Nexstar detalha próximos passos na disputa judicial pela Tegna

O CEO Perry Sook reforça a confiança da empresa na legalidade da fusão de 6,2 bilhões de dólares, apesar dos desafios judiciais em curso.

O CEO da Nexstar, Perry Sook, utilizou a teleconferência de resultados da companhia, realizada nesta quinta-feira, para fornecer uma atualização detalhada sobre o complexo cenário jurídico que cerca a aquisição da Tegna. A transação, avaliada em 6,2 bilhões de dólares, foi oficialmente concluída em 19 de março, mas a integração das operações continua sendo alvo de intensos questionamentos legais. A empresa, que também detém o controle da NewsNation e da rede CW, encontra-se no centro de uma disputa que envolve alegações de práticas monopolistas, o que levou a gigante da radiodifusão a mobilizar uma estratégia de defesa robusta, incluindo a contratação da renomada advogada antitruste Beth Wilkinson para atuar em múltiplas frentes judiciais.

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Perry Sook, CEO da Nexstar
Perry Sook, CEO da Nexstar, durante apresentação de resultados financeiros.

O status das ações judiciais e a estratégia de defesa

Logo no início da apresentação aos analistas, Sook delineou os próximos passos da Nexstar no embate jurídico. Atualmente, a empresa enfrenta um cenário multifacetado. Além de uma ação movida pela DirecTV, o grupo lida com um processo coletivo movido por treze procuradores-gerais estaduais — incluindo representantes de estados como Califórnia, Nova York, Indiana, Kansas, Massachusetts, Pensilvânia e Vermont — que buscam reverter a fusão já concretizada. Sook foi enfático ao listar as frentes de batalha:

  • A Nexstar protocolou formalmente um aviso de recurso contra a liminar emitida no Tribunal de Apelações do Nono Circuito.
  • O julgamento de mérito segue em curso no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Leste da Califórnia.
  • Existe uma contestação separada, pendente no Tribunal do Circuito de D.C., que questiona a validade da aprovação da transação concedida pela Comissão Federal de Comunicações (FCC).

Sobre o desafio no Tribunal do Circuito de D.C., Sook observou que a corte já negou um pedido de suspensão emergencial, fundamentando a decisão na falta de jurisdição. No entanto, o processo segue ativo, com a Nexstar e a própria FCC sendo instruídas a apresentar suas respostas formais à petição até o dia 11 de maio. Enquanto aguarda o desenrolar dessas instâncias, a empresa cumpre rigorosamente as ordens judiciais vigentes, operando a Nexstar e a Tegna como entidades separadas. Sook fez questão de elogiar o foco das equipes de ambas as organizações, que, segundo ele, mantêm o compromisso com a execução operacional e com as necessidades de suas comunidades locais, apesar da incerteza jurídica.

Posicionamento estratégico e confiança no mérito

Apesar da pressão constante dos tribunais, a liderança da Nexstar mantém um tom de confiança inabalável. Sook reiterou que a empresa acredita piamente na vitória, baseando sua defesa nos argumentos detalhados apresentados durante o processo de aprovação junto à FCC. Para a companhia, a fusão é um passo necessário para garantir a viabilidade financeira da radiodifusão local, o que, na visão da diretoria, atende ao interesse público. “Acreditamos que esta é uma luta que vale a pena travar — para nós, para a indústria e para o futuro do jornalismo local”, declarou o executivo durante a chamada.

Ao ser questionado por analistas sobre a existência de outros potenciais impedimentos ou riscos ocultos que pudessem comprometer a resolução da propriedade da Tegna, Sook foi direto. Ele afirmou ter apresentado a “lista completa de todos os litígios ameaçados e pendentes” dos quais a empresa tem conhecimento no momento. O CEO assegurou aos investidores que não há outros processos ou desafios iminentes no horizonte, reforçando que o mercado agora possui o mesmo nível de transparência que a própria gestão da Nexstar detém sobre o futuro imediato da disputa.

Fonte: Variety