O aguardado longa-metragem Paper Tiger, a mais recente obra do cineasta James Gray, teve sua estreia mundial na noite de sábado durante o Festival de Cannes. Sendo o maior filme americano presente nesta edição do festival, a produção foi recebida com grande entusiasmo, culminando em uma ovação de pé que durou seis minutos. O momento de celebração foi marcado por uma atmosfera de forte conexão entre o diretor e a plateia, que contou com a presença de figuras ilustres do cinema mundial, como as atrizes Cate Blanchett e Julianne Moore, além do diretor Pawel Pawlikowski, todos vistos aplaudindo a obra ao final da exibição.



A trama de Paper Tiger transporta o espectador para a década de 1980, no Queens, Nova York. O filme narra a história de Hester, interpretada por Scarlett Johansson, e Irwin, vivido por Miles Teller. O casal tenta construir uma vida familiar estável, mas a rotina é drasticamente alterada quando o irmão de Irwin, um personagem de personalidade marcante interpretado por Adam Driver, convence o protagonista a embarcar em um empreendimento financeiro duvidoso. A decisão coloca a família diretamente na mira da máfia russa, desencadeando uma série de conflitos dramáticos.
Em entrevistas concedidas antes da estreia, James Gray enfatizou sua intenção de resgatar o drama clássico. “Para ser bem pretensioso sobre isso, a intenção era tentar fazer um drama muito clássico”, explicou o diretor. Ele rebateu críticas que associam o termo “clássico” a algo “antiquado”, argumentando que elementos como luta interna, emoção e amor são atemporais e fundamentais para a narrativa cinematográfica. Scarlett Johansson, que não pôde comparecer ao festival devido às filmagens do prelúdio de O Exorcista para a Universal, descreveu o filme como uma “grande história dentro de uma pequena história”. Sobre sua personagem, a atriz destacou a complexidade de Hester: “Gostei da ideia de Hester ser feminina, suave e graciosa, porque ela tem muita coragem e determinação dentro de si”, afirmou, referindo-se à força da personagem diante de notícias trágicas que surgem na trama.
A ausência de Johansson em Cannes foi sentida, mas não impediu que o diretor tentasse incluí-la no momento de glória. Durante a ovação, Gray tentou realizar uma chamada de vídeo para a atriz, embora ela não tenha atendido. Enquanto isso, Adam Driver e Miles Teller caminharam pelo tapete vermelho ao lado do diretor, recebendo aplausos calorosos do público. Em um momento de descontração, Gray chegou a apontar para o próprio relógio, brincando com a plateia para que continuassem os aplausos, antes de encerrar o momento com um discurso emocionado.
“Como vocês podem notar ao olhar para o meu rosto, sinto-me muito mais confortável atrás da câmera do que na frente dela. Então, isso é muito agonizante para mim”, confessou o diretor, visivelmente comovido. Gray, que possui uma longa trajetória no festival — sendo esta a sexta vez que apresenta um filme em Cannes, tendo estado lá anteriormente em 2022 com Armageddon Time —, refletiu sobre a evolução de sua carreira e a importância do evento. “Há muito mais cinza na barba agora, não apenas no nome, mas na barba. Finalmente aprendi a apreciar isso, mas aprecio ainda mais vocês [o público], porque sem vocês não existe cinema; o cinema precisa de vocês. E o cinema precisa de vocês mais do que nunca”, declarou.
O cineasta ressaltou que o momento atual é crucial para a indústria e que o Festival de Cannes desempenha um papel vital na preservação da experiência cinematográfica. “Sempre me comove muito ver vocês aqui neste teatro, onde tenho muitas memórias ótimas. Eu amo todos vocês. O que posso dizer? Vou sair em breve para poder me esconder”, concluiu, em um tom de modéstia. A distribuição de Paper Tiger será realizada pela Neon, e o filme já se consolida como um dos títulos mais comentados desta temporada, reforçando a relevância de James Gray no cenário do cinema contemporâneo.