Disney revela sete personagens clássicos baseados em pessoas reais

Conheça as figuras icônicas do mundo real que serviram de inspiração para o visual e a personalidade de grandes ícones das animações da Disney.

Muitos dos personagens mais memoráveis da Disney possuem traços únicos que, por vezes, parecem impossíveis de existir no mundo real. No entanto, o design de animação frequentemente busca referências em figuras humanas para conferir autenticidade, profundidade e carisma às suas criações. Embora muitos desses personagens sejam seres fantásticos, animais falantes ou criaturas de reinos distantes que não poderiam habitar o nosso mundo, o processo criativo por trás deles é profundamente enraizado na realidade. Diversos ícones da cultura pop, estrelas de Hollywood e personalidades históricas serviram como base fundamental para o desenvolvimento de protagonistas e vilões que marcaram gerações. Em um cenário onde remakes em live-action tentam replicar o sucesso das animações originais, é fascinante revisitar quem foram as pessoas reais que deram vida a esses desenhos.

Divine e a vilã Ursula em A Pequena Sereia

A icônica vilã de A Pequena Sereia, lançada em 1989, é um exemplo clássico de como a personalidade pode moldar o design. Embora os animadores tenham estudado diversas criaturas marinhas para compor a anatomia da bruxa do mar, a essência de Ursula foi extraída diretamente da drag queen Divine. A artista, uma figura lendária do cinema independente, era conhecida por suas colaborações frequentes com o diretor John Waters em filmes cult como Pink Flamingos e por seu papel como Edna Turnblad na versão original de Hairspray. A Disney conseguiu encapsular com precisão o humor ácido, a sagacidade e a presença de palco avassaladora de Divine na personagem. É um fato melancólico que a artista tenha falecido apenas um ano antes da estreia da animação, impedindo que ela visse o impacto duradouro de sua influência na cultura popular.

Alyssa Milano como inspiração para Ariel

A protagonista de A Pequena Sereia, a sereia ruiva Ariel, foi um projeto de design complexo que reuniu diversas referências. Além de traços faciais inspirados em figuras como Christie Brinkley e Sherri Stoner, a equipe de animação buscou referências inusitadas para o movimento: os cabelos da sereia flutuando sob a água foram baseados em imagens da astronauta Sally Ride durante suas missões no espaço. Contudo, a principal inspiração física para a personagem foi a atriz Alyssa Milano, que na época era uma estrela adolescente na série Who’s the Boss?. Milano, que tinha apenas 16 anos quando serviu de modelo, chegou a apresentar o documentário de bastidores da Disney sobre o filme. Curiosamente, a atriz não foi informada de que era a base para a princesa até quase um ano após o lançamento do filme, um detalhe que ressalta como o processo de animação pode ser distante dos modelos originais.

The Beatles e os abutres de Mogli: O Menino Lobo

A história por trás dos quatro abutres em Mogli: O Menino Lobo, de 1967, é um dos episódios mais curiosos da história da Disney. Cada uma das aves foi desenhada para espelhar um membro da banda The Beatles, exibindo os famosos cortes de cabelo estilo “mop-top” e compartilhando maneirismos e tons de voz que remetiam diretamente a Ringo Starr, Paul McCartney, George Harrison e John Lennon. A intenção inicial da Disney era que o próprio quarteto dublasse os personagens. No entanto, o projeto foi frustrado pela recusa categórica de John Lennon, que na época não queria se envolver com filmes de animação. A ironia é que, pouco tempo depois, em 1968, Lennon não teve problemas em participar do filme animado Yellow Submarine, mesmo que de forma breve. Devido à recusa, a Disney escalou outros talentos, incluindo o músico britânico Chad Stuart.

Tom Cruise e a mudança no visual de Aladdin

O design final de Aladdin, lançado em 1992, passou por transformações drásticas durante o desenvolvimento. Inicialmente, o personagem foi concebido como alguém mais franzino e desajeitado, inspirado no ator Michael J. Fox. Contudo, a equipe criativa enfrentou um dilema narrativo: eles não conseguiam visualizar por que uma personagem como a Princesa Jasmine se sentiria atraída por ele. Segundo o documentário de bastidores, o presidente da Disney na época comentou que, enquanto Jasmine e Aladdin eram como “Julia Roberts e Michael J. Fox”, o que o filme realmente precisava era de “Julia Roberts e Tom Cruise”. Os animadores levaram a sugestão ao pé da letra, redesenhando o protagonista para que ele tivesse o charme, a atitude e o apelo heroico associados ao astro de ação, resultando no Aladdin que o público conhece hoje.

Rita Hayworth e Veronica Lake em Jessica Rabbit

A inesquecível Jessica Rabbit, de Uma Cilada para Roger Rabbit (1988), é uma composição magistral de estrelas da Era de Ouro de Hollywood. Embora os animadores tenham considerado o visual da atriz Lauren Bacall durante o processo de criação, a decisão final foi uma fusão de ícones. O corpo e a presença de palco da personagem foram fortemente inspirados na atriz Rita Hayworth, que foi a maior pin-up dos anos 1940. Já o penteado icônico, que cobria parte do rosto de forma sedutora, foi retirado diretamente de Veronica Lake, cuja marca registrada era o estilo “peek-a-boo”. A personagem tornou-se um símbolo de uma época específica do cinema, unindo o glamour e o mistério das femme fatales clássicas.

Cher como a referência para a vilã de Enrolados

Em Enrolados (2010), a vilã Mother Gothel possui uma aparência que remete inegavelmente à cantora Cher. Embora a dubladora Donna Murphy tenha conferido a voz e a personalidade à personagem, o diretor Byron Howard admitiu que o design físico foi inspirado na artista. A escolha foi feita porque a equipe buscava um visual que fosse “exótico e gótico”, características que eles associavam à cantora. A própria Cher chegou a comentar no passado que estaria aberta a interpretar uma versão em live-action da vilã, embora o papel tenha acabado ficando com a atriz Kathryn Hahn.

Leah Chase e a essência de Tiana

Para a criação de Tiana em A Princesa e o Sapo (2009), os diretores Ron Clements e John Musker buscaram inspiração na realidade de Nova Orleans. Durante uma viagem de pesquisa, eles conheceram a restaurateur Leah Chase, que na época estava na casa dos oitenta anos. A trajetória de vida de Chase, que começou como garçonete e superou barreiras para se tornar uma renomada proprietária de restaurante, moldou a ética de trabalho, a determinação e a paixão pela culinária da protagonista. A história de Leah Chase serviu como o alicerce emocional e moral para Tiana, transformando a personagem em um símbolo de perseverança e sucesso, consolidando sua jornada como uma das protagonistas mais inspiradoras da Disney.

Fonte: Movieweb