Primetime e Breaking Through the Lens unem forças para financiar cineastas

Parceria estratégica firmada no Festival de Cannes busca ampliar o acesso a capital e suporte para mulheres e pessoas não-binárias na indústria audiovisual.

A Primetime e a Breaking Through the Lens (BTTL) anunciaram uma parceria estratégica de grande impacto durante a edição deste ano do Festival de Cannes. O objetivo central da colaboração é estabelecer novos e robustos canais de financiamento voltados especificamente para mulheres e pessoas não-binárias que atuam em diversas frentes do cinema e da televisão. Esta iniciativa surge como uma resposta direta às barreiras sistêmicas que, historicamente, têm dificultado o acesso de grupos sub-representados aos recursos necessários para a viabilização de projetos audiovisuais de alta qualidade.

Breaking Through the Lens
Breaking Through the Lens
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A estrutura desta aliança é desenhada para ser abrangente, combinando o modelo de operação da Primetime — que se destaca por agrupar suporte de produção, talentos de renome e capital privado — com a infraestrutura jurídica e filantrópica da Breaking Through the Lens. A BTTL possui uma configuração única, operando com status de organização sem fins lucrativos 501(c)(3) nos Estados Unidos e, simultaneamente, registrada como uma instituição de caridade de apoio social na Grécia. Essa dualidade jurisdicional permite que cineastas tenham acesso facilitado a uma rede diversificada de subsídios, doadores filantrópicos e investidores privados que, de outra forma, seriam de difícil alcance para produções independentes.

Daphne Schmon, fundadora e CEO da Breaking Through the Lens, enfatizou que tanto a sua organização quanto a Primetime foram concebidas durante o Festival de Cannes, movidas pela convicção de que mudanças duradouras na indústria devem começar na fase de financiamento. Segundo Schmon, a parceria atua como uma ponte natural entre produções de curta e longa metragem, oferecendo suporte crucial no momento em que muitas carreiras de cineastas mulheres e não-binárias acabam estagnando. Ela destacou a disparidade alarmante presente na seleção oficial deste ano, onde apenas cinco dos 22 filmes que competem pela prestigiosa Palma de Ouro são dirigidos por mulheres. Para Schmon, este dado é uma prova clara de que o problema é sistêmico e exige uma reavaliação urgente dos vieses enraizados na indústria. “Nada muda a menos que mudemos algo”, afirmou a executiva.

A colaboração já está gerando resultados práticos, formalizando o apoio ao projeto intitulado Last Train Home. Trata-se de uma obra escrita e dirigida por Jessi Gutch, cineasta indicada ao BIFA, e que conta com a participação da estrela Emma D’Arcy. A produção está sendo conduzida por Victoria Emslie, fundadora da Primetime, em parceria com Cat Marshall, da Commonplace Films. Além disso, a médica e produtora Shoshana Ungerleider, duas vezes indicada ao Oscar e fundadora da organização End Well, atua como produtora executiva, utilizando o arranjo de patrocínio fiscal da BTTL para viabilizar a obra.

O modelo de reinvestimento da Primetime também está passando por uma evolução significativa. Após o encerramento do Festival de Cannes, os membros fundadores da organização participarão de um processo de votação para decidir como os fundos destinados à coorte anual serão alocados. As opções incluem a criação de fundos de investimento cinematográfico e bolsas de desenvolvimento, reforçando o caráter democrático e comunitário da iniciativa. Vale ressaltar que a adesão como membro fundador permanece aberta durante todo o ano, permitindo uma expansão contínua da rede de apoio.

Victoria Emslie, ao comentar sobre a importância da iniciativa, ressaltou que a narrativa sempre funcionou como um veículo fundamental para a conexão humana, a resistência e a compreensão mútua. Ela argumenta que, se a tapeçaria cultural não incluir vozes de comunidades marginalizadas, tanto na frente quanto atrás das câmeras, a perspectiva coletiva da sociedade torna-se inevitavelmente mais estreita e menos resiliente. “Encontrar formas novas e inovadoras de financiar esses projetos é essencial, não apenas para contar grandes histórias, mas para proteger a riqueza da nossa imaginação coletiva e garantir que o futuro que moldamos reflita o espectro completo da experiência humana”, declarou Emslie.

Como prova da eficácia do modelo, a Primetime destaca o sucesso de seu primeiro projeto contemplado, o filme Truckload. A obra, que está sendo exibida no Short Film Corner do Festival de Cannes, é dirigida por Aella Jordan-Edge e produzida por Emslie e Arpita Ashok. O filme conta com a atuação de Jodie Whittaker e Evie Jones, sendo que esta última também assina o roteiro. A narrativa de Truckload é profundamente pessoal, baseando-se na experiência real de Jones ao transitar para a vida adulta como uma pessoa com deficiência. Este projeto exemplifica o compromisso da parceria em elevar vozes autênticas e garantir que histórias diversas encontrem seu espaço no mercado global, superando os obstáculos financeiros que tradicionalmente impedem a diversidade no setor audiovisual.

A parceria entre Primetime e Breaking Through the Lens não apenas oferece capital, mas também constrói uma rede de mentoria e visibilidade. Ao unir forças em um palco global como Cannes, as organizações enviam uma mensagem clara aos investidores e aos grandes estúdios: o financiamento de cineastas mulheres e não-binárias não é apenas uma questão de justiça social, mas uma necessidade estratégica para a vitalidade e a relevância contínua do cinema mundial. A infraestrutura montada permite que projetos que antes seriam considerados de alto risco ou de nicho ganhem o suporte necessário para serem produzidos com qualidade profissional, competindo em pé de igualdade nos principais festivais e mercados de distribuição ao redor do mundo.

O foco em “caminhos de financiamento” é o diferencial que torna esta aliança particularmente relevante. Em um mercado onde o acesso ao capital é frequentemente mediado por redes de contatos exclusivas e critérios de seleção enviesados, a proposta da BTTL e da Primetime democratiza o acesso ao oferecer uma estrutura de suporte que vai além do dinheiro, incluindo consultoria, produção e conexões estratégicas. A evolução do modelo de votação dos membros fundadores da Primetime é outro ponto que merece destaque, pois garante que a comunidade tenha voz ativa na definição das prioridades de financiamento, alinhando os recursos disponíveis com as necessidades reais dos cineastas que estão na linha de frente da criação cinematográfica contemporânea.

Em suma, a união entre a Primetime e a Breaking Through the Lens representa um passo importante na luta por uma indústria mais equitativa. Ao combinar recursos, expertise técnica e uma visão clara sobre a necessidade de mudança sistêmica, as organizações estão pavimentando o caminho para uma nova geração de cineastas. O impacto dessa parceria, que já se reflete em projetos como Last Train Home e Truckload, promete ser duradouro, influenciando não apenas quem recebe o financiamento, mas também como as histórias são contadas e quem tem o poder de moldar a cultura visual do futuro.

Fonte: Variety

Este conteúdo foi produzido pela Redação Máquina Nerd com apoio de inteligência artificial e passa por curadoria editorial.