A indústria do entretenimento foi surpreendida com a notícia de que a Netflix decidiu encerrar a produção de The Boroughs, série de ficção científica criada pelos Duffer Brothers, responsáveis pelo fenômeno Stranger Things. O cancelamento ocorreu menos de um mês após a estreia da primeira temporada, uma decisão atípica para uma produção que figurava entre os títulos mais assistidos da plataforma de streaming. A notícia do cancelamento de The Boroughs pela Netflix gerou questionamentos sobre os critérios de renovação da empresa, especialmente considerando o desempenho positivo da obra nas métricas de audiência.
Em seus primeiros quatro dias de exibição, The Boroughs alcançou a segunda posição no ranking de séries em língua inglesa da Netflix, acumulando 5,6 milhões de visualizações. Na semana seguinte, a produção subiu para o primeiro lugar, registrando 9,5 milhões de views. Mesmo com uma queda natural nas semanas subsequentes, a série manteve números sólidos, atingindo 3,7 milhões de visualizações e, posteriormente, mais 2 milhões entre 8 e 14 de junho. O anúncio do encerramento veio apenas um dia após a divulgação desses dados, pegando até mesmo o elenco de surpresa, conforme Geena Davis lamenta o cancelamento de The Boroughs pela Netflix em declarações recentes.
Custos de produção e tensões nos bastidores
Fontes ligadas à indústria apontam que o orçamento elevado foi um fator determinante para a decisão. Estima-se que cada episódio de The Boroughs custasse cerca de US$ 10 milhões, com relatos indicando que o valor real poderia ser ainda maior. A Netflix avalia o custo de produção diretamente em relação à audiência gerada, e embora a série tenha tido um desempenho satisfatório, ela não alcançou o patamar de sucessos globais como Wednesday, o que pesou na balança financeira do estúdio.
Além da questão orçamentária, especula-se que a relação entre os Duffer Brothers e a Netflix tenha sofrido desgastes. Após a saída dos criadores para um contrato de quatro anos com a Paramount, fontes indicam que o clima entre as partes tornou-se tenso. Embora representantes próximos aos irmãos neguem qualquer conflito e afirmem que a parceria continua ativa em outros projetos, a saída dos criadores de Stranger Things teria incomodado executivos de alto escalão da plataforma. A Netflix, que detém 100% dos direitos da série, optou por não estender os contratos do elenco, encerrando qualquer possibilidade de continuidade ou venda do projeto para concorrentes.
Recepção crítica e o apelo da trama
A série foi amplamente elogiada pela crítica especializada, ostentando uma aprovação de 97% no Rotten Tomatoes, com 91% entre os principais críticos. A trama, que explora uma comunidade de aposentados enfrentando ameaças sobrenaturais, foi descrita como uma abordagem madura e peculiar do gênero sci-fi. O elenco, composto por nomes de peso como Alfred Molina, Alfre Woodard, Denis O’Hare, Clarke Peters e Bill Pullman, foi um dos pontos altos da produção, trazendo credibilidade e profundidade aos personagens.
A narrativa, criada por Jeffrey Addiss e Will Matthews, da Off Franklin Productions, focava em Sam Cooper, um recém-chegado a uma comunidade que descobre segredos sombrios escondidos sob a fachada de perfeição do local. A série conseguiu atrair um público mais velho, um segmento frequentemente negligenciado pelo streaming, oferecendo uma história que misturava mistério, drama e elementos de ficção científica. Apesar do sucesso com o público, que conferiu à série uma nota de 79% no Rotten Tomatoes, o destino de The Boroughs foi selado pela estratégia de negócios da Netflix, que prioriza a rentabilidade a longo prazo em vez de apenas a audiência imediata.
O encerramento da série marca um momento de transição na estratégia de conteúdo da plataforma, que tem sido mais rigorosa com suas renovações. Enquanto os Duffer Brothers seguem focados em seus novos compromissos na Paramount, incluindo um filme de evento agendado para 2028, o cancelamento de The Boroughs permanece como um exemplo de como o mercado de streaming pode ser implacável, mesmo para produções com boa recepção crítica e números expressivos de visualizações.
Fonte: THR