e o caso serve como um alerta para a necessidade de diretrizes mais claras sobre compromissos contratuais entre estrelas e produtores no mercado indiano.

O peso institucional da mediação na Producers Guild of India

A intervenção da Producers Guild of India neste caso não é um evento isolado, mas reflete uma mudança estrutural na forma como a indústria cinematográfica indiana lida com a quebra de contratos de alto nível. A presença de figuras como Aamir Khan e Anil Kapoor na mesa de negociação sublinha a gravidade da situação, tratando o conflito não apenas como uma disputa privada, mas como um precedente para a estabilidade do ecossistema de Bollywood. A mediação buscou evitar que o litígio se tornasse um processo judicial público e prolongado, que poderia paralisar projetos futuros de ambas as partes. A tentativa de conciliação focou em encontrar um terreno comum onde a Excel Entertainment pudesse recuperar parte dos investimentos em pré-produção, enquanto Ranveer Singh buscava salvaguardar sua reputação profissional após o desligamento abrupto.

A complexidade das auditorias em produções de grande escala

A auditoria realizada por uma empresa do grupo Big Four trouxe à tona a fragilidade dos acordos verbais e das negociações prolongadas em produções de grande orçamento. Com despesas de 450 milhões de rúpias já comprometidas, o custo de oportunidade para a Excel Entertainment tornou-se insustentável. O relatório de auditoria detalhou gastos com logística internacional, contratação de especialistas em cenas de ação, locações e a equipe técnica que já estava alocada para o cronograma de 2026. Este nível de escrutínio financeiro é raro em disputas de talentos e demonstra que a produtora buscou uma base técnica para justificar a reivindicação de danos, transformando uma divergência criativa em uma questão de responsabilidade fiscal corporativa.

O papel da FWICE e o impacto na carreira dos artistas

A diretriz de não cooperação emitida pela Federation of Western India Cine Employees (FWICE) representa uma das sanções mais severas que um artista pode enfrentar no cinema indiano. Ao instruir seus membros — que compõem a vasta maioria da força de trabalho técnica e criativa — a não colaborarem com Ranveer Singh, a federação colocou o ator em uma posição de isolamento operacional. Embora a CINTAA tenha contestado a medida, o impacto prático é a criação de um ambiente de incerteza para qualquer estúdio que deseje contratar o ator enquanto o impasse persistir. Este cenário levanta questões sobre o equilíbrio de poder entre sindicatos, associações de classe e os grandes estúdios, destacando a necessidade de mecanismos de resolução de conflitos mais ágeis e menos punitivos.

Análise de mercado: O futuro da franquia Don

A franquia Don, iniciada em 1978 e revitalizada por Farhan Akhtar em 2006, é um dos ativos mais valiosos da Excel Entertainment. A transição de Shah Rukh Khan para um novo protagonista foi uma aposta estratégica para manter a relevância da marca junto a um público mais jovem. O impasse com Ranveer Singh não apenas atrasa o cronograma de produção, mas também coloca em risco a percepção de mercado sobre a viabilidade de novos reboots. O sucesso de bilheteria de Dhurandhar, estrelado por Singh, prova que o ator mantém um forte apelo comercial, o que torna a disputa ainda mais custosa para a Excel, que perdeu a oportunidade de capitalizar sobre o momento de alta do astro.

Disponibilidade e janelas de exibição no Brasil

Para o público brasileiro, que acompanha o cinema indiano através de plataformas de streaming, a franquia Don permanece como um exemplo de sucesso global de Bollywood. Os filmes anteriores da série, incluindo a versão de 2006 e a sequência de 2011, estão frequentemente disponíveis em catálogos de plataformas como Netflix e Prime Video, que investem na curadoria de produções internacionais. No entanto, devido ao impasse atual e à paralisação das filmagens de Don 3, não há previsão de janela de estreia ou data de lançamento para o mercado brasileiro. A produção, que estava planejada para ser um lançamento global, agora enfrenta um hiato indefinido, aguardando a resolução das pendências contratuais e a definição de um novo cronograma de filmagens pela Excel Entertainment.

Fonte: Variety