A cineasta polonesa-australiana Nancy Paton, baseada em Abu Dhabi, compartilha os desafios enfrentados pela indústria cinematográfica no Oriente Médio devido à guerra na região. Paton, fundadora da Desert Rose Films, que prioriza histórias de mulheres locais, teve que realocar sua família de Abu Dhabi para Cannes, França, devido à escalada do conflito.

Impacto na Produção Cinematográfica
Paton relata o adiamento de filmagens previstas para abril, incluindo um longa-metragem com uma diretora local e uma história de amor entre uma jovem emiratense e um rapaz britânico. A produção de um filme com atores do Reino Unido foi postergada para outubro, e a vinda de talentos internacionais se tornou inviável no momento.
Mudanças e Oportunidades na Região
Ao se mudar para a Arábia Saudita no início dos anos 2010, Paton observou um ambiente de segregação de gênero, mas também percebeu movimentos femininos subterrâneos e uma evolução na forma como filmes e séries eram discutidos. Ela viu uma oportunidade de fundar a Desert Rose Films, focada em histórias de mulheres, em um período de grandes mudanças culturais.
Desafios de Censura e Investimento
Apesar do progresso, Paton ainda enfrenta censura em seu trabalho e a dificuldade em convencer investidores sobre o potencial financeiro do cinema. Ela compara o investimento em filmes com o em aplicativos de tecnologia, onde o retorno financeiro é incerto, mas o cinema, com seu potencial de monetização de propriedade intelectual (IP), muitas vezes é negligenciado.
Otimismo em Meio à Incerteza
Mesmo diante da incerteza e do impacto da guerra, Paton mantém o otimismo, ressaltando a importância de contar histórias autênticas e o papel do cinema no turismo e na cultura. Ela acredita que, com o cessar-fogo, a indústria poderá se recuperar, embora o retorno de artistas e profissionais possa levar tempo. A cineasta também destaca a resiliência dos profissionais que permanecem na região, apesar das dificuldades.
Fonte: THR