Paul McCartney recusa convite para ser o próximo alvo da Netflix

O lendário músico britânico foi sondado pela produção para estrelar um especial de comédia, mas optou por não participar do formato de roast da plataforma.

Quem teria a coragem de zombar de um Beatle? Essa foi a pergunta que pairou nos bastidores da Netflix durante o planejamento de sua ambiciosa série de especiais de comédia. Em uma revelação exclusiva obtida pela Variety, fontes confirmaram que, antes de Kevin Hart assumir o posto central no recente especial de comédia ao vivo da plataforma, o convite para ocupar a cadeira de honra foi estendido a ninguém menos que Paul McCartney.

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A busca pelo “GOAT” da música

A estratégia da Netflix para sua franquia de roasts tem sido clara: após o sucesso estrondoso do especial dedicado a Tom Brady em 2024 — que não apenas gerou enorme engajamento, mas também garantiu uma indicação ao Emmy na categoria de especial de variedades ao vivo —, a produção buscou elevar o patamar. O objetivo era encontrar outro “GOAT” (sigla em inglês para “o maior de todos os tempos”) para ser o alvo das piadas. McCartney, reconhecido mundialmente como o maior compositor vivo e um ícone absoluto do rock, tornou-se o alvo principal dessa busca por relevância cultural e impacto global.

No entanto, o eterno Beatle, fiel ao seu estilo reservado e focado em sua carreira artística, decidiu declinar a oferta. Em uma expressão coloquial que remete a um de seus maiores sucessos, McCartney simplesmente decidiu “deixar estar” (let it be), optando por não se submeter ao escrutínio humorístico do formato.

A visão de Jeff Ross

Jeff Ross, amplamente conhecido como o “Roastmaster General” e produtor executivo da franquia, confirmou a abordagem em entrevista à Variety. Para Ross, a tentativa de escalar McCartney não foi apenas uma jogada de marketing, mas um desejo pessoal e criativo. “Nós perguntamos ao Paul McCartney em um determinado momento. Para mim, seria um roast dos sonhos”, confessou o comediante. Ross argumentou que, embora McCartney não precise de validação ou de qualquer tipo de exposição extra, o evento teria um valor cultural único. “Um roast de Paul McCartney seria bom para o mundo. Seria tão engraçado para mim, justamente porque ele é uma figura tão amada”, completou.

Apesar da tentativa, a Netflix optou por não comentar oficialmente sobre as negociações. Da mesma forma, os representantes de Paul McCartney não responderam prontamente aos pedidos de esclarecimento enviados pela reportagem.

Contexto e estratégia da Netflix

A tentativa de recrutar McCartney insere-se em um esforço mais amplo da plataforma de streaming em consolidar seus especiais de comédia como eventos imperdíveis. Robbie Praw, chefe de stand-up da Netflix, explicou em entrevista realizada antes do festival Netflix Is a Joke que a empresa tem analisado uma vasta lista de nomes de alto calibre. O objetivo é transformar o formato de roast, anteriormente associado ao Comedy Central, em algo que se assemelhe ao Super Bowl em termos de escala e audiência.

Relatórios de 2025, publicados pelo portal Puck, indicaram que outros nomes de peso também foram considerados. Entre eles, o ator Will Smith foi citado como um possível alvo. Fontes sugeriram que um especial focado em Smith poderia ter servido como uma ferramenta estratégica para a reabilitação de sua imagem pública, transformando-o no centro das piadas após o incidente do tapa na cerimônia do Oscar. Essa abordagem demonstra como a Netflix enxerga o roast não apenas como entretenimento, mas como um mecanismo de gestão de imagem para celebridades de grande porte.

O futuro da franquia

O processo de seleção de um alvo para um roast é complexo e exige paciência. Jeff Ross comparou a busca por um convidado de alto nível à captura de uma baleia, destacando que o tempo é um fator determinante. “Tom Brady, eu mantive comigo por três anos. Ele se aposentou, voltou atrás, divorciou-se, e então decidimos realizar o especial durante o festival da Netflix”, recordou Ross, enfatizando que o planejamento de longo prazo é essencial para alinhar a disponibilidade e o momento de vida da celebridade com a produção do evento.

Olhando para o futuro, o produtor mantém o otimismo. Em uma conversa recente, Ross deu pistas sobre quem ele gostaria de ver na cadeira de honra em edições futuras. “Um astro do pop ou um astro do rock seria fantástico. Um rapper também seria excelente”, afirmou. O comediante chegou a especular sobre a possibilidade de ver Drake sendo alvo de piadas, sugerindo que o artista teria a personalidade necessária para lidar com o formato. Com a continuidade dos festivais de comédia da Netflix, a expectativa é que a plataforma anuncie novos especiais em breve, mantendo a aposta em grandes nomes do entretenimento para manter a relevância de sua programação ao vivo.

Enquanto a Netflix continua a explorar o limite entre a comédia ácida e a celebração de ícones, a recusa de McCartney serve como um lembrete de que, mesmo com todo o poder de fogo e o orçamento da gigante do streaming, a participação em um roast permanece uma escolha pessoal que nem todos os gigantes da cultura pop estão dispostos a aceitar.

Fonte: Variety