A Netflix oficializou a aquisição global de Bad Bridget, um thriller de época que se destacou como um dos projetos mais comentados e aguardados durante a edição do ano passado do American Film Market (AFM). O longa-metragem, que promete uma abordagem visceral sobre a experiência da imigração, será protagonizado por Emilia Jones, aclamada por sua atuação sensível em CODA e pelo projeto Task, e Alison Oliver, atriz que ganhou notoriedade por suas participações em Saltburn e Wuthering Heights.


Detalhes da produção e elenco
A produção é comandada pelo escritor e diretor Rich Peppiatt, que conquistou reconhecimento internacional e um prestigiado prêmio BAFTA por seu trabalho de estreia, o aclamado Kneecap. O projeto é produzido pela LuckyChap, produtora que tem se consolidado como uma força criativa importante na indústria, em parceria com a Coup d’Etat Films, banner fundado pela dupla em 2024. A trama é uma adaptação inspirada no livro de não-ficção Bad Bridget: Crime, Mayhem, and the Lives of Irish Emigrant Women, escrito pelas pesquisadoras Elaine Farrell e Leanne McCormick.
Originalmente, o papel que agora pertence a Alison Oliver seria interpretado por Daisy Edgar-Jones, que estava vinculada ao projeto em estágios iniciais. A mudança no elenco foi confirmada recentemente, consolidando a nova dupla principal que conduzirá a narrativa intensa proposta pelo roteiro. A expectativa em torno da química entre Jones e Oliver é alta, dado o histórico de performances dramáticas de ambas.
Contexto histórico e trama
Ambientada no século XIX, a história explora o cenário desolador de uma Irlanda devastada pela fome. O enredo acompanha a trajetória de duas irmãs que, diante de um ambiente de miséria absoluta e um contexto familiar opressor, decidem realizar uma jornada perigosa e incerta rumo aos Estados Unidos. A fuga é motivada pela necessidade desesperada de escapar de um pai abusivo, da pobreza extrema e da fome que assolava sua terra natal, transformando a travessia em um ato de sobrevivência.
Ao chegarem em Nova York, as protagonistas se deparam com uma realidade urbana brutal, onde se integram a um grupo de mulheres irlandesas conhecidas pejorativamente como “Bridgets”. Longe de serem apenas vítimas, essas mulheres se tornam responsáveis por causar agitação, rebeldia e caos na cidade, desafiando as normas sociais da época. A narrativa promete um olhar cru e sem filtros sobre a experiência da imigração feminina, focando na resiliência e na criminalidade como formas de resistência em um ambiente hostil.
Cronograma e equipe técnica
As filmagens de Bad Bridget estão programadas para ocorrer em locações na Irlanda e na Irlanda do Norte ainda em 2026. A equipe técnica é composta por profissionais de alto calibre, incluindo o designer de produção vencedor do Oscar James Price e a figurinista Kate Hawley, que trabalharão para recriar a atmosfera autêntica do século XIX. O desenvolvimento do projeto contou com o suporte acadêmico da Queen’s University, em Belfast, garantindo uma base histórica sólida para a ficção.
O processo de viabilização do filme foi estratégico: a FilmNation lançou o pacote para compradores internacionais durante o American Film Market, enquanto a WME Independent ficou responsável por representar os direitos de distribuição nos Estados Unidos. O livro foi originalmente adquirido por Peppiatt e seu produtor de Kneecap, Trevor Birney, em 2025, dando início a uma colaboração que culminou na parceria com a Netflix. Para os fãs de produções intensas de época, o título se posiciona como uma das apostas mais aguardadas da plataforma, unindo um elenco jovem de destaque a uma direção autoral que já provou sua capacidade de capturar a essência de narrativas irlandesas complexas. A expectativa é que o filme não apenas entretenha, mas também lance luz sobre um capítulo pouco explorado da história da imigração, onde o desespero se transformou em uma força disruptiva nas ruas de Nova York.
Fonte: Variety