Microsoft paga US$ 250 milhões para encerrar processo da Activision

Acordo judicial resolve disputa com acionistas sobre a venda da Activision Blizzard e encerra anos de litígio envolvendo a gestão da empresa.

A Microsoft firmou um acordo de US$ 250 milhões para encerrar uma ação coletiva de alto perfil movida por acionistas da Activision Blizzard. O caso, que se arrastava por quatro anos, havia se tornado um obstáculo jurídico complexo, ameaçando reacender o escrutínio público sobre as alegações de má conduta que mancharam a reputação da Activision Blizzard antes de sua aquisição pela gigante de tecnologia. Com a formalização de uma notificação preliminar de acordo, protocolada no Tribunal de Chancelaria de Delaware e tornada pública no final de maio de 2026, o litígio parece estar finalmente próximo de uma conclusão definitiva.

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O histórico da disputa judicial

O processo foi iniciado em 2022 pelo fundo de pensão sueco Sjunde AP-Fonden (AP7). A tese central dos autores da ação era de que a Activision Blizzard teria agido com excessiva pressa ao aceitar a oferta de compra da Microsoft, fixada em US$ 95 por ação. Segundo o fundo, essa celeridade teria privado os acionistas da oportunidade de negociar um valor superior pelo negócio. Além disso, os demandantes apontaram diretamente para o ex-CEO Bobby Kotick, acusando-o de acelerar a venda como uma estratégia para proteger sua própria posição e legado, em um momento em que a empresa enfrentava uma pressão crescente devido a denúncias de má conduta no ambiente de trabalho.

O caso ganhou notoriedade não apenas por desafiar a fusão bilionária, mas por manter sob os holofotes as controvérsias sobre a cultura corporativa da Activision Blizzard. Em uma tentativa de defesa, Kotick e sua equipe jurídica negaram veementemente as acusações ao longo dos anos. A situação escalou a ponto de, no início de 2026, Kotick ter movido um processo contra o AP7 por “abuso de processo”, o que tornou a disputa ainda mais caótica antes da atual proposta de conciliação.

Termos e elegibilidade do acordo

Conforme os termos propostos, a Microsoft pagará o montante de US$ 250 milhões. Como é padrão em acordos dessa natureza, nenhuma das partes admitirá qualquer irregularidade ou culpa. A empresa declarou, em documentos judiciais de 2026, que a decisão de firmar o acordo visa evitar o ônus, os custos elevados e a distração contínua que um litígio prolongado impõe às operações corporativas. A Microsoft também reiterou sua negação quanto às alegações de que a Activision Blizzard teria permitido uma má conduta sistêmica ou que seu conselho administrativo, incluindo Kotick, tivesse agido de forma imprópria.

O valor do acordo se traduz em aproximadamente 30 centavos por ação para os antigos investidores. Para ser elegível ao recebimento, o indivíduo deve ter sido detentor de ações da desenvolvedora entre o anúncio oficial da aquisição, em janeiro de 2022, e a conclusão do negócio, em outubro de 2023. O pagamento, contudo, ainda depende da aprovação final do juiz responsável pelo caso no Tribunal de Chancelaria de Delaware.

Contexto das investigações anteriores

É importante notar que o processo do AP7 estava, em parte, conectado às alegações levantadas pelo estado da Califórnia em julho de 2021, que processou a Activision Blizzard por discriminação de gênero e má conduta no local de trabalho. No entanto, na proposta de acordo atual, o fundo de pensão reconhece que parte de suas alegações iniciais baseava-se em informações que, posteriormente, foram descritas em linguagem aprovada pelo tribunal como nunca tendo sido comprovadas por uma investigação independente ou decisão judicial. O caso da Califórnia foi encerrado em dezembro de 2023, com a Activision Blizzard pagando US$ 54 milhões, também sem admitir culpa. Com a resolução deste novo acordo, a Microsoft espera deixar para trás um dos capítulos mais conturbados da integração da Activision Blizzard ao seu ecossistema, permitindo que a empresa foque integralmente em suas operações futuras no mercado de games.

Fonte: GameRant