A série de suspense psicológico do Prime Video, The Girlfriend, lança em setembro de 2025, apresentando Robin Wright como a mãe possessiva Laura Sanderson e Laurie Davidson como seu filho, Daniel. A trama se aprofunda na relação desconfortável entre mãe e filho, especialmente quando a nova parceira de Daniel, Cherry (interpretada por Olivia Cooke), surge, gerando uma rivalidade intensa.
Mudanças na Adaptação de The Girlfriend
Laura se convence de que Cherry deseja afastá-la de seu filho, o que desencadeia uma disputa crescente entre as duas mulheres. A história culmina em um desfecho fatal, onde a rivalidade se intensifica. Baseada no romance homônimo de Michelle Frances de 2018, a série se inspira em thrillers psicológicos dos anos 90, como Poison Ivy e The Hand that Rocks the Cradle.

Uma das principais qualidades da adaptação televisiva é a significativa alterção em relação à obra original. Ao final da série, a trama difere consideravelmente do livro, o que, surpreendentemente, contribui para o sucesso da produção.
Diferente do que se poderia esperar, nem toda adaptação se beneficia da fidelidade ao material de origem. The Girlfriend, neste caso, é uma boa série justamente por causa das mudanças substanciais feitas em relação ao livro.
No romance, Cherry é apresentada como vilã desde o início, com sua natureza maligna se tornando cada vez mais evidente. Ela começa manipulando Daniel e Laura logo após conhecê-los, e seu comportamento evolui para atos cruéis, como a morte de um animal.
O livro carece de complexidade psicológica, muitas vezes justificando o comportamento sufocante de Laura com seu filho e sua relação edipiana. A narrativa, ao retratar Cherry como vilã e Laura como vítima, torna-se previsível.

The Girlfriend: Mudanças Salvaram a Série
Em contrapartida, a adaptação para a TV de The Girlfriend apresenta uma ambiguidade moral muito maior. Enquanto o livro menciona a riqueza da família Sanderson, a série expõe como essa fortuna os torna insensíveis e moralmente falidos em seu tratamento a Cherry e outros.
O livro minimiza as falhas de caráter de Laura, enquanto a série permite que Robin Wright explore a obsessão perturbadora com Daniel. A atriz brilha ao interpretar uma personagem tão sinistra, deixando o espectador em dúvida sobre quem é a pior influência na vida de Daniel.
Como série de suspense psicológico, The Girlfriend se destaca pelo tom humorístico, atuações centrais fortes e um enredo imprevisível. Uma adaptação mais fiel ao livro não teria alcançado essas qualidades.
O livro, por outro lado, é previsível e sem tensão, com um final onde fica claro quem viverá e quem morrerá. A série é mais ousada e chocante, com um desfecho sombrio que complica a moralidade de seus personagens principais.

Adaptações de Livros Não Precisam Ser Sempre Fiéis
O livro The Girlfriend pode agradar leitores que buscam uma história previsível sobre uma mulher rica derrotando uma psicopata. No entanto, como suspense psicológico, o livro é uma decepção, justificando as ações de um personagem e tornando o outro tão vil que o resultado é óbvio.
A série do Prime Video é uma rara adaptação que demonstra que séries de TV, por vezes, devem mudar completamente seu material de origem. A versão de Cherry por Olivia Cooke é mais humana e relacionável, conferindo um novo nível de horror aos seus atos de violência. Os espectadores podem torcer por ela até que ela cruze uma linha terrível.
Daniel, que no romance é um mero objeto manipulado entre Laura e Cherry, torna-se um personagem autônomo na série, adicionando mais nuances e complexidade à história. O resultado é uma série que funciona não por causa de seu material de origem, mas apesar dele.
Enquanto alguns suspenses psicológicos, como a obra-prima da HBO Sharp Objects, se beneficiam de uma adaptação fiel, The Girlfriend prova que nem sempre é o caso. Às vezes, uma série pode se destacar ao adotar a abordagem oposta, como evidenciado por The Girlfriend do Prime Video.
Fonte: ScreenRant