Nicolas Winding Refn dirige nova versão de Maniac Cop pela Mubi

O cineasta assume o comando de uma releitura do clássico de terror policial, com produção da Goodfellas e lançamento global confirmado pela plataforma Mubi.

O renomado cineasta Nicolas Winding Refn, conhecido por seu estilo visual distinto e narrativas intensas, foi confirmado como o diretor de uma nova versão do cultuado longa-metragem Maniac Cop. O projeto, que promete trazer uma abordagem renovada para a icônica história, conta com o financiamento integral da plataforma Mubi. A empresa não apenas viabilizou o orçamento, mas também assegurou um compromisso robusto de lançamento nos cinemas em diversos territórios estratégicos ao redor do mundo.

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A abrangência da distribuição da Mubi é um dos pontos centrais do anúncio, cobrindo mercados fundamentais como América do Norte, América Latina, Reino Unido e Irlanda. Além disso, o filme chegará às telonas na França, Itália, Espanha, Benelux, Turquia, bem como na Austrália e Nova Zelândia, consolidando a ambição global do projeto. A produção conta com a parceria da Goodfellas, que atua na co-produção e supervisionará as vendas internacionais para os territórios não cobertos diretamente pela Mubi.

Estrutura de produção e cronograma

O desenvolvimento do filme está sendo conduzido sob o selo byNWR Originals, pertencente a Refn. A estrutura de produção executiva é composta por Christina Erritzøe e Kimberly Willming, que representam a byNWR, enquanto Vincent Maraval assume a responsabilidade pela produção executiva em nome da Goodfellas. Embora o projeto esteja em estágio avançado de planejamento, o elenco e os demais membros da equipe criativa ainda não foram revelados ao público. O cronograma oficial estabelece o início das filmagens para janeiro de 2027, com locações previstas para a cidade de Los Angeles.

Nicolas Winding Refn em evento no Festival de Cannes
O diretor Nicolas Winding Refn prepara uma nova visão para o terror Maniac Cop.

Raízes e legado do clássico original

Para compreender a magnitude desta nova empreitada, é necessário revisitar o Maniac Cop original, lançado em 1988. Dirigido por William Lustig a partir de um roteiro escrito por Larry Cohen, o filme tornou-se uma referência no gênero de horror urbano. A trama original explorava uma série de assassinatos brutais perpetrados por um indivíduo trajado com uniforme policial nas ruas de Nova York. O antagonista, Matt Cordell, era um oficial exemplar que, após ser incriminado e deixado para morrer por autoridades corruptas, retornava como uma figura desfigurada e implacável, buscando vingança indiscriminada contra culpados e inocentes.

A obra original foi aclamada por sua capacidade de capturar as ansiedades contemporâneas da época, especialmente no que tange à brutalidade policial e à corrupção institucional. O sucesso do filme foi tamanho que ele se transformou em um fenômeno cult, gerando duas sequências. Nicolas Winding Refn, que adquiriu os direitos da franquia há mais de uma década, afirmou que tem desenvolvido o projeto silenciosamente, aguardando o momento ideal para trazê-lo à tona.

A visão artística de Refn e o apoio da Mubi

Ao comentar sobre a nova produção, Refn destacou que o conceito de “Maniac Cop” sempre exerceu um fascínio particular sobre ele. Segundo o diretor, no atual clima político e social, a mera iconografia do personagem é capaz de provocar uma reação imediata e desconfortável. Refn descreveu o projeto como uma “radical nova visão”, prometendo um cenário onde não haverá proteção ou rede de segurança, apenas o caos absoluto. O cineasta enfatizou que esteve observando o desenrolar dos acontecimentos sociais enquanto construía o projeto nas sombras, e que agora o momento de revelar essa visão finalmente chegou.

Efe Cakarel, fundador e CEO da Mubi, reforçou que o projeto não deve ser encarado como um remake convencional. Para Cakarel, trata-se de uma “ressurreição” da mitologia original. Ele elogiou a imaginação de Refn, classificando-a como uma das mais perigosas e singulares do cinema contemporâneo, o que o torna o cineasta ideal para reavivar um ícone do terror. A Mubi demonstra grande entusiasmo em colaborar com um filme que promete ser singular e impossível de ignorar.

Vincent Maraval, da Goodfellas, corroborou essa visão, afirmando que a escolha de Refn é a mais adequada para trazer o mito de volta à vida. Maraval ressaltou que o filme não se trata de nostalgia, mas sim de um “novo pesadelo”. Com o apoio decisivo da Mubi, o projeto se posiciona como um filme de gênero ambicioso, capaz de atrair tanto compradores quanto o público global.

Nicolas Winding Refn possui um histórico consolidado no Festival de Cannes, tendo vencido o prêmio de melhor direção em 2011 pelo aclamado Drive. Ele retornou ao festival em diversas ocasiões, competindo com Only God Forgives (2013) e The Neon Demon (2016). Mais recentemente, seu trabalho mais recente, Her Private Hell, foi exibido fora de competição no festival de 2026, reafirmando sua posição de destaque no cenário cinematográfico mundial.

Fonte: Variety