Omniscient explora vigilância extrema em série da Netflix

A série brasileira Omniscient, disponível na Netflix, apresenta um futuro distópico onde a privacidade foi eliminada por um sistema de vigilância onipresente.

A coleta de dados por redes sociais e diversos outros sites tornou-se uma norma cotidiana que raramente questionamos, mas o que aconteceria se esse nível de monitoramento fosse levado ao extremo absoluto? O exemplo mais famoso de um mundo distópico regido por um nível totalitário de vigilância é a obra 1984, de George Orwell, e existe uma joia esquecida na Netflix que funciona como um sucessor espiritual dessa premissa. Na série brasileira de ficção científica Omniscient, lançada em 2020, o conceito de privacidade é completamente distorcido, apresentando uma realidade aterrorizante onde cada movimento de cada cidadão é monitorado por minúsculos drones, praticamente invisíveis a olho nu. Navegamos por esse universo através das lentes de um mistério de assassinato, onde o onipresente Sistema é desvendado, confrontando o público com ideias que parecem perigosamente próximas da nossa realidade atual, resultando em uma maratona envolvente de seis episódios.

Omniscient constrói um mundo assustador de vigilância constante

A produção Omniscient nos transporta para o lugar mais seguro do planeta, onde o crime é quase inexistente, a ponto de não haver mais forças policiais tradicionais, apenas a empresa titular. Desde que a Omniscient assumiu a segurança pública, cada pessoa recebeu um drone minúsculo que rastreia e analisa todos os seus passos, incluindo sinais comportamentais que sugerem a intenção de cometer um delito. No momento em que um crime ocorre, um supercomputador movido a inteligência artificial analisa as imagens e envia o infrator diretamente para os tribunais para receber sua sentença. A ideia de estar constantemente sob o escrutínio de uma máquina que não processa nuances ou humanidade é arrepiante, especialmente quando observamos exemplos de pessoas incapazes de encontrar emprego devido a infrações cometidas na adolescência ou enfrentando consequências severas após demonstrações de luto pela morte de um familiar.

No entanto, a vigilância inabalável é apenas a ponta do iceberg, pois existem facetas ainda mais irritantes de hipocrisia que tornam o Sistema um pesadelo familiar. Embora a essência do Sistema seja uma invasão massiva de privacidade, a empresa também se orgulha de políticas rígidas, permitindo que apenas a inteligência artificial acesse as imagens dos drones. Quando uma estagiária de tecnologia da empresa, Nina, interpretada por Carla Salle, encontra seu pai assassinado em casa — um crime que o supercomputador nunca detectou ou puniu —, ela se vê incapaz de acessar a única prova que poderia trazer justiça ao seu pai. Para piorar a situação, as autoridades locais instam ela e seu irmão, Daniel, vivido por Guilherme Prates, a não comentarem sobre o assassinato, ignorando a falha no Sistema para manter a ordem pública. Entre a ameaça da vigilância constante e as ironias sobre o que a privacidade significa, o mundo de Omniscient é aterrorizante por não parecer distante do nosso, algo que lembra a complexidade vista em Peacemakers mistura faroeste e investigação criminal na TV, onde a busca pela verdade também enfrenta barreiras institucionais.

O mistério central de assassinato conduz a trama

O que torna Omniscient uma maratona sem esforço é que a série evita um tom excessivamente moralista enquanto nos guia por seu pesadelo distópico, ancorando o mundo em um mistério de assassinato. Após não receber ajuda da empresa ou das autoridades, Nina assume a responsabilidade de descobrir quem assassinou seu pai e por que o Sistema falhou em reconhecer o crime. Existe um senso distinto de pavor e tensão ao observar Nina realizar seus movimentos enquanto evita a detecção por um drone que está incessantemente presente, especialmente porque ela não está lutando contra um vilão específico. Os funcionários da empresa são apenas trabalhadores; Nina está desafiando um sistema inteiro que a maior parte do público aceitou como benéfico para sua segurança e proteção.

Ao longo da série, as perdas pessoais de Nina e a atuação de Carla Salle nos mantêm enraizados na humanidade enquanto navegamos pela corrupção crescente no Sistema. Logo no primeiro episódio, assistimos a ela violar a propriedade privada da empresa como resultado da frustração por ter o acesso às imagens negado, um impulso com o qual qualquer espectador pode se identificar, e então ser multada por isso. Isso estabelece seu arco emocional e a coragem que nos conduz através do mistério, posicionando-nos para torcer por ela diante de um sistema insensível. Salle equilibra essa frustração com uma inteligência afiada que torna Nina interessante de acompanhar, enquanto ela esconde seus movimentos do drone de forma engenhosa. Com a protagonista no centro, torna-se mais fácil mergulhar no mundo onde o sol brilha forte demais e as pessoas parecem felizes demais para uma sociedade perpetuamente vigiada, um contraste que também é explorado em produções como House of David traz escala épica ao Prime Video com drama real, onde o peso das decisões individuais molda o destino de toda uma estrutura social.

A reflexão sobre privacidade e tecnologia

Omniscient entrega seis episódios de revelações emocionais e corrupção arrepiante, unidos por uma mulher em quem confiamos para nos levar a uma conclusão satisfatória. É igualmente fascinante e horrível na forma como representa um mundo que não parece muito diferente do nosso, graças às semânticas em torno das fronteiras da privacidade e da intrusão. A série consegue capturar a essência do medo moderno, onde a conveniência da segurança é trocada pela liberdade individual, um tema recorrente em obras que analisam o impacto da tecnologia na vida privada. Assim como em Dutton Ranch coloca legado de Yellowstone em perspectiva menor, a narrativa de Omniscient foca em como as estruturas de poder, sejam elas corporativas ou familiares, ditam as regras do jogo para aqueles que estão abaixo delas. A série não tenta oferecer respostas fáceis, mas sim colocar o espectador em uma posição de desconforto constante, questionando até onde estamos dispostos a ir em nome da proteção contra o crime. Para quem busca uma produção que faça reconsiderar como operamos online, esta joia esquecida na Netflix é uma recomendação essencial, oferecendo uma experiência densa que se destaca no catálogo de ficção científica da plataforma.

Fonte: Collider

Este conteúdo foi produzido pela Redação Máquina Nerd com apoio de inteligência artificial e passa por curadoria editorial.