Nancy Paton relata impacto da guerra no Oriente Médio na indústria cinematográfica

Nancy Paton, produtora em Abu Dhabi, detalha como a guerra no Oriente Médio afeta a indústria cinematográfica, adiando produções e impactando o investimento.

A cineasta polonesa-australiana Nancy Paton, baseada em Abu Dhabi, compartilha os desafios enfrentados pela indústria cinematográfica no Oriente Médio devido à guerra na região. Paton, fundadora da Desert Rose Films, que prioriza histórias de mulheres locais, teve que realocar sua família de Abu Dhabi para Cannes, França, devido à escalada do conflito.

iran war middle east film nancy paton feature 1236566046
iran war middle east film nancy paton feature 1236566046
GettyImages 2246219420 e1776298030618
GettyImages 2246219420 e1776298030618

Impacto na Produção Cinematográfica

Paton relata o adiamento de filmagens previstas para abril, incluindo um longa-metragem com uma diretora local e uma história de amor entre uma jovem emiratense e um rapaz britânico. A produção de um filme com atores do Reino Unido foi postergada para outubro, e a vinda de talentos internacionais se tornou inviável no momento.

Mudanças e Oportunidades na Região

Ao se mudar para a Arábia Saudita no início dos anos 2010, Paton observou um ambiente de segregação de gênero, mas também percebeu movimentos femininos subterrâneos e uma evolução na forma como filmes e séries eram discutidos. Ela viu uma oportunidade de fundar a Desert Rose Films, focada em histórias de mulheres, em um período de grandes mudanças culturais.

Desafios de Censura e Investimento

Apesar do progresso, Paton ainda enfrenta censura em seu trabalho e a dificuldade em convencer investidores sobre o potencial financeiro do cinema. Ela compara o investimento em filmes com o em aplicativos de tecnologia, onde o retorno financeiro é incerto, mas o cinema, com seu potencial de monetização de propriedade intelectual (IP), muitas vezes é negligenciado.

Otimismo em Meio à Incerteza

Mesmo diante da incerteza e do impacto da guerra, Paton mantém o otimismo, ressaltando a importância de contar histórias autênticas e o papel do cinema no turismo e na cultura. Ela acredita que, com o cessar-fogo, a indústria poderá se recuperar, embora o retorno de artistas e profissionais possa levar tempo. A cineasta também destaca a resiliência dos profissionais que permanecem na região, apesar das dificuldades.

Fonte: THR