Pokemon Go tem dados de jogadores usados em drones militares

Investigação aponta que imagens capturadas por usuários de Pokemon Go foram utilizadas pela Niantic Spatial em sistemas de IA aplicados em tecnologia militar.

Uma investigação recente aponta que informações coletadas de jogadores de Pokemon Go podem ter sido utilizadas para o treinamento de sistemas de navegação em drones militares. A denúncia, divulgada inicialmente pelo jornal holandês Trouw, coloca em xeque a parceria entre a Niantic Spatial e a empresa de tecnologia Vantor, que presta serviços para o exército dos Estados Unidos. O uso de dados gerados por usuários em pesquisas de campo levanta preocupações sobre privacidade e o destino final das imagens capturadas durante a jogatina.

A colaboração entre as duas companhias foi oficializada em dezembro passado. Na ocasião, a Niantic Spatial afirmou que o objetivo da parceria seria aprimorar a navegação de drones em cenários onde o sinal de GPS é fraco ou sofre interferências. Embora a empresa tenha experiência consolidada com tecnologia de geolocalização, não houve menção pública de que o material produzido por jogadores de Pokemon Go faria parte desse processo, nem que a tecnologia seria aplicada em esforços militares. A Vantor, anteriormente conhecida como Maxar Intelligence, mantém contratos ativos com o governo americano, incluindo um acordo firmado em fevereiro deste ano para sistemas de mapeamento 3D.

Dados de jogadores e o treinamento de inteligência artificial

Pokemon Go 2
Pokemon Go
Como você não forneceu a imagem ou o contexto, assumindo que "Scopley" se refere à empresa de jogos
Como você não forneceu a imagem ou o contexto, assumindo que “Scopley” se refere à empresa de jogos.

O volume de informações em questão é expressivo, totalizando cerca de 30 bilhões de imagens. Esse material foi obtido a partir de vídeos enviados pelos usuários como parte de tarefas de pesquisa de campo dentro do jogo, necessárias para desbloquear itens. A situação ganha contornos mais complexos devido à natureza dos sistemas de inteligência artificial empregados pela Niantic Spatial. Assim como a Games Workshop nega uso de inteligência artificial em arte, o setor de tecnologia enfrenta um debate crescente sobre a transparência no treinamento de modelos de IA.

A Vantor negou o uso direto de dados específicos de Pokemon Go, mas evitou confirmar se a inteligência artificial utilizada em seus sistemas foi treinada com base nesse material. Por sua vez, a Niantic Spatial admitiu que informações do jogo foram empregadas em uma versão inicial do sistema. A empresa defendeu a prática alegando que os usuários concordaram com os termos de uso e reforçou seu compromisso com princípios éticos e direitos humanos. Vale lembrar que a Nintendo, detentora da franquia, segue com seus próprios planos, como a Nintendo confirma lançamento de Pokemon Winds and Waves para 2027, mantendo o foco em novos títulos.

A dificuldade em rastrear exatamente quais fontes alimentaram o treinamento de uma IA torna o cenário ainda mais nebuloso. Quando ferramentas potencialmente utilizadas por forças armadas são alimentadas por vídeos capturados por jogadores desavisados, a indústria entra em um território ético inédito. A falta de clareza sobre o uso de material protegido ou pessoal em modelos de aprendizado de máquina continua sendo um ponto de tensão entre desenvolvedoras e o público. Enquanto isso, a Niantic Spatial também utiliza dados de jogadores para outros fins, como o desenvolvimento de robôs de entrega automatizados, expandindo o alcance de sua coleta de informações geográficas.

A repercussão do caso destaca a necessidade de maior transparência por parte das empresas de tecnologia sobre como os dados coletados em aplicativos de entretenimento são reaproveitados em outros setores. A confiança dos usuários, que frequentemente participam de atividades de mapeamento em troca de recompensas virtuais, pode ser impactada caso a utilização dessas informações para fins militares seja confirmada de forma mais ampla.

Fonte: Thegamer

Este conteúdo foi produzido pela Redação Máquina Nerd com apoio de inteligência artificial e passa por curadoria editorial.